Bravíssimo | Umberto Magnani por Adélia Nicolete

Publicado em: 18/12/2013

Introdução do livro “Um rio de memórias”, de Adélia Nicolete, para a Coleção Aplauso (Leia a obra na íntegra)

 

Quando fui convidada a escrever mais um perfil para esta Coleção Aplauso, ouvi a sugestão: Por que você não escolhe o Umberto Magnani? Ele é um ótimo contador de histórias. Aceitei a ideia e é com imenso prazer – e dificuldade! – que me ponho a escrever esta introdução. 

 

Prazer em dar o meu depoimento pessoal sobre ele, afinal, foi simpatia à primeira vista. Dificuldade pelo fato de haver múltiplos Umbertos no Umberto Magnani. Lembram do Mário de Andrade? Sou trezentos, sou trezentos e cinquenta, o poeta traduziu-se, um dia. Pois este verso poderia muito bem traduzir o Magnani. Trezentos foram os trabalhos em que atuou como ator; cinquenta, as funções por ele exercidas fora dos palcos e das telas. Interpretar e saber contar causos são apenas duas das artes desse autodenominado ítalo-caipira. 

 

Procurei adequar o melhor possível suas narrativas à linguagem escrita, na tentativa de expressar o vigor, a emoção e o humor com que ele tempera cada uma delas. Lágrimas ao falar dos pais e da infância; ética ao tratar de colegas e trabalhos realizados; humor ao se lembrar tanto das aventuras quanto dos tempos difíceis – lição que ele diz ter aprendido em sua terra natal. 

 

Por falar nisso, você conhece Santa Cruz do Rio Pardo? Se conversar, por alguns minutos que sejam, com Umberto Magnani, será como se você tivesse nascido naquela cidade do interior paulista. Se conversar um pouco mais de tempo, vai começar a desconfiar de que ela não existe, que se trata de uma Pasárgada, de uma Canaã 

– cidade imaginária de paisagens idílicas, povo hospitaleiro, comida deliciosa e farta. A terra natal o marcou de tal modo que, na hora de escrever o livro, usei o rio como fio-condutor das memórias e das reflexões. 

 

Mas nem só de nostalgia vive e fala Magnani. Conheço poucos artistas com a sua consciência, sua ação em prol do coletivo, sua paixão pelo que faz. Umberto transita, sem maiores problemas, por teatro, cinema, televisão, entidades de classe, produção, magistério, administração, trabalhos voluntários. E é de uma humildade inacreditável que, certamente, se fará notar nas linhas e entrelinhas deste trabalho. 

 

Dentre as fontes por mim consultadas para a elaboração do livro, destaque-se o primoroso trabalho de Ilka Marinho Zanotto, Mariângela Alves de Lima, Maria Thereza Vargas e Nanci Fernandes, organizadoras do volume dedicado à Escola de Arte Dramática, na coleção Dionysus, publicada em 1989 pela antiga Fundacen. Outra iniciativa, fundamental aos pesquisadores de teledramaturgia, é o site www.teledramaturgia. com.br, capitaneado por Nilson Xavier. Finalmente, para alguns dados históricos, recorri ao livro Coronel Tonico Lista: o perfil de uma época, de José Ricardo Rios, conterrâneo do ator.

 

Magnani costuma dizer que escolhe seus projetos artísticos, principalmente, pelo clima das coxias – para que um trabalho dê certo é preciso se dar bem com os colegas, participar de um ambiente divertido e ameno por trás das câmeras ou das cortinas do palco. Partilho com ele essa característica e afirmo que as coxias deste livro foram as melhores possíveis. As entrevistas e incontáveis conversas ao telefone foram as mais divertidas. Quando conheci sua mulher, Cecília, completou-se a simpatia que, espero, seja o começo de uma grande amizade – parafraseando um dos filmes preferidos do ator.

 

E, para terminar essa introdução, tomo o leitor por testemunha de uma promessa, deixando aqui, impressa, a minha reivindicação e o meu brado: 

 

– Magnani, Magnani! Você está me devendo a descida de boia pelo Rio Pardo!

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