Bravíssimo | Fernando Peixoto por Marilia Balbi

Publicado em: 19/09/2013

Apresentação do livro “Em cena aberta”, de Marilia Balbi para a Coleção Aplauso da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, de 2009 (para ler a obra, na íntegra, clique aqui)

 

Fernando Amaral dos Guimarães Peixoto é diretor, ator, ensaísta, crítico de teatro, jornalista, tradutor, escritor. Nasceu em 19 de maio de 1937, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Gaúcho, conquistou São Paulo, o Brasil e o mundo. Participou de momentos históricos e decisivos da cultura brasileira. Foi ator na companhia de Maria Della Costa, na de Tônia-Autran-Celi; da primeira turma do Teatro Oficina e diretor de peças antológicas escritas por Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, como Murro em Ponta de Faca e Ponto de Partida, que lhe deu o Prêmio Molière da Air France em 1973. Tempos de censura aos artistas e jornalistas, quando a polícia torturava amigos, rebeldes, comunistas. Era da ditadura, quando nossos brilhantes artistas arrumavam brechas para driblar a censura e passar sua mensagem de reflexão, por meio do teatro.

 

Fernando Peixoto também dirigiu shows que marcaram época, como no histórico 1º de Maio do Riocentro, quando o feitiço voltou-se contra o feiticeiro e as bombas armadas para impedir a realização do show explodiram no colo dos militares que queriam sabotar o espetáculo. Shows que reuniam a nata da nossa música popular brasileira. Ele fez parte dessa frente com Chico Buarque de Hollanda, Gil, Caetano, Ruy Guerra, Zé Celso, Guarnieri, Othon Bastos, Martha Overbeck e muitos outros na luta pela abertura democrática. 

 

Organizado, tem tudo registrado no seu arquivo abarrotado de pastas com recortes de jornais, folders de peças, libreto de óperas que ele encenou. Seu apartamento no Brooklin, em São Paulo, respira teatro, com a memória dependurada nas paredes, cartazes das peças famosas que dirigiu, fotos de momentos históricos da sua carreira como ator, encenador e jornalista, como a que entrevista Marlene Dietrich, no auge de sua carreira, para o jornal Correio do Povo, em Porto Alegre. Nas pastas, a lista de artigos para jornais da resistência como Opinião e Movimento, etc. São centenas de artigos publicados no exterior, participações em festivais de teatro e cinema, membro de júri em festivais ou concursos, tradutor de artigos e livros, verbetes de enciclopédia, prefácios de livros, responsável pela edição de diversos livros. São mais de 500 livros que citam seu trabalho, mais de 100 teses sobre ele, ou de artigos e estudos sobre teatro brasileiro e o teatro de Brecht.

 

Na estante de livros, tudo sobre o teatro brasileiro, muitos de sua autoria, como: Um Teatro Fora do Eixo, Teatro em Questão, Teatro em Movimento, Teatro em Pedaços, Teatro em Aberto, Brecht – Vida e Obra, Maiakovski – Vida e Obra, Sade – Vida e Obra, Ópera e Encenação, Brecht: uma Introdução ao Teatro Dialético, Hollywood: Episódios da Histeria Anticomunista, Büchner, Teatro Oficina: Trajetória de uma Rebeldia Cultural e O que é Teatro?

 

Apesar de todo saber, Fernando Peixoto é um homem simples e elegante, em suas impecáveis Guayaberas (camisas cubanas), fala da luta pela liberdade de expressão, de um tempo de criatividade e da emoção por tudo que passou nestes 50 anos de teatro brasileiro.

 

Foi um desafio, no auge da ditadura era secundarista, e acompanhei depois como jornalista a trajetória desta frente que lutou pela democracia em nosso país. Admiração pela resistência em um tempo difícil, mas de esperança no futuro! 

 

Foram várias tardes de sábado, domingo, que renderam muitas horas de gravação. Valeu a pena! Claro que sua vida daria vários livros da coleção. Mas não poderia faltar Fernando Peixoto, nem muitos aplausos! 

 

Fernando Peixoto foi coordenador do festival da Universidade de Blumenau, participa da Comissão de Seleção do Prêmio Gerd Bornheim, da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, que escolhe os melhores trabalhos do teatro brasileiro; do Conselho Artístico do Grupo Folias d’Arte e membro fundador e da direção da Eitalc – Escola Internacional de Teatro da América Latina e do Caribe. Trabalha no setor de Artes Cênicas da Funarte – Ministério da Cultura. Foi o organizador do livro de Yan Michalski, crítico de teatro do Jornal do Brasil.

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