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Artistas docentes da SP comentam as experiências e fazem balanço dos projetos do 1º semestre

Publicado em: 27/08/2021

Os estudantes da SP Escola de Teatro fizeram um incrível trabalho no primeiro semestre de 2021, celebrando o final do período letivo com a Mostra de Experimentos, que foi encenada entre 21 e 27 de julho, pela plataforma de Teatro Digital da Instituição na Sympla.

O reconhecimento foi também do público, que compareceu em peso nas apresentações que foram elogiadas tanto pelos espectadores como os artistas docentes.

No primeiro semestre de 2021, os estudantes dos cursos profissionalizantes da SP Escola de Teatro se aprofundaram em duas temáticas de suma importância para a atualidade: Obsolescência Programada e Comunicação Não Violenta.

As questões foram fundamentais para as discussões do semestre, ao oferecerem um rico material pedagógico e social, que explorados pelos estudantes, se transformaram nos experimentos cênicos de sucesso.

As obras do dramaturgo Mark Ravenhill e do artista visual e pesquisador Lucas Bambozzi, artistas pedagogos do módulo verde e azul, respectivamente, também foram fontes e referências utilizadas pelos estudantes da SP ao longo destes meses e suas ideias estão inseridas nos projetos.

Sucesso do Teatro Digital

É inegável que a pandemia de Covid-19 impactou muito o ensino de artes do palco no mundo todo. No início, foi difícil se adaptar, mas com muito trabalho, dedicação, empatia, resiliência e amor pela arte, os estudantes e os educadores (artistas docentes e coordenadores) conseguiram atravessar esses obstáculos e desenvolveram projetos sensíveis e originais nas aulas online.

A SP Escola de Teatro é reconhecida por seu pioneirismo em desenvolver novas linguagens pedagógicas e artísticas, e as circunstâncias adversas de 2020 e do início de 2021 mostraram como essa força de renovação do Centro de Formação das Artes do Palco são fundamentais para a preservação da educação teatral.

Os artistas docentes do primeiro semestre da SP Escola de Teatro  de 2021 contaram, em breves depoimentos, como foi desenvolver o trabalho através de ferramentas digitais e a experiência na Instituição. Confira!

 

Mônica Augusto – Artista docente de Atuação

Me sinto feliz e honrada de poder contribuir como Artista Docente do Módulo Azul, neste primeiro semestre de 2021, na SP. Foi uma experiência profundamente enriquecedora. Como artista e educadora acredito na troca de saberes a partir de perspectivas horizontais, que desenvolvam a autonomia, saúde e bem estar na criação artística. Neste sentido, a escola me possibilitou experimentar, ampliar e aprimorar metodologias pedagógicas já presentes no meu trabalho, com liberdade e escuta! Um escola que acolhe e reflete a singularidade de cada artista docente, não só amplia e abre espaços para multiplicidade dos fazeres, mas também, possibilita encontros e reflexões fundamentais sobre as pedagogias da arte. Fortalecendo assim, modos de criação e existências pautadas na pluralidade e diversidade artística, estética e social.

Viver, conviver e sobreviver, no meio de uma pandemia – através de encontros totalmente online- trocando, refletindo e persistindo em fazer arte, foi sem dúvidas um grande desafio, mas um desafio coletivo , onde a ação de respirar juntes nos conduziu também a ensinar aprendendo e aprender ensinando!

Agradeço o convite e confiança da escola e da equipe pedagógica, a minha coordenadora , aos parceiros e amigos que fiz na jornada, e especialmente aos estudantes que a cada encontro me ensinam e fortalecem mais!

 

Vana Medeiros – Arista docente de Dramaturgia

Este semestre como artista docente de Dramaturgia na SP Escola de Teatro me mostrou que é possível construir redes de afetos e aprendizados na arte, mesmo à distância. Ainda estamos todos ansiando cotidianamente por um fim para este pesadelo, mas neste encerramento de módulo não foi raro ouvir que a escola – que estar em prática pedagógica todos os dias durante este módulo verde – salvou a saúde mental de muita gente, de estudantes e formadores. Paradoxalmente, ao nos encontrarmos à distância para discutir as artes do palco, e no meu caso a dramaturgia, conseguimos contribuir para saúde de corpo docente e discente, e potencializar nossas criações a partir desse movimento. Porque continuamos criando, e esta é, neste momento, uma resistência possível.

 

Chico Turbiani – Formador de Iluminação

Acredito que este semestre que acaba aqui, apesar de ter sido bastante desafiador, nos permitiu construir coisas muito positivas junto aos estudantes.

Tive a oportunidade de conduzir diversos encontros com a turma de Iluminação onde realizamos um estudo profundo sobre a cor e a forma como nos relacionamos com ela visualmente. Pudemos entender a cor do ponto de vista físico, químico, fisiológico e neurológico. Estudamos algumas das principais teorias das cores, passando por Da Vinci, Newton, Goethe, Kandinsky, Itten, Klee e Albers, não como regras fechadas a serem seguidas e aplicadas, mas como forma de ajudar cada estudante a descobrir sua própria relação artística com a cor. Diante do ambiente remoto em que estamos, usamos alguns recursos da plataforma gratuita Google Arts and Culture, possibilitando experimentar e criar com as cores.

Pude atuar como orientador de experimento e foi muito bom poder acompanhar os estudantes desenvolvendo suas criações a partir do nosso disparador inicial para o trabalho, a Obsolescência Programada. Foram experimentações e investigações potentes, buscando descobrir e entender novas formas de utilizar ferramentas digitais e remotas na criação artística.

 

Abel Xavier – Artista docente de Humor

Acho que o semestre foi muito especial. Estamos talvez no momento mais duro da pandemia, em razão do tempo de isolamento e da ainda incerta saída dessa situação. E neste sentido penso que o trabalho artístico do semestre deu certa ancoragem (e também coragem!) pra continuar.

Consegui perceber uma evolução no trabalho com o digital, sobretudo com a capacidade discursiva dos elementos expressivos da tela/áudio. Acho que isso é fruto de um aprofundamento das significações cênicas em sala de aula. Me parece que cada linha de estudo entende mais o digital. Passamos da fase de “correr atrás do possível” para o “conquistar o necessário para a cena”. Balanço super positivo.

Eu ainda faria um destaque para a equipe da SP. Este é um ponto muito importante. Todes estão muito conectades com a Escola, coordenação, administrativo, pedagogia, comunicação, corpo docente, discente. Mesmo à distância, todo mundo tem muita vontade de fazer dar certo. E o resultado é que dá certo mesmo.

Terminei o trabalho muito orgulhoso do que conquistamos no campo artístico, técnico e relacional. Uma Escola só se sustenta com senso de comunidade, e isso sempre esteve em perspectiva durante o semestre.

 

Laura Carone – Artista docente de Cenografia e Figurino

Semestre de profunda investigação, tanto pelo eixo – performatividade , quanto pelo tema; mas sobretudo pelo formato, o teatro digital. Começamos instigades por esta nova linguagem teatral e suas cenografias possíveis, mediadas por telas: como fazer cenografia em espaços domésticos? Belo desafio para os futuros cenógrafos e figurinistas, amantes da materialidade. A performatividade apontou um caminho menos construtivo e mais relacional: a relação entre o corpo e o espaço da casa; corpo-objetos; corpo-figurinos. A relação com a câmera, a imagem e os retângulos das telas do Zoom. E tudo isso junto, em composição, apresentando uma linguagem cenográfica outra, totalmente nova, que não sei como descrever, muito menos arbitrar. Característica das vanguardas? Talvez. Só sinto o quanto a experiência foi intensa, para mim e para todes. Certezas? Algumas: o teatro resiste, e se reinventa, como todes nós, humanos; o teatro transcende o tempo e os espaços. E a cenografia, portanto, ocupa qualquer lugar – físico ou digital – onde existam encenações.

 

Marcia Azevedo – Artista docente de Atuação

Estive como orientadora do módulo azul no primeiro semestre de 2021 e minha experiência foi ótima. Um núcleo de aprendizes em ação onde cada um colabora com seus conhecimentos e novas aprendizagens. Na plataforma on-line o desafio está em se fazer entender pelo outro do outro lado da tela. No caso das áreas plásticas como iluminação por exemplo, conseguir o efeito desejado com o material disponível em casa foi uma habilidade ímpar conquistada pelo núcleo. Cada área foi realizando sua parte e aos poucos o processo artístico-pedagógico foi sendo construído. Processo de rica aprendizagem para as/os estudantes e para mim também. Obrigada SP por participar desse momento. Parabéns à todes!

 

Fabiano Lodi – Artista docente de Direção

Vivi uma das mais marcantes experiências neste semestre como artista docente de Direção na SP Escola de Teatro. Diferentes desafios estavam em jogo. Tive a alegria de conviver com a equipe da escola e com todo mundo que colaborou no desenvolvimento artístico e pedagógico, entre formadores, orientadores e artistas convidados. Uma honra fazer parte de uma equipe de alto nível profissional e que, com enorme espírito de colaboração, conseguiu encarar as adversidades impostas pela pandemia, especialmente no começo do semestre, e fazer valer o processo formativo.

E os estudantes de Direção do módulo verde viveram intensamente as experiências proporcionadas por este semestre. Demonstraram comprometimento e criatividade nas propostas de experimentos, onde foi possível notar os interesses artísticos nas práticas de teatro digital aprimorados na linha de estudos. Uma turma acolhedora, carinhosa, de elevado espírito crítico e que levarei para sempre nas minhas memórias, torcendo para que sigam fazendo uma linda jornada na escola e na carreira artística.

 

Beatriz Mendes – Artista docente de Técnicas de Palco

Sou arte educadora e artista de formação, mas sempre valorizei muito o fazer da experiência, da vivência, das trocas e experimentações que acontecem na prática, na lida com o fazer teatral. Quando fui estudante do curso de Técnicas de Palco, pude vivenciar essa prática em ateliê que eu tanto buscava. Sempre falo com muito orgulho que cursei Técnicas de Palco na SPET e conheci pessoas e profissionais generosos e competentes!

No último semestre, participei como artista-docente na turma vespertina de TP e para mim foi uma honra poder fazer parte de uma equipe que eu admiro e respeito. Percebo que a escola está sempre em movimento, buscando novidades, artística e pedagogicamente. Essa proposta de convidar estudantes egressos, como eu, para retornarem como artistas-docentes convidados fortalece o trabalho das pessoas que passaram pelos cursos, que são parte da história da SP e nos possibilita dar continuidade ao nosso ofício.

 

Viviane Ramos – Formadora de Técnicas de Palco

O primeiro semestre de 2021, foi um período de muitas descobertas na SP Escola de Teatro, e de um trabalho afetuoso entre estudantes, docentes e demais funcionários, mesmo enfrentando as questões de uma pandemia. Os experimentos de cena, no sistema remoto, trouxeram uma diluição maior entre as fronteiras das áreas na criação teatral, e o trabalho coletivo e horizontal que a escola preza se instaurou de uma outra maneira. Para que o exercício de cena fluísse, foi ampliada a necessidade de que todos integrantes de núcleo se aproximassem dos processos criativos dentro de cada linha de estudo. Acredito que esta experiência deva trazer bons frutos para as relações de trabalho quando voltarmos ao formato presencial.

 

Diego Pallardó – Artista docente de Cenografia e Figurino

A experiência foi incrível, uma passagem de aluno formado no primeiro semestre de 2020 (inicio da pandemia) até retornar como artista docente após um ano na continuidade da mesma pandemia.

Cheguei falando para a minha turma que não vinha para ensinar e sim para ajudar, tentar fazer as coisas fluir de uma forma leve, ser um facilitador e acompanhar o processo. Assim foi, e nessa jornada continue apreendendo com alunos e colegas.

Um semestre que continua mostrando que a supervivência do fazer teatral e coletivo e que no particular me carregou de energia e esperanças que a gente continua vivo. Simples assim.




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