A semente

Publicado em: 28/02/2018

A ideia da criação SP Escola de Teatro surgiu em 2005, durante a I Virada Cultural de São Paulo, quando José Serra, então prefeito da cidade, visitou o Espaço dos Satyros Um, na Praça Franklin Roosevelt, para a primeira sessão do “Teatro de Livro” – trabalho que reunia integrantes deste coletivo teatral, um trio de cantoras e um grupo de jovens atores do Jardim Pantanal, para quem Rodolfo e Ivam vinham ministrando aulas de teatro.

Ao assistir à apresentação, Serra aproximou-se do trabalho dos Satyros. Voltou ao teatro, dias depois, para assistir a uma peça, passando, na sequência, a seguir regularmente as montagens da companhia.

Em conversas com os integrantes do grupo que havia transformado o cenário da Praça Roosevelt em um dos mais importantes pólos de cultura da cidade, Serra mostrou-se interessado pelo projeto desenvolvido no Jardim Pantanal, na Zona Leste. “Por meio deste projeto, jovens da periferia participavam das produções dos Satyros, atuando como auxiliares, sonoplastas e iluminadores. Tínhamos por objetivo transformar o espaço sociocultural do bairro, do entorno, do local no qual moram”, diz Ivam.

Para além do trabalho de revitalização do espaço urbano realizado pelos diversos teatros da Praça Franklin Roosevelt, Serra cogitou a ocupação pedagógica de um edifício abandonado, no número 210, sugerindo aos integrantes da trupe dos Satyros que apresentassem um projeto para a utilização do prédio vazio.

As reuniões prosseguiriam por dois anos na sede do grupo, com a participação não apenas de integrantes dos Satyros (Ivam Cabral, Rodolfo García Vázquez, Cléo de Páris e Alberto Guzik), mas também de profissionais de diversas correntes artísticas, como J. C. Serroni (Espaço Cenográfico), Guilherme Bonfanti (Teatro da Vertigem), Hugo Possolo e Raul Barretto (Parlapatões), Marici Salomão (Dramáticas em Cena) e Raul Teixeira (Centro de Pesquisa Teatral – CPT/Sesc).

“A SP Escola de Teatro não é uma escola dos Satyros. A ideia surgiu de uma ação coletiva de diversos profissionais das artes cênicas”, diz Ivam. “Durante o período em que pensávamos no modelo pedagógico que adotaríamos, nos inspiramos em escolas de teatro do Brasil afora, além de uma na Bolívia e algumas na Alemanha. Criamos, então, um projeto que é um híbrido de tudo o que vimos. Mas pensamos numa Escola que trouxesse um modelo inédito, em que a pluralidade de vozes – tanto dos artistas convidados, quanto dos aprendizes – dá o tom ao ensino”, diz ele. “Isso sem perder de vista a necessidade de qualificação de trabalhadores nas áreas de sonoplastia, iluminação, técnicas de palco, cenografia, cenotecnia e figurino, entre outras.”

“Após anos e anos de discussões sobre o melhor formato para a Escola, chegou-se a conclusão de que os Cursos Regulares deveriam ser oito. É como se houvessem oito escolas em uma, sendo que os cursos são interdependentes e que cada um oferece 25 vagas”, diz Rodolfo García Vázquez, coordenador do curso de Direção da SP Escola de Teatro.