Ordem no Tribunal

Publicado em: 28/05/2013

Há algumas semanas, o Brasil acompanhou, atento, ao julgamento dos quatro réus, absolvidos pelo júri, pelo assassinado de PC Farias, ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor de Mello, e sua namorada, Suzana Marcolino, em 1996.
 
É fato que julgamentos de casos polêmicos, que levam à comoção nacional, despertam o interesse do público. De olho nisso, alguns dramaturgos resolveram levar para o palco histórias que se passam em tribunais. 
 
Como a obra clássica “Doze Homens e Uma Sentença” – peça feita para a TV americana e exibida em 1954 e que, posteriormente, virou filme, em 1957. Em 2011, chegou aos palcos de São Paulo, com texto original de Reginald Rose e, no elenco, Norival Rizzo, Brian Penido, e José Renato, em seu derradeiro trabalho.
 
A história se passa numa claustrofóbica sala de júri, onde 12 homens decidirão o destino de um jovem, que pode ser condenado à morte pelo assassinato do próprio pai. Detalhe: à época, advogados regularmente inscritos na OAB/SP tinham 50% de desconto na compra de seu ingresso e o de um acompanhante.
 
“A Exceção e a Regra”, de Bertolt Brecht, também apresenta um julgamento. Aqui, um comerciante viaja pelo deserto com um carregador, seu empregado, na tentativa de conseguir uma concessão de petróleo. Em consequência da condição climática, surge a sede e a falta d’água. Na calada da noite, o empregado se aproxima de seu patrão com algo nas mãos. Seu patrão acredita ser uma pedra e, para se defender, mata o empregado com um tiro. Acontece que o empregado se aproximava para lhe oferecer água…
 
Já “O Interrogatório”, de Peter Weiss, é uma reconstituição do Julgamento de Frankfurt, que ocorreu entre 1963 e 1965, quando oficiais nazistas foram julgados pelos crimes cometidos no Campo de Concentração de Auschwitz. O texto recria fielmente, e em tempo real, os momentos finais do julgamento, em que os personagens relatam suas experiências no campo. A encenação dá-se em forma de vigília cênica (já foi apresentada em formatos de 24, 12 e 6 horas de duração), onde é dada ao público a oportunidade de entrar, assistir, sair e voltar, quando e quantas vezes quiser. Sem mais perguntas, meritíssimo!

 

 

 

Texto: Majô Levenstein