Tiche Vianna

Publicado em: 26/11/2010

Na manhã de hoje (26), uma palestra com a diretora e pesquisadora Tiche Vianna abriu uma série de debates sobre a teoria do teatro e reuniu aprendizes do curso de Atuação, Dramaturgia e Direção da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

 

Foram 4 horas de conversa na qual a articulada Tiche abordou a Commedia Dell´Arte, transitando sobre os temas dramaturgia, linguagem, expressão, repertório e preparação de atores. “A Commedia é mais do que a utilização de máscaras, ela é um modo de se fazer dialogar a cena com o público, é um gênero de espetáculo. A máscara é um dos seus elementos e tem em si várias possibilidades de utilização”, explica.

 

Tiche Vianna é formada pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (EAD/ECA), em 1987. Especializou-se na linguagem das máscaras e na Commedia dell´Arte, na Itália, pela Università degli Studi di Bologna (1989/90) e pelo Firenze of Papier Machê (antigo Alice Atelier – 1988/89). Lecionou (1992/1994) e coordenou (1997) a Escola Livre de Teatro de Santo André/SP e foi professora de improvisação, interpretação e máscaras no Departamento de Artes Cênicas da Unicamp (1994/1999). Desenvolve trabalhos de orientação de Pesquisa e Projetos de Montagem junto à ECA e à EAD.
 
A Commedia dell’Arte nasceu na Itália, no século XV, baseada na improvisação e no uso de máscaras e personagens tipo de maneira não naturalista. Segundo Tiche, essa forma de teatro improvisado contribui até hoje para a construção do teatro moderno e há dois percursos para falar desse gênero teatral: um, em relação à metodologia do trabalho na atuação, conduzido pelo olhar da direção a partir de um tema; e outro, que diz respeito à escola de criação e técnica.

 

A diretora também falou do uso do canovaccio, uma estrutura teatral que data do século XV na qual se esboçam diálogos e nome das personagens e cabe aos atores improvisar e desenvolver espetáculos, com esses elementos, por meio da improvisação. “O Barracão cria seus canovaccio porque atualiza as máscaras. Os temas são sempre tirados da nossa relação com a vida cotidiana que tanto pode ser popular quanto erudito. Acreditamos que mesmo pessoas que não têm acesso às artes são inteligentes e capazes de usufruir de uma obra de arte. O importante é encontrarmos o jeito de nos comunicarmos”, revela.

 

Para a diretora, o improviso deve ter ponto de partida e não pode surgir de qualquer lugar, é para isso que serve o repertório. “Ele estimula a expressão do ator, é o que traz segurança. Afinal, quando o ator tem um amplo repertório, cria coisas que nem imaginava conceber”, comenta.

 

Ao final da manhã, após mostrar uma parte da sua coleção de máscaras, Tiche declarou estar feliz com a iniciativa da SP Escola de Teatro em movimentar e trazer mais dinâmica às aulas. “A escola é um terreno muito fértil, acredito que explorar o coletivo e as intersecções entre esses aprendizes é fundamental. Afinal, é assim que um artista constrói sua relação com o mundo.”

 

 Tiche é sócia fundadora, ao lado de Ésio Magalhães, do Barracão Teatro (http://www.barracaoteatro.com.br/) – espaço de investigação e criação teatral –, onde se pesquisa o tema do ator como veículo da expressão teatral, tendo por base a linguagem de máscaras, a Commedia dell’Arte, o palhaço e o teatro popular. Coordena os trabalhos do Núcleo de Estudos do Barracão Teatro sobre a dramaturgia e a cena, o ator e o público contemporâneo.
 
Como atriz, participou de “Uma Rapsódia de Personagens Extravagantes” (1992), criação coletiva dirigida por Cristiane Paoli-Quito; “Ôneiron” (1993), dirigido por Leopoldo Pacheco; e “Instrangeira” (2002), espetáculo realizado dentro do projeto Solos do Brasil.
 
Como diretora/pesquisadora, realizou, entre outros, os seguintes espetáculos: “A Lenda do Amor Entristecido”; “Ninguém”; “Birosca-Bral”;“Olhos de Coral”, “Tantas Outras Quantas”; “Freguesia da Fênix”; “Encruzilhados: Entre a Barbárie e o Sonho”;“Lúdico Circo da Memória” e “Sinfonia para Ninguém Ouvir”.
 
Foi responsável pela preparação dos atores das minisséries “Hoje é Dia de Maria”, (primeira e segunda jornadas), “A Pedra do Reino” e “Capitu”, exibidas pela Rede Globo, entre 2005 e 2008, dentro de um projeto que recebeu o nome de Quadrante, sob direção de Luiz Fernando Carvalho.