Vida, Posicionamento e Palco

Publicado em: 14/12/2010

Fim do intervalo. Descalços e sentados em uma roda, aprendizes do curso de Humor da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco mantiveram-se atentos para  participar de um roda de conversa descontraída com os atores Henrique Stroeter e Dan Stulbach, na terça-feira (14).
 

Segundo Raul Barretto, coordenador do curso de Humor, esse encontro foi um modo de gerar novas visões sobre o universo profissional dos aprendizes. “Como experiência de vida é bom entender e valorizar a arte acima da mídia e da televisão. E a trajetória desse pessoal tem esse posicionamento, uma visão de mundo de artista com pouco deslumbramento”, conta.
 

Durante a conversa, os amigos Henrique Stroeter e Dan Stulbach se recordavam de conversas e cenas que os ajudaram a dar um rumo em suas trajetórias artísticas e, nessa toada, abordaram temas como a relação com o palco, com o público e agruras e alegrias do ofício do ator.
 

Stulbach tomou a frente das discussões e contou pequenas histórias que, simbólicas, foram marco em sua carreira e vida: a sua relação com os trabalhos na televisão e no teatro, a amizade e aprendizado com o ator Paulo Autran e o modo como aprendeu a dar tempo e ritmo às suas ações no teatro.
 

 “Teatro é trabalho, ensaiar, decorar texto, respeitar o tempo e o ritmo de cada ator. Tem que haver generosidade com o público e, sobretudo, uma relação de respeito com o trabalho”, explica o ator.
 

Para Stulbach, ler, assistir a filmes e conhecer a arte em todos os aspectos faz o teatro ser mais ainda um ato de liberdade e expressão. “A vida não é feita para definições, não se deve citar e criar regras, o que importa, na verdade, é o encontro, fazer do teatro o seu lugar no mundo, abrir, revelar, ressaltar a sua arte e a sua opinião”, revela.
 

Vitor Carneiro de Castro, aprendiz do curso, achou que a conversa tem tudo a ver com o conceito artistas que formam artistas da SP Escola de Teatro. “O discurso do Dan me mostrou uma visão de teatro inteligente e prática: é importante descobrir o que se gosta e ter respeito consigo mesmo e com o público. Isto é, usar o palco para ser uma pessoa melhor”, diz.
 

Além de ator, Dan Stulbach é diretor. Sua estréia nos palcos foi como protagonista do espetáculo “Peer Gynt”, de Ibsen. No início da carreira, conheceu o ator Paulo Autran e, com ele, atuou em “Visitando o Sr. Green”. Em 2002, entrou em cartaz com “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”. Também realizou assistência de direção para Elias Andreato, Marco Nanini e Naum Alves de Souza. Atualmente, junto com Danton Mello e Henrique Stroeter, atua na peça “Os 39 Degraus”, baseada em obra de Alfred Hitchcock, e é diretor artístico do Teatro Eva Herz, localizado na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo.
 

Entre seu principais trabalhos, o ator Henrique Stroeter participou dos espetáculos “Getsemani” e “Fack You BaBy”, de Mário Bortolloto; “Tudo Pelo Bem da Ciência” e “Teatro do Castelo Ra-Tim-Bum”, ambos com direção de Mira Haar; “25 Homens”, com direção de Cacá Carvalho; “Arsênico e Alfazema”, direção de Roney Fachinni; e “Hotel Lancaster”, dirigido por Marcos Loureiro.  Com o grupo Parlapatões, atuou em “Os Mané”, “Não Escrevi Isso”, “Um Choppes, Dois Pastel e uma Porção de Bobagens”, “Proibido para Menores”, “O Auto dos Palhaços Baixos”, “U Fabuliô”, “As Nuvens e/ou Um Deu$ Chamado Dinheiro” e “Stapafúrdyo”. Atualmente, junto com Danton Mello e Dan Stulbach, atua na peça “Os 39 Degraus”, baseada em obra de Alfred Hitchcock.