Atores? Cantores? Os Dois

Publicado em: 09/04/2013


Diogo Vilela em sua incrível caracterização de Cauby Peixoto, no musical “Cauby! Cauby!” (Foto: Divulgação)

Não há novidade em levar biografias de celebridades aos palcos. Mas algumas montagens tornaram-se memoráveis, especialmente quando traziam bons atores encenando a trajetória de cantores.

Quem viu nunca mais se esqueceu da belíssima interpretação de Diogo Vilela no musical “Cauby! Cauby”, de 2006, sobre a vida do mito Cauby Peixoto. A peça conta a história do cantor, cuja carreira teve início na década de 1950, passando por várias transformações da música popular brasileira e recriando seus encontros com vários ídolos da música nacional e internacional, como Nat King Cole e Bing Crosby, até as amigas inseparáveis Ângela Maria, Lana Bittencourt, Emilinha Borba e Dalva de Oliveira.

A peça foi escrita por Flávio Marinho e se tornou um livro. A direção ficou a cargo do próprio Flávio e de Diogo Vilela. O espetáculo também cumpriu temporada em São Paulo e Belo Horizonte, voltando para o Rio de Janeiro, no Teatro João Caetano. A produção recebeu diversas indicações para prêmios e levou o Prêmio Shell de melhor ator e o Troféu APCA de melhor ator de musical para Diogo Vilela.

E como não destacar as atuações memoráveis no musical “Somos Irmãs”, sucesso da temporada de 1998, estrelado por Nicette Bruno e Suely Franco, Beth Goulart e Cláudia Netto, dirigido pelo cantor Ney Matogrosso, em parceria com Cininha de Paula. As duas primeiras viveram as cantoras Dircinha e Linda Batista na decadência e as outras, durante o auge de seu sucesso como Rainhas do Rádio, quando podiam dar-se ao luxo de ter 14 Cadillacs na garagem.

Outro espetáculo pioneiro na onda dos biomusicais (biografia com música) foi “Nada Além de uma Ilusão”, sobre a vida do compositor Custódio Mesquita, vivido por Fernando Eiras, com direção de Luiz Arthur Nunes, em 1993. Noel Rosa veio em seguida, em 1998, na pele do ator Marcelo Serrado, em “Noel, Feitiço da Vila”, de Andréia Fernandes. No mesmo ano, Rosamaria Murtinho fazia sucesso, no Rio, como a maestrina Chiquinha Gonzaga, em “Ó Abre-Alas” com direção de Charles Möeller.

Para encerrar, quem não poderia ficar de fora é a atriz Marília Pêra, que encarnou não só uma, mas várias cantoras no musical “Elas Por Ela”, dirigido e estrelado por ela, em 1989. O espetáculo reconstituiu a história da MPB entre 1920 e 1970, sob a ótica feminina, mostrando também a transformação do papel da mulher na sociedade ao longo desses anos. Marília Pêra escolheu 35 cantoras para homenagear e, a partir de 50 canções, montou o roteiro do show.  Dentre as divas, estavam: Carmen Miranda, Clementina de Jesus, Araci de Almeida, Ângela Maria, Dalva de Oliveira, Nana Caymmi, Dolores Duran, Wanderléa, Nara Leão, Dona Ivone Lara e Clara Nunes. 



 

Texto: Majô Levenstein

 

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