Legião Estrangeira

Publicado em: 30/05/2012

De acordo com o dicionário Houaiss da língua portuguesa, a palavra “fronteira” significa um limite que demarca um país e o separa de outro. O mesmo dicionário indica que “separação” significa afastamento, quebra de uma união íntima. A SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, porém, não faz uso de nenhum destes dois conceitos.

Desde sua fundação, a Instituição tem características peculiares no que diz respeito à inclusão. Pioneira no assunto, a Escola adota práticas democráticas, que possibilitam a recepção igualitária de pessoas de qualquer gênero, credo, raça ou nacionalidade. E é sobre este último que falaremos agora.

Se alguém decidir perguntar a um aprendiz sobre seu país de origem, não deve esperar por uma resposta óbvia. Afinal, não é pelo simples fato de a SP Escola estar no Brasil que todos seus aprendizes são brasileiros e, para provar essa teoria, apresentamos os aprendizes que formam nossa “legião estrangeira”.

 

Da esquerda para a direita: Juan Manuel Tellategui, Margarita Hernandez, Gabriel-Andrés Díaz-Regañón Del Prá-Netto, Pilar Valdelvira e Paola Dourge Braga (Foto: Arquivo)

O primeiro “importado” é Juan Manuel Tellategui, aprendiz do curso regular de Atuação, Módulo Verde. Nascido em Zárate, na província de Buenos Aires, o ator argentino de 31 anos protagonizou, em 2006, o longa argentino “PUTO”, de Pablo Oliverio; atuou no filme “Pompeya”, da diretora portenha Tamae Garateguy, eleito o melhor filme argentino no Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata, de 2010, e no longa-metragem “Las Pistas”, de Sebastián Lingiardi, sucesso no Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente (Bafici).

Em teatro, Tellategui fez parte do elenco de algumas obras da cena de Buenos Aires, como “Frágil”, dirigida por Miguel Forza de Paul, e o espetáculo “Eventualmente: Acontecimento Teatral Incerto”, de Martín Otero e Manuel Mendez. No Brasil, participou de estudos teatrais com importantes diretores, como José Renato, fundador do Teatro de Arena, e Tiche Vianna, do Barracão Teatro. “Eu estudava teatro na Argentina e fazia minhas pesquisas, porém, o Brasil era um encontro que eu precisava ter”, explica. “A SP Escola é um lugar de muito intercâmbio, um espaço criativo, e quem está dentro, mal se dá conta da amplitude da Instituição”, finaliza Juan.

Ainda falando dos nascidos aqui na América do Sul, há as aprendizes Margarita Maria de Los Milagros Hernandez Pachon e Paola Dourge Braga, dos cursos de Cenografia e Figurino, Módulo Azul, e Atuação, Módulo Azul, respectivamente. Margarita é colombiana e tem 31 anos, Paola nasceu no Chile, em 1986.

Do continente europeu, o espanhol Gabriel-Andrés Díaz-Regañón Del Prá-Netto, licenciado no curso de Bellas Artes da Universidad Complutense de Madrid e natural de Gandia (Valência), nasceu em 1977 e é aprendiz do curso de Cenografia e Figurino, Módulo Verde. Outra representante do Velho Mundo na Instituição é Pilar Carrasco Valdelvira. Também espanhola, nasceu em Madrid, em 1984, e hoje é aprendiz do curso de Iluminação, período matutino. “Vim a São Paulo como turista em novembro de 2010, fiquei sabendo da Escola e me interessei muito”, diz Pilar. “Já trabalhava como iluminadora na Espanha, mas, por conta da crise, fiquei sem emprego. Disseram que o Brasil estava em um momento legal; eu já queria fazer o curso, então, decidi ficar por aqui como estudante.”

E é assim que a SP Escola de Teatro vai se tornando internacional. Entre parcerias com outros países e aprendizes estrangeiros, a Escola vai levando seu nome, seu modelo pedagógico e seu jeito de tratar as artes do palco.

 

 

Texto: Gabriel Gilio

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