Uma Introdução ao Universo de Philippe Genty

Publicado em: 28/06/2011

O feriado prolongado não abalou as estruturas da oficina “Coro de Memórias: Uma Introdução ao Universo de Philippe Genty”, ministrada por Eric de Sarria, ator da Cie. Phillipe Genty. Organizada pelo Teatro Sobrevento com apoio da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, a oficina que faz parte da programação da II Semana Internacional do Teatro de Animação, que teve início no sábado (25).

 

Foram 15 participantes, entre os selecionados, dois da SP Escola de Teatro, o aprendiz de Direção da SP Escola de Teatro Adalberto Lima e a orientadora do curso de Difusão Cultural Criação de Elementos Visuais para o Teatro Heloísa Cardoso. Com acompanhamento de Luiz Andre Cherubini, fundador do grupo Sobrevento e organizador do encontro, a oficina movimentou, em período integral, a Escola durante o fim de semana prolongado.

 

“A rara oportunidade de acompanhar e participar de uma oficina ministrada por um membro da companhia de Philippe Genty, reconhecida mundialmente, abre muitas possibilidades para o processo criativo, o que pode culminar com o levantamento de um espetáculo”, revela Lima.

 

O aprendiz explica que a oficina partiu de aquecimentos e jogos corporais e, assim, estabeleceu-se uma investigação com pedaços de papel Kraft, de tamanhos que variavam entre um metro e um metro e meio. “Com este material pretendíamos acessar as sensações, memórias afetivas e lembranças. O trabalho buscou constituir uma narrativa; um esboço de cena, porém, sempre usando algo que surgiu de forma individualizada. Desta forma, trabalhamos a manipulação direta e de cabeças de bonecos com corpo de papel Kraft”, explica.

 

Em um dialeto que mesclava as línguas francesa, americana e brasileira, Genty se desdobrava para ensinar aos participantes da oficina de que modo deveriam manipular um boneco e, com isso, desenvolver seus caminhos expressivos e suas próprias buscas, por meio de princípios como escuta, convicção, impulso, pontos fixos, dissociação, distanciamento, improvisação, memória, relação com o objeto e materiais e ocupação do espaço.

 

Genty dividiu a turma em grupos de três pessoas e, sentado, orientava cada trio sobre a maneira que deveriam se posicionar para dar vida ao boneco de semblante expressivo e com articulações de pescoço, pernas, joelhos, pulsos e mãos inspiradas nas dos seres humanos.

 

“Um curso semelhante a este foi a base da formação do nosso grupo, há quase 25 anos, bem como o foi para muitas outras companhias de teatro de animação do Brasil e de todo o mundo, que para fazê-lo tiveram que ir ao Peru, como nós, à Espanha ou à França. Por isto, esta oportunidade é rara e preciosa. E ficamos muito orgulhosos e  entusiasmados”, afirma Cherubini.

 

Para Lima, o moderno, o contemporâneo e o uso de materiais de baixo custo, como o papel e a imaginação adotados na oficina, possibilitam um teatro acessível, possível, pungente, imagético, cheios de metafóras e símbolos. “Agradeço ao Grupo Sobrevento, por trazer e apresentar o que realmente ocorre no mundo e no cenário nacional da animação para o público brasileiro. Cherubini é muito generoso, um artista incansável no que se refere a ensinar, agregar e repassar tudo o que sabe sobre a arte do teatro de bonecos e de animação”, revela.

 

Nascida em Buenos Aires e moradora de São Paulo há um ano, Noelia Perez, formada em artes cênicas, sempre se interessou pelo trabalho de Philippe Genty e diz que ficou surpresa pela sua seleção para a oficina. “Trabalho com teatro e dança. Só agora comecei a me envolver com o teatro de animação e suas vertentes”, comenta.

 

A dramaturga, produtora e Bacharel em Artes Cênicas Cristina Rangel também participou da oficina. Como representante da Cia. Bonecos Urbanos, conta que começou a pesquisar a dramaturgia das imagens e de formas animadas na cidade e, hoje, se prepara para mestrado na área e para a estreia do espetáculo “O Conto do Anjo Caído”, que trabalha simultaneamente com elementos do teatro de rua e de bonecos.

 

“Estamos muito agradecidos à SP Escola de Teatro e muito orgulhosos da oficina que realizamos, aliás, a primeira desta companhia francesa, uma das grandes referências mundiais do Teatro de Animação, no País”, conclui Cherubini.
 
 

Companhia Philippe Genty

 

Há três décadas a conceituada Companhia Philippe Genty é responsável por criações multidisciplinares, nas quais mistura teatro, dança, música e marionetes. O trabalho é baseado na relação entre corpo e objeto, explorada através de uma linguagem visual original e tocante. 

 

As criações da companhia pertencem ao mundo do sonho, onde atores e bailarinos, manipulando marionetes e objetos de várias dimensões, surgem em cena tecendo histórias fantásticas perante os olhos do público.

 

Philippe Genty

 

Um dos maiores mestres do ilusionismo teatral deste século, o francês Philippe Genty é considerado o criador do moderno teatro de fantoches em todas as suas dimensões. Apresentou seus primeiros espetáculos em cabarés e em programas de TV e, em 1968, fundou a Compagnie Philippe Genty, que se utiliza de vários tipos de fantoches, teatro, dança, mímica, sombras, luzes, música e sons em seus espetáculos.

 

Altamente influenciado pelas experiências de bonecos gigantes nos Estados Unidos, incluindo o Bread and Puppet Theatre, Genty começou, gradualmente, a usar materiais reciclados para fabricar as suas formas de animação e para a criação de pequenos bonecos que foram, desde o início, um enorme sucesso, permitindo que sua companhia ficasse rapidamente conhecida em toda a França e, posteriormente, no mundo inteiro.

 

Em 2000, Genty criou o espetáculo “Concert Incroyable”, no quadro da Grande Galeria da Evolução, em Paris, com 40 coristas e 12 atores-bailarinos. Em 2003, estreiou “Ligne de Fuite”, trabalho experimental em torno da luz, que o levou a uma turnê internacional de dois anos. De volta à França, Genty remontou “Zigmund Follies” e estreiou o espetáculo “La Fin des Terres”. Durante os anos de 2009 e 2010, Genty e Mary Underwood, sua esposa e parceira desde 1967, percorreram novamente o mundo com seus espetáculos e workshops, passando por lugares como a Austrália, Patagônia, Ásia, Europa e América do Norte.