Técnicas de Palco | Entrevista com a produtora teatral Gabriela Fiorentino

Publicado em: 04/07/2016

Por Jeniffer Yasmine
 
Ofício de grande importância para as artes cênicas, o produtor teatral é o destaque dos “Bastidores” desta semana. Para desvendar um pouco mais deste universo, conversamos com a produtora Gabriela Fiorentino, que é aprendiz egressa da SP Escola de Teatro e nos conta um pouco sobre sua profissão.
 
Contrarregra no musical “Família Addams”, Gabriela tira um tempo para brincar de Stage Manager
 
Jeniffer Yasmine: Na sua opinião, qual a importância do produtor em um espetáculo?
 
Gabriela Fiorentino: O produtor é o responsável por todo o processo de elaboração e execução de um projeto cultural. Ele tem a visão ampla sobre tudo, desde assuntos relacionados à produção do cenário e do figurino, até a alimentação dos atores durantes o ensaio e nos dias de espetáculos, além de ter a função de inscrever os projetos em editais. É o produtor quem faz tudo o ocorrer no prazo correto e, principalmente, dentro do orçamento estabelecido, criando uma conversa entre todas as áreas envolvidas no processo, além pesquisar meios de manter financeiramente os projetos.
 
JY: Antes de ser aprendiz da SP Escola de Teatro, você já tinha interesse por Produção Teatral? Como surgiu esse interesse?
 
GF: Tinha, sim. Eu sempre gostei de entender sobre tudo que envolve uma produção teatral. Comecei sendo atriz, mas sempre envolvida na produção. Durante o curso de Técnicas de Palco, tive um contato maior com a produção em função dos experimentos e foi aí que comecei a “encaixar as peças”, de que a produção seria um dos meus caminhos de atuação. Durante uma atividade de contrapartida da Bolsa-Oportunidade [programa de apoio ao aprendiz gerido pelo Programa Kairós], minha amiga Karen Estevam me convidou para ajudá-la em um trabalho sobre produção cultural. O desenvolvimento desse trabalho, orientado pela formadora Laura Carone, foi outro grande propulsor para minha escolha de ser produtora. 
 
No musical “Maisa no Ar”, Gabriela, no canto esquerdo, é assistente de direção e integra o elenco
 
JY: Como foi sua trajetória depois de concluir o curso na SP Escola de Teatro? Você acha que sua formação contribuiu para sua carreira a partir dali?
 
GF: Saí da Escola com uma grande bagagem oferecida pelo curso e pelo estágio no musical “Família Addams” (2012), que ficou em cartaz no Teatro Abril (atual Teatro Renault). A partir daí, dei continuidade à minha participação no coletivo Ciclistas Bonequeiros, que dura até hoje e é idealizado e dirigido por Gustavo Guimarães Gonçalves, que também foi aprendiz da Escola. 
 
Em seguida, fui trabalhar no Teatro Ressurreição como assistente de produção, onde tive uma experiência enorme e pude entender melhor como funciona um teatro, desde a parte administrativa até a bilheteria. Durante esse tempo, o diretor do teatro, Robson Vellado, estava produzindo e dirigindo o espetáculo “Mágico de Oz”, e eu fiquei responsável pela execução e cocriação do cenário do espetáculo. Em seguida, fui convidada pela Laura Carone para ser sua assistente no quadro “Sucesso na Certa”, no programa do Rodrigo Faro, na Record. Sem a menor dúvida, essa foi a maior experiência que tive com produção. Em 2014, entrei como contrarregra e assistente de produção da peça “Não Sou Bistrô”, de Paulo Emílio Lisboa. Fiz alguns trabalhos com o Rossi como aderecista, além de produções de cenografia, como a da peça “Grandes Pequeninos”, do Jairzinho Oliveira e Tânia Kallil. Fiz produção de cenografia para publicidade e assistência em produção de casting também. Outro mundo, outros aprendizados.
 
Nesse momento estou produzindo a peça “Carta ao Pai”, no Teatro Sérgio Cardoso, em parceria com Ton Prado. Durante todos os trabalhos, a bagagem adquirida no curso de Técnicas de Palco foi, sem dúvida alguma, um diferencial importantíssimo. É essencial entender a parte técnica de funcionamento de um teatro.
 
Gabriela também fez a produção de cenografia da peça “Grandes Pequenos”, com Jair Oliveira e Tânia Kalil
 
JY: Você faz parte da equipe do musical “Maisa no Ar”, da atriz Maisa Silva. Que tipo de trabalho você faz lá e como está sendo?
 
GF: Estou lá como assistente de direção e parte do elenco. Estamos em turnê pelo Brasil. Nesse projeto, tenho a oportunidade de assumir um cargo novo, que sempre tive muita vontade, o de assistente de direção. Também volto a atuar, que era outra grande vontade. O espetáculo é dirigido pelo Paulo Emílio Lisboa.
 
JY: Atualmente, como você enxerga o mercado de trabalho para quem deseja seguir a carreira de Produtor Teatral?

GF: O Produtor é uma figura indispensável para qualquer projeto artístico, logo, existe mercado para a área. Mas é necessário aprender a produzir e colocar em prática também suas ideias, escrever seus projetos, criar. Por mais que tenha trabalho, o mercado é fechado, você precisa se tornar conhecido e criar suas formas. Escrever, conhecer os editais, as leis de incentivo, pode ser um grande diferencial. 

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