Ópera: Arte Completa e Aberta

Publicado em: 05/09/2011

Uma nova vertente de discussão se abriu no último sábado (3), durante o Território Cultural, oferecido pela SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Assim, com o intuito de colocar a ópera em destaque dentre a pluralidade de assuntos abordados na Instituição, uma Mesa de Discussão lançou olhares sobre este gênero plural e secular.

 

 

Idealizado por Lúcia Camargo, orientadora dos cursos de Difusão Cultural da Escola, o encontro contou com a presença do cenógrafo e diretor Cleber Papa; do diretor, iluminador e professor Iacov Hillel; do diretor William Pereira; da meio-soprano Regina Elena Mesquita e do regente Roberto Duarte.

 

 

Como mediador do debate, Cleber Papa abriu a mesa destacando alguns elementos da ópera e lembrando que, atualmente, ela está sendo reformulada. “É mais viável e interessante pensarmos que ela é uma obra aberta que, em seus ‘códigos originais’, ainda tem espaço para experimentação e imersão. A busca por novas alternativas pode trazer soluções modificadoras para a ópera.”

 

 

Na sequência, Iacov Hillel revelou que se há uma palavra que ele gostaria de debater é a contextualização. “A ópera contempla inúmeros elementos. Do ponto de vista do criador, é preciso saber que o mesmo ar que se respira, respira, também, o espectador, os cantores, os músicos e todos os envolvidos na produção. Dessa forma, nossa história caminha e nossa obra de arte agrega mais valor.”

 

Com uma longa trajetória em cima dos palcos, a cantora lírica Regina Elena levou um ponto de vista diferente para o debate. “Dança, línguas, arte cênica e corpo são os componentes mais importantes para os cantores líricos. As universidades e escolas técnicas devem dar mais respaldo a este tipo de profissional que, devido à carência de formação nas escolas do País, muitas vezes deixam a desejar. De tão múltipla, a ópera necessita de atenção em cada detalhe”, declarou.  

 

Após prestar atenção em cada palavra proferida pelos seus colegas e fazer muitas anotações em seu caderno, William Pereira vai de acordo com o depoimento dos colegas de mesa e acrescenta. “Por ser um espetáculo de teatro musical ao vivo, um dos elementos mais importantes da ópera é a música. O canto traz tessitura e cor à apresentação. E acredito que há uma carência de bons cantores no mercado atual. Talvez, focar essa questão em óperas estúdios seja uma boa solução”, comentou.

 

 

 William Pereira, Regina Elena Mesquita, Cleber Papa, Roberto Duarte e Iacov Hillel durante a Mesa de Discussão 


 

 

“Ópera, arte completa? Sim”, responde prontamente Roberto Duarte que, na sequência, contou um pouco da sua história de amor com a ópera, o teatro e a música. “Sou filho de uma atriz e passei a infância acompanhando-a em seus ensaios. Com essas experiências, que me trazem uma ótima lembrança, entendi que a criação cênica é essencial na ópera”, relatou.

 

 

“A ópera é cena. Quando vemos uma cantora lírica, temos que enxergar uma atriz que sabe a força de cada palavra quando solta a voz. Para mim, ela é uma arte completa que tem como predominância o texto, o texto, o texto”, enfatizou Duarte.

 

 

Assistente em uma companhia de teatro que faz estudos sobre os musicais, a aprendiz de Direção Sandra Storino conta que, ao olhar as atividades do Território Cultural, selecionou, de imediato, sua participação na mesa. “O mundo está pedindo por debates como este. Formar artistas para a ópera seria muito bom para quebrar estigmas e preconceitos. Ela é outro universo que, impressionantemente, exige muito menos tempo de produção do que um espetáculo teatral. Adorei a proposta”, observou.

 

 

“Com este debate, trouxemos a experiência de encenadores, maestros, músicos, cenógrafos e iluminadores, para colocar em foco o drama encenado por meio da música. Um gênero que é secular, mas continua vivíssimo em nossos tempos e possui especificações que não mudaram durante o passar dos anos. Foi muito produtivo e interessante. Agora, pensaremos em novas formas de especializações para esta área nos cursos de Difusão Cultural da SP Escola de Teatro”, finalizou Lúcia Camargo.

 

 

Texto: Renata Forato

 

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