Mil e Uma Formas de Amar

Publicado em: 17/05/2012

Desde os primórdios das civilizações, da Grécia à China Antiga, pessoas do mesmo sexo mantém relações entre si. Os séculos se passaram, o mundo seguiu adiante e, em constante mutação, viu o homem mudar, pouco a pouco, seus costumes e seu modo de enxergar e viver a vida. Hoje, milênios depois dessas origens, a homossexualidade ainda é um tema em discussão em todo o planeta e vários ainda sofrem com o preconceito que vem de diversos setores da sociedade.
 

(Foto: Divulgação)

Nas últimas semanas, a questão ganhou ainda mais visibilidade após a declaração do presidente norte-americano, Barack Obama, que anunciou seu apoio pessoal à união homossexual. O casamento gay, inclusive, é um dos pontos do assunto que mais suscita polêmica. A Igreja Católica, por exemplo, considera pecaminosa a prática homossexual, uma vez que “são contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afectiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados”, como é dito no parágrafo 2357 do Catecismo da Instituição.

A comunidade LGBT e aqueles que defendem esse tipo de parceria, por outro lado, batalham pelo reconhecimento legal do casamento – que recebeu o título de Casamento Civil Igualitário. Existe uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) impulsada pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que propõe alterações no texto do artigo 226º da Constituição. Se aprovada a PEC, o parágrafo 3 passaria a ser: “Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre duas pessoas, sejam do mesmo ou de diferente sexo, como entidade familiar, devendo a lei facilitar a sua conversão em casamento”.

Hoje (17), Dia Internacional Contra a Homofobia, a bandeira colorida com as sete cores do arco-íris é erguida ainda mais alto, e as vozes que representam a causa gay gritam em uníssono por igualdade. Carlos Hee, jornalista e colaborador do projeto da Enciclopédia Virtual do Teatro Brasileiro na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, é um dos que podem falar sobre o assunto.

Autor do livro “Trem Fantasma”, no qual explora o cenário homossexual dos anos 80, Hee pensa nesta data como uma importante forma de combater qualquer tipo de intolerância. “Este é um dia para se refletir, acima de tudo, sobre a tolerância e as diferenças. Um momento para entender que os direitos dos outros têm de ser respeitados, independentemente de sexo, religião, raça. Além disso, as pessoas não são simples seres sexuais. A sexualidade do indivíduo, seja ela qual for, não deve interferir para a construção e manutenção de uma sociedade harmônica.”

Envolvido em vários projetos sociais, como o oferecimento de oportunidades a transexuais no teatro e na própria Escola, Ivam Cabral destaca que o encontro sempre foi um dos focos de seu trabalho. “Qualquer forma de discriminação é intolerável, seja ela do tipo que for, é inadmissível aceitar um mundo assim. Busco a aproximação o tempo todo, o contato com o outro. Acredito na contaminação racial”, relata o diretor executivo da Instituição.

Outras Formas de União
Embora o 17 de maio seja denominado o Dia Internacional Contra a Homofobia, a data tem, em sua essência, a ideia de combater qualquer tipo de discriminação sexual. Incluídas na sigla LGBT, as transexuais e travestis sofrem, além de homofobia, outro tipo de atitude preconceituosa: a transfobia, que contempla o tratamento excludente às transexuais, travestis e transgêneros.

A SP Escola de Teatro, que reserva todas as vagas da recepção de suas sedes a transexuais, tem quatro exemplos de pessoas que estão inseridas nesse contexto: Brenda Oliver, Helena Dandolo, Flávia de Araújo, Kimberly Dias.

“É muito importante diferenciar a homofobia da transfobia. Nós, trans, sofremos com os dois tipos, por isso é ainda mais difícil. Um homossexual é aceito com muito mais facilidade, por conta de sua imagem ainda ser masculina. Uma transexual, não. Basta existirmos para sermos atacadas”, conta Helena.

Brenda concorda e explica que a discriminação começa logo cedo, na própria família. “O primeiro preconceito acontece em casa, ainda durante a juventude. A família prefere ter um filho gay do que um trans, pois ele se veste e age mais como um garoto, enquanto nós temos os dois gêneros em evidência.”

Esses são apenas alguns ângulos pelos quais uma questão tão complexa como essa pode ser abordada. Em vez de tentar chegar a uma conclusão quanto ao que é certo ou errado, resta o desejo de que o mundo um dia seja, enfim, um lugar onde qualquer forma de expressão e, principalmente, de amar, seja válida.

 

 

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Código 302.0

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Texto: Felipe Del

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