Alberto Guzik Homenageado no AuTores em Cena

Publicado em: 16/04/2013

Projeto AuTores em Cena e Os Satyros lembram trajetória de Alberto Guzik (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

“Quando tinha 18 anos, o jovem Alberto Guzik foi aprender a dirigir. No teste teórico foi bem, mas no prático, bateu o carro. A auto-escola quis cobrar os danos, mas a avó dele era brava. Alberto nunca mais dirigiu”
Sergio Zlotnic, psicanalista e sobrinho de Guzik.

 
Na noite da última sexta-feira (12), lembranças como essa foram pinçadas da memória para relembrar a vida de um importante artista. No palco do Itaú Cultural, o projeto AuTores em Cena abriu mais uma edição com uma homenagem ao ator, dramaturgo, crítico teatral e jornalista Alberto Guzik (1944-2010). Sob a batuta do diretor executivo da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, Ivam Cabral, e do coordenador do curso de Direção, Rodolfo García Vázquez, a companhia de teatro Os Satyros, fundada por ambos, rendeu tributo a Guzik, seguido de uma apresentação da atriz, poeta e historiadora Micheliny Verunschk. 
Após a atriz Phedra de Córdoba interpretar a canção “Negue”, Ivam Cabral iniciou delineando o perfil de Guzik. “Digo que se o Teatro de Arena teve (Eugenio) Kusnet, Os Satyros tiveram o Alberto. E ele era um metido. Não havia nenhuma forma de arte que ele não tenha metido a mão”, brincou. 

Em pouco menos de 40 minutos, o grupo abarcou a trajetória de Guzik como ator, dramaturgo, jornalista e crítico. Ora memórias tristes, ora doces lembranças. Uma delas veio do amigo, jornalista e dramaturgo Sérgio Roveri. “Quando ele estava no auge como crítico, me lembro de que fomos assistir a uma peça no Teatro Augusta. Ao fim do espetáculo, a atriz veio na nossa direção e, de repente, Guzik virou as costas e correu em disparada. A atriz foi atrás enquanto gritava por ele. Ela não conseguiu alcançá-lo e depois ele se explicou. ‘Não se pergunta para um crítico o que ele achou da peça. Aguarde até que saia no jornal’”, contou. 

 
Como dramaturgo, Os Satyros leram alguns dos principais textos de Guzik. Entre eles, o diálogo divertido de “Cansei de Tomar Fanta”, pelos atores Cléo de Páris e Gustavo Ferreira. O texto foi encenado pela primeira vez em 2009, com direção de Daniel Tavares e Fábio Penna ao lado de Cléo.
 
E o público também foi chamado a participar, lendo textos de Tipos Urbanos, editoria do blog Os Dias e as Horas, em que Guzik contava histórias curiosas de pessoas que via pelas ruas e outros lugares públicos. “Para manter essa memória, a Escola acaba de relançar o blog do Guzik, com curadoria de Aimar Labaki. Quando catalogamos o material, descobrimos coisas incríveis”, contou Ivam. 
 
 
“O legado da Escola pertence a ele”, Ivam Cabral (à frente) (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)
 
 
E Guzik também deixou sua marca na SP Escola de Teatro. Como diretor pedagógico, ajudou a idealizar o projeto, que segue com fôlego. “A vaga dele permanece vazia e nunca será preenchida. O Alberto nos deu o poder de sonhar juntos e o legado da Escola pertence a ele”, afirmou Ivam.
 
Logo após a primeira homenagem, a atriz Micheliny Verunschk subiu ao palco. No chão, papéis espalhados e o texto “O Observador e o Nada” na ponta da língua. Em 2006, ela teve a chance de ser dirigida por Guzik na primeira edição do AuTores em Cena, onde apresentou o mesmo espetáculo. “Enquanto eu ensaiava, fiquei emocionada. Lembrei quando lemos o texto, há 7 anos. Pelo pouco tempo que passei com ele, aprendi muito. Foi um grande aprendizado”, relembrou.
 
Os atores Cléo de Paris e Gustavo Ferreira durante leitura de “Cansei de Tomar Fanta”
(Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)
 
 
E sobre a principal virtude de Guzik, as palavras do curador Marcelino Freire: “O Alberto é um exemplo de artista para mim. Ele conseguiu zerar tudo e começar de novo; redescobriu-se ator, depois de tantos anos sem atuar. Isso me faz buscar a renovação enquanto artista, de buscar um sonho eterno”, finalizou.
 
 
Texto: Leandro Nunes
 

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