Um Encontro em Busca da Excelência

Publicado em: 31/01/2011

Um colóquio entre o escritor Cassiano Sidow e os coordenadores e formadores dos Cursos Regulares, com objetivo de propor um debate de ideias e novas ferramentas de aplicação de conhecimento sobre o teatro e o ritual do francês Antonin Artaud foi promovido pela SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, no dias 27 e 28/1.
 

No primeiro dia do encontro, as atenções se voltaram para a biografia, trabalhos e visões de mundo do francês. Sidow optou por relatar a vida do escritor para, a partir daí, tentar compreender o contexto em que ele vivia e o que, exatamente, ele pregava.
 

Para Sidow, Artaud tratava o teatro de forma bem peculiar. “Ele o usava para fornecer uma discussão filosófica sobre a recriação humana.” Com uma vida um tanto quanto incomum, o poeta Artaud, que foi viciado em heroína, se questiona, desde os oito anos, sobre o que é viver.
 

Vivendo sob a excessiva racionalidade francesa, uma forte característica da época, o, também, escritor extrapolou todos os limites de sobriedade e foi tratado, por muito tempo, como louco. Chegou a ser internado em um manicômio e escreveu cartas ao Papa, aos reitores de universidades européias, entre outros, tentando, no auge da sua loucura – hoje vista como total lucidez –, modificar a forma de se encarar o mundo em que se viviam.
 

O conceito do desmanchar o eu também foi debatido no encontro. Teorias do filósofo Gilles Deleuze e do diretor italiano Eugenio Barba contribuíram para a compreensão do teatro ritual de Artaud.
 

No segundo dia do evento, a questão pedagógica de como utilizar o que Artaud acreditava foi discutida, assim como a ideia do rigor, no que diz respeito à atuação artística. Com o discurso de que o teatro é um lugar de processo de transformação do homem e que extrapola o âmbito do espetáculo, Artaud abriu margem para enriquecer os pontos de vista dos formadores e coordenadores presentes.
 

Sobre a escolha do método de trabalho baseado no ideal de Artaud, o coordenador do curso de Atuação, Francisco Medeiros, comentou que é preciso ter simplicidade na escolha do material.
 

Quando se refere à preparação dos aprendizes para o mercado de trabalho, Medeiros é contundente. “É preciso prepará-los para que eles dialoguem com o mercado.” Já para o coordenador do curso de Direção, Rodolfo García Vázquez, os aprendizes devem sair profissionais completos. “Eles devem ter conhecimento crítico e técnico. Uma espécie de dicotomia.”
 

A coordenadora do curso de Dramaturgia, Marici Salomão, opinou sobre a atual situação. “O mercado cria mentes desesperadas. Muitos pensam em obter um emprego e ganhar dinheiro.”
 

Os colóquios continuam até sexta-feira (18/02) e contarão com nomes como Francisco Medeiros, diretor e coordenador do curso de Atuação da SP Escola de Teatro; Maria Victória Granero, dramaturga e diretora; Lucio Agra, professor, poeta e performer e Elena Vassina, pesquisadora e professora russa.