Papo de Teatro com Ênio Gonçalves

Publicado em: 18/06/2012

Ênio Gonçalves (Foto: Divulgação)

 

Ênio Gonçalves é ator, autor e diretor

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Quando menino. Assistindo a teatro amador, no salão paroquial da Igreja São João, em Porto Alegre, RS. Mais tarde, assistindo à montagem semiprofissional de “A Falecida”, tomei conhecimento de Nelson Rodrigues e sofri um impacto decisivo.

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?

Foi alguma peça brasileira, uma daquelas comédias de costume publicadas pela Revista da SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), que alimentava o teatro amador daquela época. Era uma ficção ao vivo: coisa surpreendente.

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro foi…
Aquela montagem de “A Falecida”, dirigida por Pereira Dias, um diretor gaúcho que também andou trabalhando em São Paulo e no Rio.

Um espetáculo que mudou a sua vida.
“Galileu Galilei”, de Brecht, pelo Piccolo Teatro de Milano, com um ator monumental, chamado Tino Lattanzi.

Você teve algum padrinho no teatro?
No início de minha carreira, não tive padrinho. Já com alguma experiência, participei de diversos trabalhos de Fauzi Arap, que me ensinou muito do pouco que sei. Fauzi sabe tudo. Ele é o meu ídolo, meu e de uma porção de atores que tiveram o privilégio de trabalhar com ele.

Já saiu no meio de um espetáculo?
Caí fora uma única vez. Era um espetáculo caríssimo, de Shakespeare, extremamente pretensioso e chato. Não digo o nome porque sou um monstro de delicadeza.

Teatro ou cinema?

Os dois! Cinema é minha paixão desde que me entendo por gente. Depois veio o teatro.

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
A primeira montagem de “Hair”, dirigida por Ademar Guerra. Era um senhor espetáculo para qualquer jovem ator daquela época.

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Geralmente, não. Prefiro ficar com a primeira impressão.

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro?

Nelson Rodrigues e Harold Pinter. São gênios.

Qual companhia brasileira você mais admira?
Diversas.

Existe um artista ou grupo de teatro que você acompanhe todos os trabalhos?

Sigo um pouco a Cia. Da Artes (de Jair Aguiar e Antonio Netto Ferreira), com quem já trabalhei.

Qual gênero teatral você mais aprecia?

O melodrama, tal como é feito por Nelson ou por Harold Pinter.

Em qual lugar da plateia você gosta de se sentar? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?

No meio. Temos a visão do encenador. O pior lugar foi na galeria do Teatro São Pedro, em Porto Alegre, onde assisti, de pé, a “Otelo”, de Paulo Autran, e “Longa Jornada…”, com Cacilda Becker.

Fale sobre o melhor espaço teatral que você já foi ou já trabalhou.
Melhor, o Teatro São Pedro, de Porto Alegre. Mas o que importa mesmo é o espetáculo, e não o teatro, já que há tanto teatro bem aparelhado que apresenta tanta porcaria…

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?

São duas possibilidades.

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Não tenho esse sonho.

Cite um cenário surpreendente.

O cenário natural do espetáculo de rua “Barafonda”.

Cite uma iluminação surpreendente.

“Macunaíma”, do Antunes.

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.
Nenhum. Quase sempre confirmam as minhas expectativas.

O que não é teatro?

Certos hapennings travestidos de espetáculo teatral.

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Acho que não. Como também discordo da ideia de que tudo é válido nas artes.

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
Usar cada vez mais a tecnologia. O perigo que os atores correm é o de serem substituídos por robôs.

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

O livro é o objeto mais bonito que existe. E na minha biblioteca não podem faltar as peças de Shakespeare.

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

É tanta gente que eu não quero ser indelicado, correndo o risco de me esquecer de alguém.

Qual o papel da sua vida?
Não sei.

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.
Eu perguntaria a Nelson Rodrigues o que ele acha de, atualmente, ser considerado “um clássico” e, portanto, ser alvo das interpretações e adaptações mais variadas, sendo que ele mesmo não permitia a mudança de uma vírgula de seus textos, enquanto estava vivo.

O teatro está vivo?

Vivíssimo. Tem pra todos os gostos. E ninguém é dono da verdade.

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