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Publicado em: 28/02/2018

Uma aula magna conduzida por Zé Celso, diretor do Teatro Oficina Uzyna Uzona, realizada na tarde ensolarada de sábado, no dia 20 de fevereiro de 2010, inaugurou as atividades da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. Zé pôs a prova toda sua sensibilidade e vivência teatral, propôs exercícios de aquecimento aos aprendizes recém-ingressos na Escola, discorrendo, depois, aos ouvintes atentos e de olhos brilhantes, sua longa experiência no Teatro Oficina. Abordou ainda a história do teatro nacional sob seu ponto de vista, e, em seguida, leu o poema “Litania dos Pobres”, de Cruz e Souza, que foi repetido como se fosse um mantra. Ao final da sessão, convidou os aprendizes a descobrir o belo casarão, no Brás, em São Paulo, onde se instalou provisoriamente, a Escola, este ano. Para terminar sua visita ao lugar, convocou a todos para uma passeata pelo bairro, para que os futuros aprendizes percebessem um pouquinho do entorno e seu funcionamento – um dos temas primordiais da Escola, que pretende fazer com que seus alunos criem uma relação de amor entre o teatro e a cidade.

Na semana seguinte, os alunos – ou aprendizes, como são chamados no centro de formação – foram convidados a criar uma rede de relações na qual trocassem conhecimentos. Ao evento deu-se o nome de 1º Território Cultural da SP Escola de Teatro, que contou com a presença do então Governador do Estado de São Paulo, José Serra, e da jornalista e subprefeita da Lapa, Soninha Francine, que se juntaram à meninada para pintar azulejos e plantar mudas de árvore ao redor do belo casarão do Brás.

Estava dada a largada para uma das escolas de teatro mais surpreendentes do País, uma Instituição de ensino não hierarquizado, em que os alunos aprendem por meio de imersões e experimentos sob o olhar atento de grandes nomes das artes dramáticas, como: J. C. Serroni, Francisco Medeiros, Marici Salomão, Rodolfo García Vázquez, Raul Barretto, Raul Teixeira, entre centenas de outros, que estimulam os estudantes a pensar o teatro contemporâneo, a manipulá-lo, e a criar trabalhos surpreendentes, como, por exemplo, o “Espetáculo Cenotécnico”, resultado de oito semanas de exercícios no palco do Theatro Municipal, de São Paulo, sob coordenação de Aníbal Marques (Pelé) – que deixou os funcionários locais de queixo caído; intervenções curiosas como o Experimento “HamletMachine”, que recriou a peça em uma fábrica abandonada; além de criar oportunidade para os aprendizes, que, a partir da experiência que obtiveram neste ano, já conseguiram emplacar trabalhos na conceituada mostra Quadrienal de Praga, na República Tcheca, sendo que alguns já se inseriram no mercado de trabalho, em espetáculos profissionais, entre eles a peça “Maria do Caritó”, dirigida por João Fonseca, o musical “O Médico e o Monstro”, dirigido no Brasil por Fred Hanson, e em shows populares de grande porte.

“Durante o ano letivo de 2010, os aprendizes tiveram 984 horas/aula em cada um dos Cursos Regulares que a Escola oferece: Atuação, Cenografia e Figurino, Direção, Dramaturgia, Humor, Iluminação, Sonoplastia e Técnicas de Palco. As aulas foram ministradas entre as terças-feiras e sábados, e os aprendizes foram convidados a trabalhar intensamente”, diz Joaquim Gama, coordenador pedagógico da Escola. “As aulas regulares abordaram desde temas como ‘Música Erudita e Educação do Olhar’ (Componente do curso de Iluminação ministrado por Laercio Rezende), ‘A Voz Cômica’ (Componente do curso de Humor ministrado por Madalena Bernardes), passando por ‘Repertório: Peças Radiofônicas e Dramaturgia Sonora’ (Componente do curso de Sonoplastia ministrado por Regina Porto) e ‘Crítica Teatral’ (Componente do curso de Direção ministrado por Sérgio Sálvia Coelho)”, diz Joaquim.