Franz Keppler

Publicado em: 06/05/2013

Franz Keppler é dramaturgo e roteirista

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Desde criança, quando voltei do teatro pela primeira vez encantado com as luzes, cortinas, músicas etc. Daí em diante, escrevia histórias nas quais eu e minhas primas encenávamos nas festas de famílias. E, depois, no ginásio, tive aulas de português com Maria Helena Muniz, irmã do Lauro César Muniz.. Ela incentivava o teatro, fazia festivais na escola e daí pra frente o meu amor só aumentou.

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?
Fui ao teatro pela primeira vez com a escola, ainda criança. Não me lembro o nome da peça, mas me lembro do teatro, o Nydia Lícia, que ficava na Avenida Domingos de Moraes, bem próximo à estação Santa Cruz do metrô. Mesmo não me lembrando do nome da peça, me lembro claramente da sensação de encantamento que ela me proporcionou.

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
“Rasga Coração”, de Oduvaldo Viana Filho, encenada em 1979 com direção de José Renato. Com Raul Cortez, Sonia Guedes, Antônio Petrin, entre outros.

Um espetáculo que mudou a sua vida…
Nenhum espetáculo mudou a minha vida. Todos os que me impactaram, me acrescentaram ou transformaram alguma coisa dentro de mim.

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?
Sim. O publicitário Rodolfo Magliari, que bancou a produção da minha primeira peça, “Nunca Ninguém me Disse Eu Te Amo”. E não posso deixar de citar também Flavio Faustinoni, Otávio Martins e Ed Júlio.

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?
Sim. Uma única vez. Era um ultraje à inteligência de qualquer espectador.

Teatro ou cinema? Por quê?
Os dois. São artes distintas e incomparáveis.

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
Gostaria de ter escrito “In on It”.

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Sim. Quando ele me emociona profundamente. O exemplo mais recente é “Luis Antonio Gabriela”. 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.
São tantos e tão bons, que citar um seria excludente demais. Não me sinto à vontade para fazer isso.

Qual companhia brasileira você mais admira?
Atualmente, a Cia. Hiato.

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?
Não. Eu sigo os trabalhos que acredito que irão me tocar de alguma forma.

Qual gênero teatral você mais aprecia?
Drama.

Em qual lugar da plateia você gosta de se sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?
Gosto de me sentar entre a 3ª e a 5ª filas, no centro, pois a visualização é perfeita. O pior lugar foi na última fila do Teatro Cultura Artística, na Nestor Pestana, para assistir a “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”, com Renata Sorrah e Fernanda Montenegro. Eu queria estar bem pertinho delas.

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Existe peça ruim que nenhum encenador salva e existe peça ótima que o encenador destrói.

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?
Como seria e onde se passaria não sei, mas adoraria ter visto Fernanda Montenegro e Cleyde Yáconis  no mesmo palco.

Cite um cenário surpreendente.
“O Jardim”, da Cia. Hiato.

Cite uma iluminação surpreendente.
“Córtex”, Wagner Freire.

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.
Thiago Lacerda, em “Hamlet”.

O que não é teatro?
O que não é feito com amor. E os stand-ups, claro.

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Não.

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
Continuar a ser teatro.

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?
As que quero ler e reler, dos clássicos aos jovens autores publicados, mas não encenados. Tem muita gente boa por aí que ainda não teve a sua oportunidade.

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.
Nelson Baskerville, Elias Andreato, Leo Moreira, Maria Adelaide Amaral, Alcides Nogueira, Otávio Martins, Leopoldo Pacheco, Daniel Tavares, Petrônio Gontijo, Melissa Vettore e tantos, tantos outros…

Qual o papel da sua vida?
O que ainda não escrevi.

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertolt Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire.
Para os três: “Dá pra dizer qual história estava em sua cabeça e que não deu tempo de contar?”

O teatro está vivo?
Claro que sim. Basta ver a quantidade de produções aqui e no mundo.

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