“Moloc”: Última Chance

Publicado em: 31/08/2012

Para quem ainda não viu uma boa-nova: nesta segunda-feira (3), às 20h, o ator e diretor francês François Kahn encena, pela última vez no Brasil, seu monólogo “Moloc”, na Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. A entrada é gratuita.

A peça foi concebida a partir da transcrição do julgamento do caso “Os Sete de Chicago”, de 1969. Nele, a Justiça deveria decidir o destino de sete “arruaceiros”, presos durante o Festival da Vida, que aconteceu no Lincoln Park, organizado pelos Yippies (Partido Internacional da Juventude). O evento teve concertos, encontros, aulas, debates, recitação de mantras, cerimônias religiosas, teatro e eleição de misses. Era uma forma de protestar contra o prefeito da cidade, o democrata Richard Daley, político do estilo antiquado, embora defendendo o partido mais liberal do país, que governava Chicago há 21 anos, com “mão de ferro”.

A polícia, claro, foi chamada para interferir e acabar com o festival, que entre suas “façanhas” lançou a candidatura de um porco, Mister Pigasus The Immortal, à presidência dos Estados Unidos. O porco foi preso e seus pseudodonos também. Meses depois, foram levados ao fatídico julgamento (exceto o porco, claro!).

 




Khan, como o poeta Allen Ginsberg, durante seu testemunho (Foto: Helio Dusk/SP Escola de Teatro)

 

Não entre os acusados, mas como testemunha de defesa, estava o poeta americano, da geração beat, Allen Ginsberg. Durante os dois dias de interrogatório, o procurador o atacou de modo muito violento, para mostrá-lo sob uma ótica ruim. E é justamente esse processo que é encenado por François Kahn.

Ginsberg foi “bombardeado” em quatro direções: na religião, porque ele se dizia budista, o que na época era escandaloso para os americanos protestantes; nas drogas, porque Ginsberg defendia o uso da maconha e havia processos contra ele por uso da erva proibida; na homossexualidade, porque ele se declarava homossexual, o que era um escândalo absoluto, e na poesia, pois ele defendia sua visão da poesia como um ato natural do ser humano que, como tal, deveria ser respeitado.

O procurador queria provocar Ginsberg e pediu para ele ler alguns poemas considerados escandalosos, extraídos de dois de seus livros, “Espelho Vazio” e “Realidade Sanduíche”. Ele aceitou fazê-los, sem deixar de dar uma explicação e um sentido a todos.

Para dar vida às três personagens (narrador, Ginsberg e o procurador), François Kahn, discípulo do diretor polonês Jerzy Grotowski, lança mão de recursos simples, pondo em ação o que chama de seu Teatro de Câmara https://spescoladeteatro.org.br/noticias/ver.php?id=2312. Assim, ao mudar o tom da voz ou simplesmente colocar ou tirar os óculos, ele consegue transitar de uma personagem à outra.
 

Serviço
“Moloc”
Monólogo com o francês François Kahn
Quando: Segunda-feira, dia 3 de setembro, às 20h
Onde: Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco
Praça Roosevelt, 210, Consolação
Tel. (11) 2292-7988
Entrada franca


Texto: Majô Levenstein

 

 

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