Aprendiz Thadeu Ibarra fala sobre seu intercâmbio na Suécia

Publicado em: 25/05/2016

Quando cheguei à Suécia, a paisagem ainda era gelada. A temperatura oscilava entre -3 e -1. Da janela da sala em que fazíamos nossa aula de corpo matinal, era possível ver os flocos de neve caindo aos poucos, sem pressa. Uma paisagem diferente da usual para um rapaz do Rio de Janeiro. Meu corpo precisava de muito mais tempo para se aquecer. Tudo era novo, a paisagem, o clima, as pessoas e a língua. Interessantes essas reviravoltas. O começo de nossa experiência artística se deu com o trabalho de clown. A turma de Atuação estava preparando uma apresentação, e nós, dois brasileiros, tivemos de preparar um número. Era o início de nossa jornada por aqui.
 
Thadeu, de suéter verde, em aula na UniArts. À esquerda, de calça vinho, Guilherme Neves, que também faz intercâmbio em Estocolmo
 
A experiência mais marcante desde o começo, para mim, se deu pela linguagem, quer seja porque teria que realizar um processo criativo todo em língua Inglesa — algo absolutamente novo para mim — quer seja porque o sueco, na medida em que era indecifrável, também era apaixonante, de uma musicalidade e cadência que me levaram a estudá-lo. Coisa um pouco difícil, não só porque absolutamente todos dominam o inglês, mas porque a língua vem de uma raiz diferente da nossa, com vogais e sons que não existem em português. Desafiante.

“O idioma sueco, na medida em que era indecifrável, também era apaixonante, de uma musicalidade e cadência que me levaram a querer estudá-lo”
 
 
Quando a Universidade me pediu para desenvolver uma cena de 15 minutos inspirada no processo de criação individual deles, tive o desejo de trabalhar com a linguagem como tema. Aproveito para ressaltar um outro diferencial: na maneira sueca de encarar o processo de formação pedagógica e o processo de criação artístico, é necessário aprender a trabalhar sozinho. Quando utilizo a palavra sozinho, não se trata de eufemismo. Nosso processo de criação na SP Escola de Teatro (e frequentemente no teatro brasileiro) é extremamente coletivo, tanto da perspectiva da formação do ator, quanto do processo de criação. Entretanto, criar absolutamente só, desde a concepção até a apresentação, já era algo que eu vislumbrava ser possível. 
 
A professora Ulrika Malmgren me ajudou nessa travessia. Sem o seu olhar, talvez não fosse possível organizar os materiais que levantei. Foi assim que, após um mês e meio de trabalho, nasceu “Rådjursklövar”, experimento que tive a oportunidade de apresentar duas vezes por aqui.
 
 

Após essa experiência, pude me dedicar exclusivamente à produção da peça infantil “Arvsministeriet”. Iniciamos este processo tendo o improviso como técnica de criação. O resultado foi uma experiência trilíngue: sueco, inglês e espanhol. Após as apresentações no festival Unga STDh, encaminho-me para as duas semanas finais de avaliação e encerramento. E me pergunto como tudo pode ter passado tão rápido se, para mim, ainda parece que foi ontem que cheguei. Mas vai ver é assim mesmo, as coisas boas passam de um maneira tão leve que a gente nem percebe. Trabalhar e poder criar em outra língua me colocou em um estado de atenção constante, que pretendo levar para todos os trabalhos que realizar daqui pra frente. É excelente poder contar com essa experiência na bagagem. Obrigado SP Escola de Teatro, tack Stockholms Dramatiska Högskola. 

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