Aprendiz Karen Lenzi fala sobre seu intercâmbio na França

Publicado em: 17/08/2016

Karen, à direita, em atividade da residência artística com a Cia. Nie Wien
 
A Companhia Nie Wien está sediada em uma antiga fábrica de botas para caça, e, com o seu fechamento, um coletivo de artistas conseguiu transformar o local em um centro cultural, carinhosamente chamado de Simone, na pequena e encantadora cidade de Chateauvillain. 
 
Chateauvillain é uma cidade medieval com 1.500 habitantes. Muitos deles trabalham em fazendas, já que a cidade fica em uma zona rural da França — uma região muito charmosa, diga-se de passagem.
 
O intuito da residência artística da qual estou participando na Nie Wien, além da troca de conhecimento entre artistas brasileiros e franceses, é tratar de forma poética a delicada questão dos refugiados. Para isso, conversamos com diversas pessoas na cidade e descobrimos que, embora todos fossem franceses, eles não eram dessa região ou seus pais chegaram ali fugindo da guerra.
 
Cheguei sem saber ao certo como seria uma residência artística, mesmo porque essa é minha primeira experiência em um projeto do tipo. Anne Laure, da Companhia Nie Wien, e Bia Szvat, da Companhia Pau D’Arco, são as diretoras do projeto. Foram elas que propuseram essas conversas com os moradores locais. O papo sempre fluía bem, até chegarmos na pergunta sobre os refugiados e qual é o papel da França nisso. Neste momento, os corpos dos entrevistados mudavam de tonos, a voz ganhava outra entonação, era perceptível que essa questão gerava um incômodo. 
 
 
Uma das entrevistadas deu as seguintes respostas: “na minha casa você é bem-vindo, mas minha casa não é o meu país”. Outra citou um comediante francês que diz “ Os estrangeiros vêm aqui comer todos os nossos pães, por isso eles devem ir embora, mas se eles forem embora, quem fará nossos pães?”. E foi a partir dessas e outras respostas que surgiu uma série inquietações e dúvidas. Este material serviu como base para nossas improvisações. 
 
Já estamos em processo final da montagem da peça “Sonhos & Songes”, com dramaturgia de Evill Rebouças. As apresentações vão ocorrer nos dias 19 e 20 de agosto.
 
Dessas três semanas, o que ficou de mais forte foi a relação que se construiu com as pessoas que nunca fizeram teatro, mas se jogam e brincam nas improvisações com um olhar e um desejo de falar algo tão sincero e singelo. O teatro aqui parece que desmonta a atriz e constrói uma mulher artista.
 
Sinto que o grande aprendizados dessa experiência talvez esteja no próprio título do intercambio “O Caminho Mais Curto de Si para Si é o Outro”.

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