Tradição é Tradição

Publicado em: 12/08/2010

Fofoqueiras, famílias italianas, negros e nordestinos, brigas de vizinhos, brachiolas e polpetones irão invadir o palco do Teatro Sérgio Cardoso com o espetáculo “Bixiga – O Musical na Contramão” que estreia, amanhã (13), às 19h.

Mas porque um musical na contramão? Segundo o diretor artístico do teatro e responsável pelo projeto, Mário Masetti, a ideia é explorar a dança, o canto, a alegria. Aquilo que há de mais brasileiro no Bexiga (oficialmente Bela Vista). “Nós temos ótimos atores, e que cantam muito bem, escalados para o espetáculo, mas não queríamos nos inspirar na Broadway ou em enlatados americanos. Procurávamos algo mais. Queríamos um musical na contramão, uma explosão de alegria e comédia no palco”, explica.

O espetáculo resgata a tradição do bairro paulistano que acolheu o teatro, procura fazer um resgate da história do Bexiga e de sua tradicional efervescência como reduto da boemia, posto que ocupou durante muitos anos na capital. “Eu queria reviver belos momentos do teatro de revista em uma explosão de alegria junto à Jazz Sinfônica”, esclarece Mário Masetti.

“Bixiga – O Musical na Contramão” ainda conta com a presença do maestro João Mauricio Galindo, da Jazz Sinfônica, como regente da orquestra que interpreta, ao vivo, as composições assinadas por um time de peso, formado pelos músicos Nelson Ayres, Ruriá Duprat, Miguel Briamonte e Rodrigo Morte. “Bixiga é o resultado de dezenas de corpos e cabeças que pensaram e trabalharam duro ao longo dos últimos meses. Parece que deu certo nosso desejo de realizar o musical para trazer de volta aos corredores do Sérgio Cardoso a movimentação cultural que o fez ser importante”, completa Masetti.

Coordenada por Solange Santos, uma ampla pesquisa sobre toda a região do Bexiga foi o ponto de partida para a criação do roteiro. O texto foi escrito em uma parceria entre Edu Salemi, Enéas Pereira e Ana Saggese. No palco, o público pode conferir os bastidores da caixa italiana, suas bambolinas, cortinas e fosso e uma área de trabalho para os atores num espaço que lembra um cortiço, onde se delimita a cômica guerra de bracholas com vatapá. Ao redor de uma estátua de Adoniran Barbosa que fala, muitas janelas, uma grande pia e um banheiro comunitário. “Essa divisão é uma metalinguagem, o espetáculo fala do teatro, dessa forma, fazemos com que ele faça parte do musical efetivamente”, afirma Mário.

 

Desde janeiro, o Teatro Sérgio Cardoso sediou oficinas para gerar mão-de-obra, formação de equipe técnica e elenco para o espetáculo. Esse projeto recebeu o nome de LAC – Laboratório de Artes Cênicas. Essas oficinas fizeram com que mais de 200 artistas, entre alunos, mestres, pesquisadores e professores, estivessem envolvidos na criação e produção do musical.

Assim, grande parte dos maquiadores, camareiras, técnicos de som, iluminação e cenário, costureiros, cabeleireiros, contrarregras e atores que trabalham no espetáculo foram formados nas oficinas instaladas nas salas de ensaio do teatro. No total são 12 figurinistas, 15 cenotécnicos, 4 maquiadores, 9 iluminadores, 7 maquinistas, 5 contrarregras, 7 produtores e 4 sonoplastas.  “Abrimos oficinas para aprimoramento de técnicas ministradas pelos próprios profissionais que trabalhariam no espetáculo, aquele que entendia de costura ministrava aulas para aqueles que têm conhecimento de iluminação, por exemplo. Criamos um ciclo dessa forma e uma equipe auto-suficiente.”, conta Mário.

O LAC, assim como o musical, é fruto do movimento de retomada do Teatro Sérgio Cardoso realizado pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e produzido pela Associação Paulista dos Amigos das Artes (APAA), a Organização Social que administra o teatro junto com a APA – Sérgio Cardoso.

 

A mistura de gerações e a oportunidade de trabalhar ao lado de nomes consagrados como Galingo e Nelson Ayres é muito prazerosa, segundo o ator Ricardo Pettine, que também é gerente de produção na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco. “É muito bom poder dançar, cantar, interpretar. Usar o corpo e a voz a serviço desse espetáculo tão rico”, acrescenta.

 

Serviço:
“Bixiga – Um Musical na Contramão”
Local: Teatro Sérgio Cardoso
Endereço: Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista
Estreia: Sexta-feira, 13.08, às 21h (aberto ao público)
Horários: Sextas e sábados às 21h e domingos às 19h
Em cartaz: De sexta-feira, 13.08 a domingo, 31.10
Ingressos: R$20,00 (inteira) e R$10,00 (estudantes) na bilheteria do teatro
Classificação: Não recomendado para menores de 14 anos
Duração: 90 minutos
Informações: 3288 0136