Índios visitam a aldeia da Escola

Publicado em: 02/10/2013

O sangue indígena pulsou mais forte na segunda-feira (30), na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Com a realização da última conferência do ciclo que integra o projeto “Sonata fantasma bandeirante”, um grupo de índios da tribo guarani veio até a Instituição para assistir ao filme “Yvy Rupa – a terra é uma só! Visões guarani da descoberta do Brasil” e participar do debate com os autores, Gianni Puzzo e Melina Bertholdo.

 

O projeto, residência artística do dramaturgo e encenador de origem amazonense Francisco Carlos na SP Escola de Teatro, é fruto de uma parceria entre a Escola, a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária/USP e o Instituto de Psicologia/USP. Seguindo até o final de março de 2014, compreende um ciclo de seis conferências e a própria residência, que servirá como base para a montagem de uma peça teatral, intitulada “Sonata fantasma bandeirante”, que será apresentada em duas ou mais partes, com a participação de aprendizes da Escola.

 

Gianni Puzzo durante a conferência (Foto: André Stéfano)

 

Na noite de segunda-feira, índios da tribo guarani, vindos da aldeia localizada no bairro paulistano do Jaraguá, puderam ver na tela um pouco de sua própria realidade. Em alguns momentos, eles até se comoveram e compartilharam com o público seus depoimentos.

 

O criador do projeto, Francisco Carlos, se mostrou satisfeito ao término das conferências. “Foi uma experiência muito boa. A presença dos índios aqui coroou este ciclo de conferências, que foi planejado como um apoio teórico e paralelo à minha residência. Tivemos convidados muito especiais que vieram, debateram e esclareceram temas de suma importância para a questão bandeirante e indígena”, afirmou.

 

Segundo ele, o embasamento teórico proporcionado pelos encontros contribuirá muito para a montagem de seu espetáculo peça teatral, além de levar ao público conhecimento acerca dos assuntos abordados, do ponto de vista histórico, sociocultural e estético. Ingrid Koudela, Katia Maria Abud, Spensy Pimentel e Maria Inês Ladeira foram alguns dos que participaram das conferências. 

 

Francisco volta seu trabalho para este universo há mais de três décadas. Segundo ele, a inspiração veio logo cedo, quando ainda morava no Amazonas. “Quando o Ivam Cabral me convidou, não foi apenas por minha pesquisa estética, pela forma como desconstruo os temas que trabalho, mas também pela maneira como coloco a questão indígena no teatro. Questões como essas eram muito pertinentes no teatro amazonense e moldaram minha formação.”

 

 Alguns dos guarani que compareceram no evento (Foto: André Stéfano)

 

Com o fim das conferências, já surge uma boa notícia para aqueles que têm interesse na proposta do artista: ele revela que já conseguiu escrever uma primeira versão em formato de peça, tratando sobre família e povoado. “É uma versão que já visualiza uma dramaturgia e a possibilidade de encenação, e tem o espanto, que é característico do meu trabalho”, finaliza.

 

Depois de todas essas discussões e no aguardo de um trabalho autoral que reúna artisticamente as informações levantadas, hoje já se pode dizer que a SP Escola de Teatro é um pouco mais indígena.

 

 

Texto: Felipe Del

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