“Tecnologia sempre acompanhou as artes cênicas”, diz Kenia Dias

Publicado em: 16/05/2020

Muitos artistas do teatro têm buscado as lives na internet nesta quarentena como forma de permanecer atuando junto ao público. Nesta entrevista ao jornalista Miguel Arcanjo Prado, a coordenadora interina do curso de Atuação da SP Escola de Teatro apresenta sua visão sobre as novidades tecnológicas no campo das artes cênicas neste período de distanciamento social por conta da pandemia do novo coronavírus.

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Kenia é bacharel em Interpretação Teatral e mestre em Arte pela Universidade de Brasília, e já foi docente em instituições como a UnB, Galpão Cine Horto, Cefar-Palácio das Artes e Faculdade de Artes Dulcina de Moraes.

MIGUEL ARCANJO PRADO – Nesta quarentena a câmera virou o palco do artista do teatro?
KENIA DIAS –
Acho que a câmera não chega a ser um palco, mas uma lente de aumento como a de uma luneta, ou a de um  microscópio… que estabelece contato duradouro, ou súbito entre artistas e observadores, ou entre vitalidades diversas.

MIGUEL ARCANJO PRADO – Como a tecnologia vem interferindo no trabalho do ator? Isso ficou mais forte com a pandemia?
KENIA DIAS –
Acho que a tecnologia sempre acompanhou as artes da cena e os processos de atuação, seja na antiguidade, ou na contemporaneidade, mas sempre sendo gerada e geradora de ideias e revoluções. Nesse momento específico de pandemia, intuo que a tecnologia tenha a função, ou necessidade urgente, de tentar estabelecer, antes de tudo, aproximação entre as pessoas… Entre as diversas espacialidades, tempos e ideias… Tentativas…

MIGUEL ARCANJO PRADO – Essa intermediação digital interfere na atuação teatral?
KENIA DIAS –
Talvez sim, pois são outras perspectivas de presença, de estar presente, de se sentir presente na própria virtualidade…

MIGUEL ARCANJO PRADO – É preciso criar novas formas de atuação pensando exclusivamente na comunicação via internet?
KENIA DIAS – Talvez estratégias de trabalho diferentes… Outras qualidades de investigação que exijam, sobretudo, o redimensionamento da relação entre  artista e observador.

MIGUEL ARCANJO PRADO – Você acha que as lives artísticas vão permanecer após o fim da pandemia? Por quê?
KENIA DIAS –
Acho que quando pudermos nos encontrar novamente não perderemos jamais a chance de estarmos juntos, perto, cinestesicamente.

MIGUEL ARCANJO PRADO – Já teve gente dizendo que as lives cênicas não são teatro. Outros revidaram, dizendo que são, sim. E você, pensa o quê?
KENIA DIAS –
Quem sou eu para dizer o que seja, ou não teatro? [risos]

MIGUEL ARCANJO PRADO – O que você deseja para o futuro do teatro?
KENIA DIAS –
Desejo horizontes imensos para que ele continue a acontecer em suas urgências e poéticas.

 

#culturaemcasa #teatroemcasa




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