Extensão Cultural

Publicado em: 28/02/2018

Além dos seus oito Cursos Regulares, a SP promoveu, este ano, 30 cursos de Extensão Cultural. Todos muito concorridos, entre eles, “Palco Iberoamericano: Teatro no Contemporâneo – Oficina de Escrita na Cidade”, orientado por Jorge Louraço Figueira; “Sonoplastia em Cena”, por Aline Meyer; “Do Clown ao Artista Fabulador”, por Cida Almeida e Sofia Papo; “O Hai Kai e sua Criação”, por Claudio Daniel; “A Cena Pensada na Web – Crítica Teatral nas Novas Redes de Informações”, por Kil Abreu, “História da Arte”, por Angelica Moraes, entre tantos outros, que aproximaram o aprendiz da fruição da obra de arte produzida na atualidade, fornecendo ferramentas teóricas e práticas de percepção e análise das poéticas visuais e sua interseção com as linguagens cênicas.

Paralelamente à sua participação nos cursos de Extensão, vários artistas foram convocados para palestras e bate- papos com aprendizes. Henry Thorau, da Universidade de Trier, da Alemanha, foi um deles. Entre seus trabalhos, está a tradução, para o alemão, de textos clássicos de dramaturgos brasileiros, como Nelson Rodrigues, Plínio Marcos e Augusto Boal. Além dele, destaque para o francês François Kahn, um dos maiores nomes do teatro contemporâneo; Camille Marc Dumoulié, também francês, especialista na obra de Antonin Artaud; Aderbal Freire-Filho; Alcides Nogueira; Gilberto Gawronski; Luiz Fernando Ramos; Marco Antonio Braz; Paulo Goulart Filho; Rubens Rewald; Herbert Richers Jr.; Dagoberto Feliz; Esio Magalhães; Emanuel Pimenta; Ernani Maletta; Maurício Paroni de Castro; Luiz Fuganti; Guto Lacaz; Aimar Labaki; Patricia Nakayama; André Martin; Ladislau Dowbor; Celso Nascimento; Sergio Zlotnic; Vicente Concilio; Cibele Forjaz; Fábio Retti, entre tantos outros.

Uma das palestras que emocionaram o púbico foi a do jornalista Gilberto Dimenstein, que falou sobre sua paixão por São Paulo, levantando a ideia de que é possível transformar a cidade num grande palco, ao citar a Praça Roosevelt, o endereço de onde surgiu a semente que se transformaria, hoje, na SP Escola de Teatro. Nesse encontro, ele falou da “reconquista do espaço urbano”, creditando boa parte da revitalização da Roosevelt a Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez – fundadores da Cia. de Teatro Os Satyros, e, respectivamente, diretor executivo e coordenador do curso de Direção da Escola. “No futuro, quando formos falar sobre a história de São Paulo, teremos de lembrar dessa Praça”, disse o convidado.

Também promovidas pela Extensão Cultural, as Rodas de Conversas trouxeram à Instituição muitos outros profissionais. Sob o tema “Dramaturgia Sonora e Sonoplastia”, por exemplo, reuniram-se Antunes Filho, o ator e músico Ernani Maletta, o compositor Martin Eikmeier e Raul Teixeira, coordenador do curso de Sonoplastia, para discussões acerca dos caminhos da sonoplastia no teatro.

Com ideias sempre inovadoras, Antunes disse que a sonoplastia deve ser pensada na gênese de um projeto teatral. “Há um momento em que a ideia para uma montagem sai de um ‘vaginão’. A sonoplastia deve vir neste momento, não depois”, disse Antunes Filho, considerado um dos principais nomes do movimento de renovação cênica, que ganhou força em 1960 e 1970. Fundador do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), que coordena até hoje, ele fez questão de enfatizar que a sonoplastia não é apenas um adorno. “É parte vital de um espetáculo.”

Em outro momento, uma mesa de discussão reuniu Marici Salomão, dramaturga e coordenadora do curso de Dramaturgia da Instituição; Aderbal Freire-Filho, diretor e membro do conselho diretor da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat)Lauro César Muniz, dramaturgo, autor e membro do conselho de administração da Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap), organização que gere a Escola; Ligia de Paula, atriz e presidente do Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated/SP) e Ivam Cabral, para discutir temas relevantes aos futuros profissionais das artes dramáticas do País. O encontro começou com Aderbal discorrendo sobre a forma como a Sbat, sociedade criada em 1917 com o objetivo de “abrigar” dramaturgos, oferecia suporte aos artistas.

Lauro César Muniz cogitou a opção de que a Sbat seguisse o modelo adotado pela SP Escola de Teatro, gerida por uma Organização Social, a Associação dos Artistas Amigos da Praça. Esse formato de gestão, implantado desde 2004 pela Secretaria de Cultura do Estado, torna possível que instituições sem fins lucrativos, atuantes na área cultural, sejam transformadas em Organizações Sociais, obtendo a responsabilidade da gestão de espaços públicos, antes geridos pela Secretaria.

Ivam Cabral, então, explicou os passos que deveriam ser tomados para a consolidação de uma gestão como essa. A ideia foi tão bem vista por Aderbal, que, após alguns minutos de conversa com o diretor executivo da Escola, surgiu o embrião do que um dia pode representar a retomada da força da Sbat.

“Como dramaturgo, fiz uma palestra aos aprendizes de todos os Módulos, reunidos no pátio da Escola na Sede Brás. Encontrei, nessa oportunidade, um ambiente extremamente acolhedor com aprendizes ávidos por informações, uma grande vontade de assimilar o que eu expunha”, diz Muniz. Ele expôs aos aprendizes seu método de dramaturgia, baseado no que assimilou no início dos anos de 1960, na Escola de Arte Dramática de São Paulo: ação dramática como produto da inter-relação dialética de personagens em conflito dinâmico.

TOPO