Pedagogia: A Cartografia de um Espaço Solidário

Publicado em: 10/05/2013

por Ivam Cabral*, especial para o portal da SP Escola de Teatro 

A palavra Pedagogia vem do grego e significa, numa certa medida, “atravessar a rua”. Aqui, na nossa SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, temos como prioridade zelar por essas travessias, mas não para chegar do outro lado do modo mais seguro e rápido.

 
Há uma cartografia da trilha, evidentemente, mas o que importa é chegar ao destino percorrendo caminhos nunca antes mapeados, pensados. Porque, também, acreditamos que podemos inventar novas possibilidades, novas histórias, novíssimos trajetos. Cremos que a Pedagogia nunca é acolhimento; antes, ela é desafio, uma nau construída para navegar pelo desconhecido, pelo improvável.
 
Não à toa, o título do colóquio, O que É Pedagogia do Teatro? – que acontece na Escola até outubro, com três mesas sendo realizadas na próxima semana –, vem escrito com uma interrogação, pois nosso principal objetivo não é, simplesmente, responder a questões, mas elaborar outras tantas.
 
Desde sua fundação, quando apenas existia no terreno das ideias, o projeto da SP Escola de Teatro já demonstrava, claramente, que seu principal foco estaria na contemporaneidade, na experimentação, tendo como cenários nossas praças, nossas gentes para, aí, sim, descobrir, ou melhor, redescobrir a tradição, o lugar de origem.
 
Há que se curvar diante de mestres como Brecht, Stanislavski ou Meyerhold, mas, antes, faz-se necessário mapear nosso tempo, nossa cidade, nosso estado das coisas. É nesse mundo em que acreditamos. 
 
Entender a alteridade, a rede que nos interliga como seres humanos e, ao mesmo tempo, preservar a singularidade de cada um, para que sua essência permaneça, são pontos primordiais da Pedagogia. Não só a do estudo teatral, mas em toda a sua aplicabilidade.
 
Com esse colóquio, pretendemos explicitar nossa crença em uma pedagogia solidária, que vem do improvável, do desconhecido, do futuro, como, aliás, é o fazer artístico no Brasil do século 21.
 
Querendo ou não, como pedagogos e artistas formadores, assumimos a missão de mudar o mundo e, com ela, suas implicações, expectativas e alternativas. Trata-se de uma travessia longa, mas de um prazer inigualável!


*A coluna de Ivam Cabral é publicada às sextas-feiras. Clique aqui para ler outras colunas.
 

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