“Escrever É um Ato de Coragem”, diz Lucas Arantes

Publicado em: 05/03/2013





Lucas Arantes (em pé), na primeira aula do curso “Dramaturgia para Novas Mídias”: envolto em polêmica
(Foto: SP Escola de Teatro/Arquivo)

Com a sala de aula repleta e em meio a uma polêmica, o jornalista e dramaturgo Lucas Arantes deu início, na manhã de anteontem (3), ao curso “Dramaturgia para Novas Mídias”, promovido pelo departamento de Extensão Cultural da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. 

A polêmica em questão é a que envolve a peça “Edifício London”, escrita por Lucas, que tem como ponto de partida o Caso Isabella Nardoni, sobre o assassinato da menina de cinco anos que chocou o Brasil. Ela morreu após ser jogada do sexto andar do prédio (Edifício London), onde moravam seu pai e sua madrasta. O espetáculo deveria estrear no sábado (2), no Espaço dos Satyros Um, mas uma decisão expedida, no mesmo dia, pelo desembargador Marcelo Fortes Barbosa, da 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, atendeu ao pedido da mãe de Isabella, Ana Carolina Oliveira, que entrou com uma ação solicitando o cancelamento da peça e, além disso, pede uma indenização por danos morais. O processo é movido contra Lucas, a editora Coruja, que publicou o livro de mesmo nome, e a Cia. de Teatro Os Satyros (leia aqui artigo de Rodolfo García Vázquez sobre o assunto).

“Isso é muito ruim. Ter uma peça censurada em pleno século 21… O meu texto tem como ponto de partida o caso, mas também traz elementos de outras histórias e, a partir daí, tenta traçar um panorama da atual realidade familiar do Brasil. A história da boneca que é decapitada nem corresponde à realidade dos fatos. Aliás, a peça não se trata de uma versão dos fatos. Trata-se de uma intersecção entre o real e o imaginário”, disse Lucas, fazendo um paralelo dessa polêmica com o curso que está ministrando na Escola: “Édipo existiu? Talvez sim, mas não interessa. O que interessa, neste mito, é o fato de um homem se apaixonar pela própria mãe. Em ‘Edifício London’, misturei um pouco de ‘Macbeth’, de Shakespeare, com ‘Medeia’, de Eurípedes. Não se trata de uma cobertura jornalística do caso, mas sim, de uma obra de arte. Numa época de Facebook e de outras redes sociais, o devaneio pode ser livre. Ao menos é assim que penso”, completou Lucas.

“Escrever é um ato de coragem. Coragem da autoria. Acredito que as peças contemporâneas libertam as amarras dos escritores”, disse Lucas. E que ninguém duvide que ele tem conhecimento de causa para tal afirmação…

 





Texto: Majô Levenstein

 

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