Teatro no Rádio e na Web

Publicado em: 07/12/2010

Durante este semestre do curso de Sonoplastia, os estudos dos aprendizes foram dedicados ao elemento épico no teatro e, mais especificamente, aos modos pelos quais um narrador atua sobre uma obra.  O coordenador Raul Teixeira e o formador Martim Eikmeier escolheram como ponto de partida o romance “Os Ratos”, de Dyonélio Machado, com o propósito de adaptá-lo para a linguagem radiofônica.
 
 

Dando continuidade a esse projeto, os aprendizes de Sonoplastia formaram grupos com o intuito de montar programas de rádio teatro com textos de aprendizes de Dramaturgia, curso coordenado por Marici Salomão. “Essa é uma chance de colocar em prática um método de trabalho que, ao misturar aprendizes de diversos cursos, deságua em um resultado novo e positivo para a formação desses alunos”, explica Marici.
 
 

Assim, os grupos de sonoplastas foram convidados a conhecer profundamente as qualidades sonoras dos textos “Sua”, de Emerson Alcalde; “Prepositrem”, de Maria Shu; “Samba do Ary”, de Paulo Augusto; “Amargo”, de Geraldo Neto; e “Da Saudade”, de Tadeu Ribeiro, todos integrantes da turma de Dramaturgia.
 
 

Segundo Eikmeier, esse projeto de rádio teatro traz aos aprendizes de sonoplastia a possibilidade de consolidar, de forma mais radical, conceitos sonoros e teorias adquiridas em sala de aula. “A linguagem radiofônica oferece ao aprendiz de Sonoplastia o desafio de alcançar, por meio da linguagem sonora, uma experiência narrativa com a mesma força e contundência do texto original”, revela.
 
 

“Ainda estamos discutindo os textos para pensar em que tipo de material vamos usar”, revela Bruno Boaro. “O legal é que a linguagem é 100% sonora, o texto serve como música”, conclui.
Além desse projeto, aprendizes de Atuação, Dramaturgia e Sonoplastia se preparam para realizar espetáculos via web. Para isso, tem aulas semanais de web teatro com os atores Beto Matos e Marcos Azevedo do Phila7.
 
 

A abordagem de web teatro (ou teatro digital) de Beto e Marcos diz respeito a espetáculos teatrais que fazem uso da internet não unicamente como meio de transmissão, mas como linguagem. Assim, se enquadram neste conceito desde experiências que transmitem uma apresentação pela internet (streaming) até aquelas que conectam elencos em diferentes lugares, construindo espaços virtuais, ampliando assim as fronteiras do espaço teatral.
 

Para esse componente criou-se um blog que contém material teórico, informações sobre grupos que pesquisam nesta área, as discussões e os registros dos experimentos realizados ao longo das aulas (http://teatroweb.wordpress.com/).
 

Os aprendizes são estimulados a criar os experimentos cênicos com internet a partir dos textos escritos pelos aprendizes de dramaturgia: “Acerto” de  Angela Belei, “Cartas sobre o final” de Bruno Feldman, “Coma” de Dias Filho, Histerectomia” de Aninha Terra e “Cinco” de Alex Araújo.
 

Beto Matos e Marcos Azevedo são fundadores do Phila7, grupo pioneiro no uso da internet para criação e apresentação de uma peça teatral. Sempre tendo o corpo presencial e a virtualidade como foco central, o PHILA7 experimentou relações de contaminação de diversas linguagens artísticas até chegar à construção de espetáculos onde a internet transforma-se efetivamente em palco virtual.  “Play on Earth” (2006) uniu pela primeira vez, três elencos em três continentes: Phila7 em São Paulo, Station House Opera em NewCastle na Inglaterra e Cia Theatreworks em Cingapura. Três audiências, cada uma em sua cidade, assistiram às atuações em tempo real, formando um quarto espaço imaginário. Também são espetáculos do Phila7: “What´s Wrong with the world”, “Wetudo – DesEsperando Godot”, “OP1” e “Alice atreves do Espelho”.
 

A previsão é que os trabalhos dos aprendizes de rádio e web sejam apresentados dia 18, durante o último Território Cultural do ano, na sede provisória da SP Escola de Teatro.