Chá e Cadernos aprofunda discussão sobre a parresia

Publicado em: 26/09/2013

“Suspensão da descrença”, “Parresia e o insulto ao público” e “A personalidade individual no teatro ocidental”. Foram esses os temas já abordados no Chá e Cadernos, evento mensal coordenado pelo diretor e dramaturgo Maurício Paroni de Castro na Biblioteca da Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

 

Nesta sexta-feira (27), às 19h, o evento ganha uma nova edição, movida novamente pela parresia, mas desta vez sob um novo olhar: “Parresia II – A utopia e a distopia”. O encontro, aberto ao público e gratuito, terá um direcionamento especial para os aprendizes de ambos os módulos do curso de Cenografia e Figurino, valendo como atividade do Território Expandido. Adriana Vaz, artista residente do curso, também estará presente na discussão.

 

Paroni coordena o Chá e Cadernos (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

“O termo parresia pode, em poucas e rudes palavras, ser definido como uma ação que desafia a morte e a catástrofe para defender o que se acredita ser verdadeiro”, explica Paroni. No módulo Vermelho deste semestre, o operador – ou seja, o modo por meio do qual as técnicas e conteúdos são trabalhados, sendo geralmente um pensador – é o conceito de parresia, de Michel Foucault.

 

O projeto

Segundo Paroni, o Chá e Cadernos, que acontece sempre na última sexta-feira do mês, serve para o tráfico de conhecimento e de aprendizado do “aparentemente proibido”. “O espaço promove troca de conhecimento fora de um âmbito mais hierárquico. Eu mesmo vivi isso na biblioteca da escola Paolo Grassi (Piccolo Teatro de Milão) como o catalisador essencial de meu aprendizado na época. Kantor me dizia para sempre incentivar esse ‘contrabando’. Não costumo transmitir isso em sala de aula, por conta do necessário respeito à ordem e hierarquia. Nem posso, pela natureza do ensino técnico do artesanato teatral, que requer muita disciplina e hierarquia organizativa”, afirma.

 

Um terreno informal de reflexão como esse, de acordo com o diretor, é propício para a descoberta de novos caminhos na arte: “A cultura renovada sempre está ligada aos locais informais de troca de informação. E não é só o boca a boca dos espetáculos, mas a própria personalidade artística dos realizadores. O local onde se realiza troca de conhecimento que desenvolve a forma e a revolução está quase sempre fora do âmbito justa e necessariamente mais hierárquico: é o espaço onde as pessoas falam sobre a vida, onde há troca de informação e da sociabilidade”.

 

 

Serviço

Chá e Cadernos: “Parresia II – A utopia e a distopia”

Com Maurício Paroni de Castro

Quando: Amanhã (27), às 19h

Biblioteca da Sede Roosevelt da SP Escola de Teatro

Praça Roosevelt, 210 – Consolação

Tel.: (11) 3775-8600

Grátis

 

 

Texto: Felipe Del

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