As Marias

Publicado em: 10/11/2011

Cena da apresentação do Grupo 3 durante o Experimento do Módulo Amarelo (Foto: Renata Forato)

 

Cantos, som de tambor e flautas anunciavam o início da abertura do processo de trabalho do Grupo 3 e, no momento em que as portas do espaço cênico se abriram, os espectadores eram convidados a atravessar uma estrutura de incontáveis fios de barbante que compunha o cenário, para chegar até as cadeiras da plateia.

 

Na apresentação, que ocorreu na última quarta-feira (9), com direção de Fabiano Muniz e Pablo Calazans e dramaturgia de Regiane Lopes e Cristiane S. Gomes, as personagens de Alex da S. Santos, Ariane Alves, Daniele Aoki, Paloma Xavier, Renato Caetano e Thaís Ribeiro estavam em busca de uma reflexão sobre o universo feminino.

 

A partir da obra “Viva o Povo Brasileiro”, de João Ubaldo Ribeiro, o Grupo levantou questões que os levaram a retratar situações vividas pelas mulheres, por meio da história de Maria Bonita. “Este foi o fio condutor do Experimento, mas poderia ser a história de qualquer outra Maria, qualquer outra mulher ou todas elas”, relata Calazans.

 

O aprendiz de Atuação Renato Caetano de Jesus apresentando o processo de trabalho do Grupo 3 (Foto: Renata Forato)

 

Este tema influenciou uma atuação intensa da parte das atrizes, que, corajosamente foram as únicas, dentre todos os núcleos, a apresentar a cena semi-nuas, deixando os seios à mostra. Talvez, simbolizando contrariedade às atitudes machistas que humilham, desconsideram e ofendem as mulheres. Literalmente um despeito.

 

Quem ficou responsável pela sonoplastia da cena foram as aprendizes Carol Guimarães, Elisangela Vieira e Renata das Graças, que, como o tema pedia, se basearam na sutileza e leveza do universo feminino para compor suas músicas. “Não queríamos usar a batucada do camdomblé, pois, além de todos os núcleos utilizarem, procurávamos mais suavidades nas composições”, revela Renata.

 

A aprendiz conta, ainda, que o maior desafio das sonoplastas durante o processo criativo foi trabalhar o coro com os atores. “Desde o início achamos que o coro deveria estar presente na cena e, para afinar e ajustar a voz de todos do elenco, trabalhamos muito”, conclui.

 

Jefersom Brito, aprendiz de Direção, assistiu ao espetáculo e afirma ter gostado. “Gostei muito. Senti que faltou um pouco de aproveitamento dos fios (barbantes), mas os atores estavam bem apossados do tema.”

 

 

Texto: Renata Forato

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