Izabella Bicalho

Publicado em: 13/05/2013

Izaabella Bicalho é atriz

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Foi na primeira vez em que fui ao teatro, aos 4 anos, assistir aos “Saltimbancos”, no Canecão, aqui no Rio. Foi inesquecível e, daquele dia em diante, pensei, com minha cabecinha infantil: “Como aquelas pessoas são felizes… Também quero fazer isso!”.

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
“Somos Irmãs” musical de Sandra Louzada, com direção de Ney Matogrosso e Cininha de Paula. Foi a primeira vez em que vi as pessoas se emocionarem até as lagrimas com um musical. Entendi que o teatro pode ser algo bastante catártico! Descobri que é possível conduzir a plateia de acordo com a vontade do artista. Isso foi realmente iluminador. Depois, passei a buscar isso sempre em projetos em que eu estava envolvida com a elaboração.

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?
Infelizmente, não. Mas ao longo da minha trajetória trabalhei com grandes artistas que me ensinaram muito, como Juliana Carneiro da Cunha, Nicette Bruno, Suely Franco, João Fonseca, entre outros.

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?
Nunca. Sempre roí o osso até o final (risos).

Teatro ou cinema? Por quê?
Ambos. Cada um dentro da sua linguagem exige que o ator desenvolva uma linguagem corporal de interpretação completamente diferente. Acredito que este exercício seja muitíssimo enriquecedor .

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
Tive oportunidade de participar de ótimos espetáculos e outros não tão ótimos (risos). Acho que gostaria de ter feito o musical da Elis Regina. Essa intérprete é uma das minhas principais referências.

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.
Sem dúvida, Nelson Rodrigues. Amo a sua obra e nunca encenei. Morro de vontade!

Qual companhia brasileira você mais admira?
Seria injusta se citasse apenas uma. No Brasil existem inúmeras, muito importantes; em São Paulo, então, me parece o lugar onde fica mais difícil de escolher. Mas gostaria de citar uma que me impressionou muito quando vi seus espetáculos de rua, na minha adolescência. Foram muito inspiradores: o grupo de Minas, o Galpão.

Qual gênero teatral você mais aprecia?
Os musicais são os que mais me encantam. Sou muitíssimo ligada a esse gênero!

Em qual lugar da plateia você gosta de se sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?
Detesto ficar na fila do gargalo. Principalmente se tiver conhecidos no palco. Acho que isso pode atrapalhar porque as pessoas ficam ansiosas pra saber a sua reação, e, sem querer, podemos causar um desconforto, sei lá. Prefiro sentar mais atrás e me manter discreta.

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Acho que podem acontecer os dois casos. Um bom encenador pode quebrar o galho de um texto ruim e um texto bom pode ajudar um encenador não muito criativo.

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?
Tenho muitos projetos e, a cada um que realizo, acredito que aquele seja o dos sonhos. Fica difícil citar um.

Cite um cenário surpreendente.
Amei o cenário do “Billy Elliot”, que vi em Londres. Um quarto que surgia do meio do palco e levantava do chão, ficando suspenso no alto de uma escada. Uma ideia simples, mas com um megaefeito.

Cite uma iluminação surpreendente.
Adoro o trabalho do Paulinho Medeiros. Eu me lembro da sua luz em “O Bem Amado” e “Um Violinista no Telhado”. Demais!!

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.
Armando Babaiof, com quem contracenei no “Gota D’Água”. Ator sensível e muito visceral!

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Eu diria que quase tudo, lembrando que o ator, a meu ver, sempre deve ser o centro das atenções. Mesmo que o espetáculo esteja envolto em pirotecnias infinitas, sem o ator, ele não acontece.

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
Eu acredito que quanto mais pudermos incorporar e aproveitar os benefícios da tecnologia pra contar as historias, melhor. O que não podemos perder é o foco no ator. Ele, sim, é o que mais importa no teatro.

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?
“Gota D’Água” (risos), “Perdoa-me Por me Traíres” (amo), Shakespeare, tragédias gregas… fica difícil citar tudo que adoro.

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.
João Fonseca, Jô Bilac, Paulo Autran (vi coisas dele incríveis). E, claro, minha querida Bibi Ferreira.

Qual o papel da sua vida?
Joana, de “Gota D’Água”, foi um divisor de águas. Espero que outros tão importantes venham também.

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertolt Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.
“Dear William, sobre que temas você gostaria de escrever nos dias de hoje?”

O teatro está vivo?
Para mim, vivíssimo. Muitas coisas acontecendo, tecnologias , novas linguagens. Sou muito otimista nesta questão. Pelo menos nos musicais o público tem aumentado a cada dia. Espero que isso se reflita também no teatro em geral.

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