Artistas de São Paulo se mobilizam para salvar a Sbat

Publicado em: 13/08/2013

Em 1917, a pianista e compositora Chiquinha Gonzaga liderou uma turma de dramaturgos, escritores e compositores para fundar a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat). Durante décadas, a instituição foi referência na área cultural brasileira e se concretizou como a casa do autor, tendo dentre seus associados os principais dramaturgos do País.

 

Quase um século se passou e a situação da Sbat se complicou até chegar ao ponto crítico de comprometer sua existência. Para reverter essa situação, o diretor Aderbal Freire-Filho – único membro restante do conselho diretor que assumiu a instituição em 2004, composto por Alcione Araújo, Millôr Fernandes e Ziraldo – vem buscando desesperadamente soluções para quitar as dívidas e retomar o prestígio que um dia a associação teve.

 

Uma dessas ações aconteceu na noite de ontem (12), no Salão Nobre do Theatro Municipal de São Paulo. Ali, vários artistas reuniram-se com Aderbal para decidir o que poderia ser feito e traçar estratégias para alavancar o Movimento Sbat – 100 anos 1917-2017, que pretende fazer com que a sociedade chegue ao centenário com as contas saneadas.

 

Encontro no Salão Nobre do Theatro Municipal (Foto: André Stefano)

 

Estiveram ali o escritor e dramaturgo Lauro César Muniz; José Luis Herencia, diretor administrativo da Fundação Teatro Municipal; Fábio Maleronka, assessor da Secretaria Municipal de Cultura, e Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. 

 

Outras presenças foram as de Celso Frateschi, Hugo Possolo, Mário Viana, Ney Piacentini e Cecília Boal, que participaram ativamente da conversa.

 

O encontro durou mais de três horas. Durante parte desse tempo, Aderbal explicou as razões da decadência da instituição – atribuindo-a, principalmente, às antigas gestões que, em decorrência de fraudes ou da falta de habilidade em lidar com as novidades da área, perderam boa parte de seus associados e geraram uma grande dívida (estimada hoje em cerca de R$ 10 milhões).

 

O diretor também aproveitou para ressaltar as razões pelas quais acredita ser imprescindível a existência da sociedade. “A Sbat é um clube, uma academia. Desde 1924, publica uma revista. Não existe melhor biblioteca de textos teatrais brasileiros do que a biblioteca da Sbat. Ela tem 40 mil textos manuscritos e, mais que isso, proporciona o ‘sentir-se em casa’. Isso não existe em outro lugar”, afirmou.

 

Esperança: Encontro no Rio e Associação de Amigos

Em abril, o Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, sediou um encontro com a mesma finalidade. Como resultado, foi arrecadada uma quantia de dinheiro que serviu para quitar parte dos salários atrasados dos funcionários, que mantêm a Sbat em funcionamento. Aderbal começava a senti-la “renascendo”. 

 

Outro acontecimento importante para o renascimento da Sbat e que gera grande esperança em Aderbal é a criação da Aasbat (Associação de Amigos da Sbat), fundada por ele próprio, Ivam Cabral, Lauro César Muniz e o advogado Dinovam Dumas de Oliveira. A SP Escola de Teatro serviu como ponto de encontro entre os envolvidos. 

 

Lauro, Ivam e Aderbal (Foto: André Stefano)

 

O embrião da Aasbat, no entanto, remete a abril de 2012. No dia 14 daquele mês, a Escola promoveu uma mesa de discussão sobre o reconhecimento legal da profissão de dramaturgo, que reuniu Ivam, Aderbal e Lauro, além de Marici Salomão, dramaturga e coordenadora do curso de Dramaturgia da Escola, e a atriz e presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated/SP), Ligia de Paula.

 

Agora, a Cisac (Confederation Internationale Des Sociétés D’auteurs Et Compositeurs) deu o prazo de um ano para que a Sbat regularize sua situação e se organize novamente. “Temos um ano para conseguir o renascimento pleno”, disse.

 

“Por que não se fecha a Sbat e abre outra nova no lugar?” foi uma das questões que o diretor Aderbal Freire-Filho fez a si mesmo. “Por ter esse valor histórico, cultural, de ser a sociedade mais antiga das Américas, de terem passado por ela Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, Paulo Magalhães, Raimundo Magalhães Jr., Vianninha e Gianfrancesco Guarnieri. Temos a chance de continuar essa história”, comentou.

 

Por meio dos representantes presentes na reunião, órgãos como a Secretaria Municipal de Cultura e a Fundação Teatro Municipal manifestaram seu apoio à causa. Cecília Boal, ex-exposa de Augusto Boal, também declarou que está envolvida, em nome do autor, e que a instituição voltará a representar suas obras. E vários outros participantes fizeram o mesmo.

 

Perto do final do encontro, três comissões foram criadas: a de divulgação, que espalhará a causa pelas redes sociais; das finanças, que receberá e organizará as doações a serem recebidas em São Paulo, e artística, sob a liderança de Marici Salomão, que promoverá trabalhos como oficinas e leituras de textos, com a intenção de arrecadar fundos para a Sbat.

 

“Importante dizer que hoje a gente tá aqui pra se organizar, não estamos fechados, queremos a participação de todo mundo que queira se juntar a nós. A nossa associação foi criada ainda antes do encontro no Rio, e recebemos uma força incrível e exemplar. As pessoas se levantaram propondo coisas para a Sbat. Acho que, se formos forte, podemos tomar a Sbat de São Paulo, ajuntem-se aos que estão nessa luta!”, convocou Ivam Cabral.

 

Para acompanhar as novidades da sociedade, fique de olho no site http://www.casadoautorbrasileiro.com.br/ e na página do Facebook, criada pelo Movimento SBAT.

 

 

Texto: Felipe Del

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