À Espera do Ato

Publicado em: 17/08/2011

Taís Vidal, aprendiz de Atuação (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

Para colocar em prática tudo o que aprenderam sobre artes cênicas, trabalho em equipe e produção teatral, no próximo semestre, aprendizes do Módulo Vermelho da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, vão enfrentar o desafio de criar um espetáculo inédito, com projetos viabilizados pela Instituição, por meio de um Edital.
 

A proposta era que os aprendizes formassem equipes a partir de suas afinidades, interesses artísticos e de trabalho. E, com no mínimo três pessoas de cursos distintos, criassem uma produção teatral profissional, desde sua pré até sua pós-produção, com a condição essencial de que esses projetos tivessem como base os objetos pedagógicos e artísticos já desenvolvidos na Escola.
 

Para Francisco Medeiros, coordenador do curso de Atuação, o desafio do Módulo Vermelho é o seu próprio “mistério”. “Uma experiência radical vai se descortinar para todos à medida que ele for ocorrendo. Um dos aspectos palpitantes será a construção de um caminho para abrigar todos os projetos selecionados numa atmosfera de entusiasmo, provocação constante e ambiente propício para a criação”, revela.
 

Para a formadora Lucienne Guedes, embora a Escola seja modular, uma das grandes expectativas do Módulo Vermelho é o fato de que ele encerra a participação de muitos aprendizes de Atuação na Escola. Assim, o grande desafio passa a ser o de trazer, para este semestre, toda a vivência e aprendizado já conquistados.
 

“Eles puderam estudar um teatro com quarta parede, ficcional, narrativo, épico e, até, tiveram um grande percurso performático, agora chegou o momento de os aprendizes, carregados por todas essas experiências, disporem de sua criatividade e empenho”, comenta.
 

“O grande desafio é trazer à tona os conhecimentos e experiências que eles já têm e despertar o desejo de usarem isso no Módulo Vermelho, tratando verticalmente as relações criativas entre as áreas. Afinal, quanto mais o ator entende do que são feitas essas funções mais interessante fica o trabalho dele”, completa.
 

Lucienne revela, ainda, que, durante o semestre, pretende retomar elementos de linguagem, reforçar questões de processos criativos e estabelecer maior relação com outros criadores. “Quero abordar qual a relação do ator com o material textual ou com o dramaturgo e colocar em pauta, questões como ‘do que é feita essa relação?’ e ‘como é a relação do ator com o olho de fora?’ ”.
 

Para a formadora, entender as relações criativas e retomar aquilo que se sabe é  uma ótima forma de se obter um trabalho de resultado positivo, tanto artístico quanto pessoal. “O nosso trabalho depende, sobretudo, da gente. Ou seja, se quero um trabalho bom para mim, tenho que criar um espaço para que ele seja bom.”
 

Também formador do curso, o ator Filipe Brancalião, lembra que os aprendizes devem empregar todos os seus esforços nesses projetos. “Aproveitar o espaço aberto pela Escola e mergulhar nessa possibilidade de investigação teatral provocada pelo encontro dos diversos olhares e artistas inquietos é uma grande oportunidade”, comenta.
 

Natália Moreira, aprendiz do curso, elaborou o projeto “O Que a Terra Me Deu – Um Ato Teatral Baseado em Mitologias da Morte”, junto aos seus colegas Juliana Straub, Issac Vale e Julia Mendes. Ela, que está em seu último semestre de estudos, espera, ansiosa, pelo resultado da seleção do Edital do Módulo Vermelho. “Não sabemos o que vai acontecer, mas meu objetivo é criar organizadamente, unir pessoas ao redor de uma ideia e trabalhar para que ela se realize”, conta.
 

Brasilidade em Cena

A aprendiz Mariana Fernanda de Biaggi em cena (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

“Respirem! Sempre! Não se deixem aprisionar pela ânsia! Escutem! Proponham!” Com essa frase, Francisco Medeiros, coordenador do curso, dá o tom aos aprendizes de Atuação que, no decorrer do semestre, vão enveredar pelos estudos da narratividade em torno do livro “Viva o Povo Brasileiro”, de João Ubaldo Ribeiro.
 

Para ele, esta obra tem dimensões gigantescas e é uma aventura delirante de criação. “Será uma ótima oportunidade para todos nós da Escola: aprendizes, coordenadores, formadores e convidados. Poderemos amadurecer, entender melhor a proposta do encontro que norteia grande parte das nossas ações”, revela.
 

“Será um momento especial de troca com um material rico, requintado e, ao mesmo tempo, simples. Com certeza, esta é uma ação altamente mobilizadora e uma convocação para que lancemos um olhar sobre a paisagem que nos cerca”, emenda Medeiros. 

 

Ao se lançar na aventura proposta por João Ubaldo, o formador Filipe Brancalião, acredita que todos vão se deparar com questões latentes sobre a formação do País. “Para além de acreditar na fidelidade histórica do livro e, tomando a própria epígrafe proposta pelo autor, acredito que o estudo dele levará os aprendizes a um mergulho nas diferentes versões que ‘narram’ a história do Brasil, o que solicitará, ainda, uma nova atitude dos aprendizes”, esclarece.
 

Assim, Brancalião acredita que os aprendizes de Atuação vão enfrentar o desafio de assumir certo aliciamento. “O universo dos colonizadores, colonizados, escravos e o da miscigenação propõe um olhar para si próprio e para as inúmeras influências que interferem nas nossas ações hoje. Assim, este mergulho também nos fará assumir um outro nível de engajamento artístico com as urgências de nossa ‘pólis’ ”, conclui.
 

Encarar esses estudos como uma aventura de descobertas acerca da própria identidade e, também, como uma convocação para um posicionamento artístico de alguém que, estando de olho no olho do mundo, assume a responsabilidade de tocar estas questões é, para Brancalião, o fundamento e a grande dica para se obter um resultado positivo do semestre dos aprendizes do Módulo Amarelo.

 

 

Texto: Renata Forato

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