Florido, artista com formação em direção pela SP, cria banco de dados para facilitar a visibilidade de artistas

Publicado em: 15/02/2021

Florido, artista egresso do curso de direção da SP Escola de Teatro, e a núclea de pesquiza Tranzborde tiveram seu projeto Ta Mapeada contemplado pelo prêmio Maria Alice da Lei Aldir Blanc. O objetivo da iniciativa é gerar um banco de dados que irá facilitar a visibilidade de artistas das artes do espetáculo (teatro, dança, performance e circo) que não ocupem o centro das narrativas normativas (a branquitude, a cisgeneridade, a heteronormatividade e a magreza, por exemplo).

Segundo o grupo, através dessa ferramenta de mapeamento, eles pretendem chegar ao máximo possível de artistas que façam parte desses grupos sociais que muitas vezes são invisibilizados e silenciados, tendo muito menos acesso a boas oportunidades de trabalho e projetos.

“O foco é profissional. É sobre passarmos por uma transição emancipatória dos discursos que costumam pairar sobre a ideia de artista. Que embora haja possíveis avanços, a maioria dos lugares continuam sendo ocupados pelos mesmos recortes há bastante tempo, mas a questão é que, tem muita gente produzindo arte, muita gente interessante e interessada, comenta Florido.

Em seu ponto de vista, há um tabu no Brasil e uma falsa ideia que artista não necessita de renda para se sustentar e que não necessita de uma vida “comum”. Todavia, a realidade é muito diferente, todos precisam pagar suas contas, e esses artistas que acabam não tendo tanto espaço no cenário mais “tradicional” do mundo artístico sofrem muito para viver do seu ofício.

“Precisamos quebrar a ideia de que artista é um ser “místico” que não tem uma vida comum de necessidades e gastos para se manter vive. Infelizmente no Brasil essa pauta é muito nebulosa. É urgente a pauta de que muitas pessoas não vivem da sua profissão, simplesmente por não conseguirem. Por viverem na invisibilidade. Todos artista precisa ganhar. Ser pago como qualquer outro profissional, dentro do prazo dado em contrato. E obviamente quando se é de baixa renda e ocupa um ou mais desses lugares aqui: trans, indigena, prete, cigane, gorde, marrones, em situação de refúgio, não hetere ou mora na favela as dificuldades vão ser ainda maiores. Então Ta Mapeada surge com o forte desejo de gerar reparações sociais, ampliando a visão sobre quem e quando está se ocupando os espaços das artes do espetáculo. Que também se trata de trabalhos muito específicos. A maioria da população não faz ideia de tudo e da quantidade de pessoas que é necessário para se levantar um trabalho cênico”, explica Florido.

Ao fim da captação de dados, a iniciativa divulgará um mapa e uma plataforma de busca com os artistas disponíveis no site da Tranzborde.

A chamada para  profissionais de arte e espetáculo está aberta até 13 de março, através de um formulário disponível no site: 𝙬𝙬𝙬.𝙩𝙧𝙖𝙣𝙯𝙗𝙤𝙧𝙙𝙚.𝙘𝙤𝙢.

Caso haja alguma dúvida sobre o projeto, o núcleo responde por direct no perfil no Instagram @tranzborde e no e-mail nucleatranzborde@gmail.com

Por Luiza Camargo




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