Marcia Tiburi empolga os aprendizes da SP Escola de Teatro

Publicado em: 26/08/2016

A filósofa Marcia Tiburi
 
Quem passou pela garagem da SP Escola de Teatro – sede Marquês de Itu no início da tarde desta quinta-feira (25) pôde sentir a animação que fluía entre os aprendizes deste semestre. Inquietos, eles esperavam pelo bate-papo com a filósofa Marcia Tiburi, chamada para falar sobre “Philia”, o tema que define os experimentos cênicos deste semestre.
 
Marcia é formada em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Também é mestre e doutora na área, com ênfase em Filosofia Contemporânea, além de ter graduação em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É conhecida por seus diversos livros, como “Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero”, “Filosofia Pop” e o recente “Como Falar com um Fascista — Reflexões sobre o Cotidiano Autoritário Brasileiro”, que teve número expressivo de vendas. Atualmente, mantém coluna na revista Cult.
 
A filósofa abriu sua fala dizendo que achou o convite instigante e contando que já tinha ouvido falar da SP Escola de Teatro. “Imagino que seja um lugar legal de se estar”, disse. “Amem a Escola enquanto ela existe. É hora de resistir, proteger os locais onde ainda há democracia”, destacou, em uma das várias menções que fez à situação política do Brasil, arrancando aplausos dos estudantes.
 
Marcia conversou com um grande grupo de aprendizes na sede da SP Escola de Teatro na Marquês de Itu
 
Foi a situação política do País, aliás, que fez Marcia se questionar sobre a escolha de “Philia” como tema. “O que é que essa galera que mora em São Paulo, uma cidade que não é para iniciantes, quer com uma palavra em grego?”, perguntou com bom humor. Ela explicou que o conceito foi pensado por Aristóteles, e que ele e Platão são nomes fortes da Filosofia, mas, hoje, já estão ultrapassados. “A Europa nos fez mal, fico enjoada de falar a partir desses lugares”, disse. “Precisamos criar conceitos relacionados à nossa época, quebrando a estética burguesa e a colonização.”
 
A escritora comentou que a “Philia” está relacionada ao sentimento da amizade. O termo mora na própria “Filosofia”, que o une a “Sophia” (sabedoria intelectual). Filosofia seria, então, o amor ao saber. Após um passeio por algumas referências — como a escola pitagórica — Marcia concluiu que a “Philia” pode ser vista como a vontade de estar junto, trocando informações por meio da linguagem e, assim, concretizando ações.
 
Este “estar junto” foi o recado que Marcia deixou aos aprendizes. “Os processos de esvaziamento evitam que fiquemos juntos. Temos que quebrar a lógica que constrói a nossa desunião”, disse, após explicar os vazios de pensamento, emoção e ação, que seriam essenciais para o funcionamento do sistema capitalista.
 

E os aprendizes da SP Escola de Teatro certamente estarão juntos ao longo do semestre, em união para criar suas cenas, com suas próprias ideias influenciadas pelas provocações de Marcia e de outros interlocutores com quem terão a oportunidade de conversar ao longo do período letivo. 




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