Um Palhaço em Cada Parágrafo

Publicado em: 13/09/2010

O ator Esio Magalhães comandou o bate-papo online na tarde de quinta (9), com o tema “A Linguagem do Palhaço: Palhaço Comunica-ação”, no site da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

 

“Para falar do palhaço, escolhi este título pois, a meu ver, é assim que ele comunica: pelas ações que realiza”, explica Esio Magalhães. O artista iniciou seus estudos em Belo Horizonte, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em 1996, formou-se na Escola de Arte Dramática (EAD/ECA/USP). Em seguida, estudou Teatro Popular, com o ator, dançarino e músico Antônio Nóbrega, e Máscara e Commedia Dell’Arte, com a atriz, diretora e pesquisadora de teatro Tiche Vianna.

 
 
Durante a conversa, Ésio falou sobre suas referências e trajetória: “O palhaço só imita o outro para começar sua história como artista, mas, quando ele engrena de fato, não consegue mais seguir imitando. É como aprender a andar. Vamos pela imitação, dando os primeiros passos e depois caminhamos como e por onde queremos. No caso dele, a improvisação não é um fim, mas um meio, um recurso”.
 
 
Segundo Magalhães, o palhaço é uma máscara que joga o tempo todo no presente e é importante que ele tenha abertura para improvisar. “Não é que eu tenha lido o script antes e tenha decorado as respostas. Estou reagindo, respondendo às perguntas. O palhaço chega, percebe o público e joga com ele.”
 
 
“Acho que o riso é o mais inocente dos assassinos, ele tem o poder de criticar nossa maneira de viver, nossos costumes, nossas idéias e crenças e abre um grande espaço para falarmos de questões sérias,” comenta Magalhães. “Se todos são bufões, não temos o parâmetro para o riso”, emenda.
 
 
Quando questionado sobre as regras básicas da profissão, ele brinca: “A única regra básica que sigo desde a minha iniciação é … (suspense) … palhaço não tem regras! Não tem regras mesmo!” Afinal, para Magalhães, o ator pode ter nariz ou não, usar um sapatão ou um sapatinho, ser mais eloqüente ou mais quietinho e até espalhafatoso ou introspectivo, não importa, ele só tem que ser bom, encantar e dialogar com a plateia.
 
 
Magalhães também falou das tardes e noites que passou em frente à televisão durante sua infância. Seus domingos assistindo ao programa “Os Trapalhões” e às sessões da tarde com filmes do ator Jerry Lewis que serviram de referência para seu trabalho. “Depois que comecei a trabalhar, passei a ver Chaplin, O Gordo e o Magro… Mas palhaços de circo sempre foram minhas referências maiores. Além de outros artistas que conheci e que me deram ótimas contribuições”, conclui.
 
 
Até virtualmente, ele fez questão de não perder a piada. “O palhaço é um modo de vida. Eu ganho a minha assim! Mas temos muitos problemas! Eu, por exemplo, quando comecei a perder os meus cabelos. Sofri muito! Queria ser um galã! Já não tinha crescido muito e ainda ia ficar careca? Quanta sorte, hein?”
 
 
Para o artista, o clown é como o perdedor que mostra o quanto o ser humano é imperfeito, ele é ridículo, pois está inserido na vida real. Mesmo que em fantasia. “A vida real é o seu meio. Então não consigo vê-lo como válvula de escape, pois da vida ninguém escapa – a não ser quando morre! Costumo dizer que se todos fossemos palhaços, o ridículo seria o único que não fosse, entende?”
               
 
 
Após receber e responder as inúmeras perguntas dos participantes do bate-papo, ele finaliza a conversa: “Meus caros, pra mim essa conversa foi um grande prazer de pequena duração…”
 
 
As conversas virtuais acontecem todas as quintas-feiras num projeto que convida diferentes artistas para falar de suas referências e trazer dicas sobre a profissão. O próximo bate-papo online será com Joaquim Gama, coordenador pedagógico da SP Escola de Teatro e doutor em Artes pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), no site da SP Escola, quinta-feira (16), às 16h.
 
 
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