Antonio Maschio e Gilberto Salvador, padrinhos queridos

Publicado em: 22/10/2013

Gilberto Salvador e Antonio Maschio 

 

* por Ivam Cabral, especial para o portal da SP Escola de Teatro

 

Em 1989, cheguei em São Paulo. Recém saído da universidade, de um curso de artes cênicas, sabia – e disso eu tinha absoluta certeza – que minha vida não seria nada fácil. Embora louco pra trabalhar como ator, havia traçado um trajeto: continuar estudando. E a ECA/USP seria o meu destino.

 

Fui morar numa pensão na rua Tamandaré, no bairro da Liberdade, num apartamento muito louco de um cara que era hare krishna, deprimido, e que, às noites, chorava ao telefone, em ligações intermináveis à mãe, que vivia em Santa Catarina.

 

Numa dessas visitas à ECA, me deparei, em um mural, com um cartaz de uma companhia de teatro que buscava atores. Eu estava com um amigo, também ator, que não quis me esperar. Me deixou anotando o telefone, correu em direção ao ônibus que estava chegando e se foi. Curioso o que se sucedeu: eu passei no teste e semanas depois deste episódio, este meu amigo apareceu num de nossos encontros respondendo ao anúncio. A vida realmente é surpreendente!

 

Neste grupo – uma espécie de embrião do Satyros –, montamos um trabalho em cima da vida e obra de Qorpo Santo,  dramaturgo gaúcho do século XIX. A peça, que tinha no elenco a Nany People (que ainda não era Nany) e, o hoje estilista, João Pimenta, entre tantos, estreou no Teatro do Bixiga e foi um sucesso danado. Durante três meses, abarrotamos o teatro do Marco Ricca (sim, ele era um dos proprietários do espaço onde hoje funciona o Teatro Ágora, na Rui Barbosa).

 

Curioso, no entanto, foi como produzimos a peça. O Rodolfo García, diretor da montagem, era professor do artista plástico Gilberto Salvador, que assinou o cenário do espetáculo, todo realizado com dinheiro da venda de um de seus quadros.

 

Mas foi tão, tão difícil vender aquele quadro! Me lembro que era como ter uma pequena fortuna nas mãos e não saber o que fazer. Sim, aos vinte e pouquinhos anos a gente não sabe direito onde procurar as coisas, o que fazer direito com nossos projetos e sonhos.

 

E foi Antonio Maschio, que na época era um dos proprietários do Pirandello, um restaurante que marcou profundamente a cultura dos anos 70 e 80, quem comprou a obra. E Maschio foi, de certa forma, nosso anjo protetor. A partir daquele momento, nossas vidas seriam outras. E Maschio, juntamente com Gilberto Salvador, espécies de padrinhos do Satyros.

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