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Um Boneco, Um Personagem

Publicado em: 22/10/2010

Discutir o teatro de animação é um tema relevante, porque colabora para superar algumas visões equivocadas sobre ele, afirma Valmor Níni Beltrame. Para exercer essa profissão, por exemplo, não basta ter o “dom”, na verdade, essa atividade é bastante complexa e exige conhecimentos específicos.

 

Nesta quinta-feira (21), o Prof. Doutor Valmor Níni Beltrame, convidado para o bate-papo online no site da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, abordou o tema do teatro de animação, sua grande paixão. 

 

“Eu me apaixonei por essa arte em 1978, quando vi pela primeira vez um espetáculo. De lá pra cá, isso tem sido a minha vida. O que me encanta é a possibilidade de transfigurar um objeto, um boneco em personagem. Torná-lo crível diante do público é um prazer inenarrável”, conta Beltrame.

 

Ao iniciar o bate-papo, o pesquisador fez questão de explicar que tudo que se relaciona com teatro de animação deve ser visto como teatro. No entanto, é importante saber que essa é uma arte com um vocabulário, com saberes produzidos e com formas de interpretação muito particulares e que, nesse sentido, ele deve ser vista como forma singular.

 

Segundo o convidado, no Brasil, a formação se dá no interior dos grupos de teatro e em disciplinas oferecidas em cursos de teatro em universidades. Mas isso não configura uma formação profissional específica e, para o pesquisador, as oficinas e cursos oferecidos por grupos também cumprem papel importante.  “A formação no Brasil se dá de modo quase assistemático, devemos muito à ideia de ‘aprender fazendo’. No entanto, essa arte tem história e saberes que precisam ser ensinados de maneira formal”, ressalta.

 

Beltrame falou ainda sobre a imagem da produção brasileira do teatro de animação no exterior. “Acho que a imagem positiva dos trabalhos nacionais começou a ser construída, na década de 1980, por ocasião de um festival em Washington, no qual dois espetáculos brasileiros fizeram o maior sucesso. Além disso, uma exposição de mamulengo deixou todo mundo pasmo. A surpresa era como o Brasil mantém vivo um teatro tão original. Certo dia, encontrei com Peter Schumam, diretor do Bread and Puppet, e ele, no ano de 2006, ainda se dizia maravilhado com o que havia assistido em 1980.”

 

Ao abordar os aspectos imprescindíveis na formação em teatro de animação, Beltrame é direto: “São diversos, mas é preciso antes de tudo conhecer teatro. Teatro de animação é teatro” e conclui, “é preciso conhecer a expressividade dos materiais para a confecção de bonecos. “Essa escolha é determinante. Ela é a dramaturgia”.

 

Segundo o pesquisador, hoje, o número de gupos que surgem é imenso. No entanto a conquista de visibilidade e reconhecimento é muito difícil. “Penso que, às vezes, a curadoria dos festivais abre pouco espaço para grupos jovens, iniciantes. É mais seguro apostar nos grupos com nome e cuja trajetória é de sucesso. Isso precisa mudar”, declara.

 

Ao final da conversa virtual, o pesquisador fez indicações de material didático como o livro “O Ator e Seus Duplos”, de Ana Maria Amaral e as Revistas Móin-Móin, disponíveis no site http://www.ceart.udesc.br/ppgt/publicacoes_moinmoin.html