Abel Xavier, novo docente de Humor, comenta sobre o Teatro Digital: “Ele abre espaço para experimentações que, até então, nunca tínhamos imaginado”

Publicado em: 16/03/2021

Abel Xavier/Divulgação

Com uma admirável carreira no mundo acadêmico e teatral, o ator e pedagogo Abel Xavier é um dos novos artistas docentes da SP Escola de Teatro. Ele é o responsável por ministrar aulas do módulo verde do curso de humor.

Bacharel em Artes Cênicas pela Unicamp e com Licenciatura em Artes pela Belas Artes e em Pedagogia pelo Centro Universitário Claretiano, especialista em Gestão de Projetos Culturais pela  ECA-USP, Mestre em Artes da Cena pela Escola Superior de Artes Célia Helena e doutorando em Educação  pela USP, Abel sempre uniu a arte e a educação ao longo de sua trajetória profissional. Agora, na instituição, segue nessa caminhada, desta vez através das plataformas digitais, pois, devido à pandemia de covid-19, o início do semestre continua com aulas remotas.

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Em seu ponto de vista, o teatro digital é uma linguagem que abre espaço para experimentações e deve ser explorada pelos atores, diretores, cenógrafos e estudantes cada vez mais. Na SP, ele pretende se aprofundar nesta técnica e aproveitar as oportunidades que ela oferece ao longo do semestre, com muitos exercícios, debates, provocações e experimentações cênicas. Confira, a seguir, a entrevista de Abel ao site da SP Escola de Teatro, onde fala, além do Teatro Digital, sobre sua carreira, as expectativas como professor na Escola e como será o curso neste semestre.

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Como é ser artista docente na SP Escola de Teatro? Quais são seus planos para esse semestre como professor?
“Compor a equipe da SP é motivo de muita satisfação. Poder compartilhar estudos, processos e e pesquisas com  artistas de toda a comunidade escolar tem sido uma alegria enorme. Encontrar ecos das nossas necessidades atuais nas pessoas envolvidas com a escola, criar e compartilhar trajetórias formativas potentes. Para este semestre, o objetivo é fomentar experiências artísticas que dialoguem com o nosso tempo histórico e com os materiais de referência do módulo, trabalhando os códigos teatrais (espaço, tempo, ação, memória, etc) no sentido de uma possível digestão do que estamos vivendo. Mas não só, tentar encontrar saídas, estimular reflexões e, no nosso caso, usar o humor como estratégia para isso.”

O ensino digital tem lados bons e ruins. Quais vantagens vc acredita que existam no ensino digital e como pretende explorá-las?
“O espaço virtual, acredito, funciona como um elemento a mais para o trabalho. Ele abre espaço para experimentações que, até então, nunca tínhamos imaginado. É o momento presente (tão especial nas artes cênicas), imperando nas nossas relações. E não podemos desviar disso, mas, à moda antropofágica, assimilar o que se imperou. O que de mais importante temos aqui é a possibilidade de investir em edições, filtros, relações entre o ao vivo e o gravado, investigar novas noções de corporalidade, espacialidade, tempo, composição e jogo. No caso da nossa linha de estudo, temos pensado muito em como o foco, a relação com a câmera e o nível de energia corporal diante da tela pode gerar graça, provocar o riso.”

O que os estudantes da SP podem esperar aprender neste semestre com as suas vivências e ensinamentos?
“O tema do nosso módulo é Personagem e Conflito. Penso que este mote se desdobra em muitas experiências boas no sentido do entendimento da humanidade, sua essência, suas sombras, suas incapacidades, suas falhas, seus exageros, suas neuroses e dificuldades de relacionamento, consigo próprio, com outras pessoas e com a estrutura social. Tem muito humor aí. Aqui cabem trabalhos interessantes no campo da improvisação, do trato com o texto teatral, da composição dessas figuras que tentam, tentam, tentam, conflitam, mas falham, desavergonhadamente.
Tem outro ponto importante, que tem a ver com as aulas, mas não só, que é essa necessidade urgente de olharmos o outro de fato, nos atravessarmos, tem empatia, escutar. Uma aula de teatro não é só uma aula de teatro, o artista é um especialista em vida. Tem especialista em plástico, especialista em plantação de café, especialista em bicho etc. Artista da cena é especialista em vida. Então tem que estar na vida por inteiro. Ao vivo ou à distância, pela tela.”

Conte um pouco da sua experiência como artista no Brasil.
“Eu sou do interior de São Paulo, caipira mesmo, gosto disso. Talvez isso seja o fato mais importante sobre minhas experiências artísticas. Acho que isso balizou muita coisa. Mas em termos mais concretos: eu sou bacharel em Interpretação Teatral pela Unicamp. Depois fiz licenciatura plena em Artes e Pedagogia, me especializei em gestão de projetos culturais na USP. Meu mestrado, na ESCH, foi na área de Pedagogia Teatral, pesquisei a prática do teatro épico numa instituição chamada Casa do Teatro, que é ligada ao Célia Helena. Atualmente faço doutorado na USP, também na área de Pedagogia Teatral. Então, pra mim, o fazer teatro e o como se ensina teatro sempre estiveram juntos. Dei aula de teatro em várias escolas em São Paulo, na Casa do Teatro, no CLAC em São Bernardo do Campo. Também sou professor do Bacharelado e da Licenciatura em Teatro no Célia Helena. Fora isso, sou ator desde que me entendo como gente, comecei aos 9 anos. Fiz teatro amador por dez anos até entrar na Unicamp. Dentro da Unicamp passei pelo teatro popular, pelo teatro de rua, pelo teatro do absurdo. Sou parceiro da Cia Em Cena Ser, trabalhando com contação de histórias e outras práticas artísticas na rua. Em 2013 fundei com alguns parceiros o Coletivo Labirinto, que estuda e pensa a América Latina através da dramaturgia latino-americana contemporânea. Estamos agora realizando um projeto de Fomento que vai até 2022 chamado “Histórias de Nossa América”.

Por Luiza Camargo

 




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