Palco SP Debate o Ensino da Cenografia no Brasil

Publicado em: 13/03/2013

Dando continuidade ao Palco SP – Encontro Internacional do Ensino da Cenografia, ontem (12), às 15h, houve a Mesa de Discussão sobre o tema “Caminhos do Ensino da Cenografia Brasileira”, na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. No primeiro momento da conversa, os participantes apresentaram suas respectivas escolas e, logo após, debateram sobre a atual forma de ensinar e aprender cenografia do Brasil.


Lorena Peixoto e Moacyr Gramacho, do Teatro Castro Alves (BA), iniciaram a roda apresentando um vídeo sobre as ampliações que a instituição receberá, oferecendo novos equipamentos e mais serviços culturais, colocando a Bahia em sintonia com as grandes produções artísticas do Brasil e do Mundo. O Teatro Castro Alves tem como principal objetivo a inserção mercadológica dos profissionais da área do espetáculo, proporcionando qualificação profissional. 

 

Com a missão de integrar o adolescente em situação de vulnerabilidade social, foi fundada em 2000, a Spectaculu – Escola Fábrica de Espetáculos (RJ). Ontem, Carla Vilardo veio contar que o “foco da formação é a sensibilidade pela arte e a crítica”. Reunindo jovens de 17 a 21 anos de mais de 90 comunidades da periferia do Rio de Janeiro, a escola oferece oficinas técnicas gratuitas de qualificação profissional e formação cidadã. “Queremos formar uma geração de jovens criativos, que entendam no que eles estão trabalhando e qual o lugar das outras equipes, para eles saberem que ninguém vai trabalhar sozinho em uma produção”, esclarece Carla.

 

Ronald Teixeira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (RJ), veio apresentar um panorama completamente diferente dos demais: a Escola de Belas Artes existe há quase 200 anos, sendo tradicionalíssima quando o assunto é cenografia. “Como retratar, através da plasticidade da cenografia e figurino, o que é o personagem nacional, que é melancólico e ao mesmo tempo alegre?”, questiona Ronald. Os desafios para os educadores de cenografia da UFRJ são lidar com os alunos que “se sentem escravos, mas querem escravizar. Eles estão acostumados a querer comprar e a querer ter para quem exibir. A indústria denota não mais o pensamento em si, em saber qual a vida do cenógrafo, mas o que tem um cenógrafo”, conta. 

 

A última apresentação foi a de Joaquim Gama, coordenador pedagógico da SP Escola de Teatro, que explicou o objetivo da Instituição: “A SP Escola de Teatro pensa em um ensino que não descola a técnica da criação, onde as áreas trabalham juntas. O fazer artístico é superimportante. É a partir do fazer que se dá o processo de construção e formação do profissional”.


Para apimentar o encontro, o mediador Kil Abreu questionou: “Como atender aos aprendizes que têm uma relação de expectativa do pertencimento social e estão em um movimento de aventura no sentido artístico?”.

 

Da esq. p/ a dir.: Moacyr Gramacho, Lorena Peixoto, Kil Abreu, Carla Vilardo, Ronald Teixeira e Joaquim Gama (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)


Apesar de as instituições ensinarem a cenografia de diferentes formas, todos se encontraram na resposta. “Que o ensino seja intenso; ele não pode ser morno. A vivência na escola tem de ser a da pluralidade. Deve ser um lugar do todo, para sua investigação”, responde Ronald Teixeira. “A inquietação é o que nos faz buscar um novo caminho. Cada um precisa procurar sua identidade, e ela não pode ser engessada. Não se pode criar uma zona de conforto”, articula Lorena Peixoto. “Estamos falando de arte e precisamos ser inquietados por isso. Não dá pra pensar só a partir de uma perspectiva de mercado”, concluiu Joaquim Gama.

Texto: Giovanna Offer

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