Luís Artur Nunes

Publicado em: 29/04/2013

Luís Artur Nunes é diretor e professor de teatro

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Desde criança gostava de ler romances, de filmes, de novelas de rádio. Acho que foi daí que surgiu o meu amor pela ficção, pela arte de contar histórias, que depois canalizei para o teatro.

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?
Foi “A Pulga Atrás da Orelha” de G. Feydeau, direção de Gianni Ratto, pelo Teatro dos Sete, de Fernanda Montenegro, Sergio Britto e Ítalo Rossi. Foi um deslumbramento. Pela magia no palco, pela teatralidade explícita.

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

“Os Pequenos Burgueses”, de Gorki, montagem do Teatro Oficina.

Um espetáculo que mudou a sua vida:
“Arlequim, Servidor de Dois Patrões”, de C. Goldoni, montagem do Piccolo Teatro di Milano, direção de Giorgio Strehler.     

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?

Não, tive influências, é claro, mas não tive padrinho ou madrinha.

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?
Sim, de alguns. Porque não existe tortura pior do que um mau espetáculo.

Teatro ou cinema? Por quê?
Os dois. Adoro cinema, mas só como espectador. Nunca tive vontade de dirigir cinema (escrever roteiro, gostaria, pois é dramaturgia). Teatro, gosto de fazer, de criar.

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
Gostaria de ter dirigido várias das peças de Tchékhov, que assisti encenadas. É o meu dramaturgo preferido.

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Os mesmos “Pequenos Burgueses”. Além do deleite, queria aprender vendo os atores, a direção…

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro?
Nelson Rodrigues e Anton Tchékhov. São tão diferentes, mas os universos ficcionais, dramáticos e estéticos que eles configuram me envolvem, me arrebatam, me fascinam.

Qual companhia brasileira você mais admira?
No momento, não tenho admiração especial por nenhuma companhia brasileira.

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?
Peter Brook, sempre que posso

Qual gênero teatral você mais aprecia?
Não existem mais gêneros teatrais há mais de um século. Os gêneros tradicionais: comédia, tragédia, drama etc. deixaram de fazer sentido há muito tempo. A dramaturgia contemporânea é, na sua essência, híbrida.

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê?
Gosto de me sentar relativamente perto do palco, para poder ver e ouvir bem o trabalho dos atores.

Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?
Quando a gente é jovem, não tem grana para pagar um bom lugar naqueles grandes teatros europeus ou americanos. Daí, que já me sentei em muita galeria nas alturas e de lado, vendo tudo pequenino lá embaixo e 50% do palco…

Fale sobre o melhor espaço teatral que você já foi ou já trabalhou…
O melhor espaço teatral (palco italiano) em que já trabalhei foi o do Theatro São Pedro, de Porto Alegre.

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Sim, com certeza. Existem muitas peças ruins enquanto dramaturgia. Mas mesmo uma peça boa pode se tornar ruim por uma má encenação.

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?
Não tenho mais sonhos irreais. Um grande texto, uma equipe talentosa e profissional de colaboradores, uma grana razoável de patrocínio para fazer legal é tudo o que peço.

Cite um cenário surpreendente.
O cenário de “Rei Lear”, do Serroni, na montagem do Ron Daniels, com Raul Cortez.

 

Cite uma iluminação surpreendente.
A de Paulo César Medeiros em “O Futuro Dura Muito Tempo”, direção de Márcio Vianna.

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.
Muitos surpreenderam minhas expectativas. Um exemplo recente: Cláudia Ohana, que dirigi no espetáculo “A Farsa”.

O que não é teatro?
As montagens teatrais dirigidas por diretores de cinema.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Nem no teatro nem em nenhuma arte. Em “Vale Tudo”, Gilberto Braga já nos mostrou seu preço e consequências…

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
A essência do teatro é artesanal: o ator vivo perante a plateia viva. Por mais que evolua, a tecnologia sempre será auxiliar. No momento em que ela se torna o espetáculo, deixa de ser teatro. Pode ser até artisticamente genial, mas não será teatro.

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?
Faltam muitas, e olha que minha biblioteca de teatro é muito grande. Mas não dá para se ter tudo. Agora, com a internet, ficou mais fácil.

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.
São tantos: Peter Hall (diretor), Maggie Smith (atriz), Tom Wilkinson (ator)… Sou fã dos ingleses. São os melhores do mundo.

Qual o papel da sua vida?
Não sou ator; não tenho esse sonho.

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertolt Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.
“Nelson, você achava que sua ficção (romances, contos, crônicas) pudessem gerar tantos e tão bons espetáculos?

O teatro está vivo?
Sim, um tanto mal das pernas no Brasil, mas ainda respira.

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