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Teatro Municipal de São Paulo

Publicado em: 09/11/2010

Atuação, cenografia, figurino, técnicas de palco, iluminação, sonoplastia e direção são temas recorrentes nas matérias desse site. Fala-se muito de gente, de artistas em prática. Mas o que seria desses artistas sem os espaços teatrais?
 

Motivados com essa questão, a equipe de Comunicação e Ideias da SP Escola de Teatro, lança, a partir de hoje, uma série de matérias sobre a história dos teatros brasileiros. Para começar, escolhemos o Teatro Municipal de São Paulo e seu belo prédio, cheio de histórias.
 

Leia e vá ao teatro.
 

O Teatro Municipal de São Paulo nasceu embalando os sonhos de uma cidade que crescia com a indústria e o café e que nada queria dever aos grandes centros culturais do mundo naquele início de século.

 

São Paulo se fortalecia com o fim do ciclo da borracha e com a ascensão de seus barões, mas acabara de perder, para um incêndio, em 1898, o Teatro São José (Praça João Mendes), palco das suas principais manifestações artísticas e tornava-se imperativo construir um espaço à altura das grandes companhias estrangeiras. 

 

Então, desde o ano de 1895, o sonho de ter um esplendoroso teatro em São Paulo, rodeava as cabeças da classe alta. Em 1903, com a aprovação da Câmara Municipal, o prefeito da época, Antônio Prado, deu carta branca à desapropriação de um terreno no antigo “Morro do Chá” para o início das obras do que hoje é o Teatro Municipal de São Paulo.

 

Assim, uma grande equipe junto com o arquiteto Francisco Ramos de Azevedo e os italianos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi trabalharam durante oito anos e o teatro foi inaugurado no dia 12 de setembro de 1911.

 

A ideia era criar um teatro para abrigar óperas, e, para a grande inauguração, o teatro receberia a ópera “Hamlet”, de Ambroise Thomas. Foi aí que a confusão começou!

 

Muitos artistas brasileiros da época ficaram revoltados com a ideia de receber um espetáculo estrangeiro para a inauguração de um teatro no Brasil. Faziam questão de que primeiro espetáculo do Teatro Municipal fosse nacional, a ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes.

 

Deste modo, o programa de inauguração recebeu mais um destaque com a inclusão dessa ópera brasileira. A apresentação durou até a madrugada com uma multidão de 20 mil pessoas, que se acotovelava às suas portas. São Paulo, enfim, se integrava ao roteiro internacional dos grandes espetáculos.

 

Pelo palco do Teatro Municipal passaram nomes como Maria Callas, Enrico Caruso, Arturo Toscanini, Claudio Arau, Arthur Rubinstein, Ana Pawlova, Nijinsky, Isadora Duncan, Nureyev, Margot Fonteyn, Baryshnikov, Duke Ellington, Ella Fitzgerald, Vivien Leigh. Tantos nomes, tantos espetáculos e ainda foi cenário do movimento que promoveu uma grande transformação cultural no Brasil: a Semana de Arte Moderna de 22. 

 

A construção do Teatro Municipal foi considerada arrojada para a época. Recebeu influência da Ópera de Paris e sua arquitetura exterior tem traços renascentistas barrocos do século XVII. Em seu interior, muitas obras de arte. Bustos, bronzes, medalhões, paredes decoradas, cristais, colunas neoclássicas, vitrais, mosaicos e mármores garantem um banquete para os olhos do espectador mais atento. 

 

Com todo esse requinte, poucas pessoas podiam pagar para assistir aos espetáculos nesse teatro que buscava trazer os principais destaques da arte européia e americana.  Por isso, em 1951, ele passou por uma modernização que ficou a cargo do arquiteto Tito Raucht. Nela, o teatro diminui seu o número de camarotes em troca de um espaço destinado para as cadeiras, na platéia central, recebeu novos pavimentos para ampliar os camarins e o órgão G. Tamburini.

 

Outras reformas, tanto na decoração interna quanto a externa, foram realizadas entre os anos de 1986 e 1991, com a responsabilidade do Patrimônio Histórico do Município. Além disso, modernos equipamentos de palco foram instalados.

 

Hoje, o Teatro Municipal coordena escolas de música e dança e busca desenvolver cada vez mais o trabalho de seus corpos estáveis: a orquestra Sinfônica Municipal e Experimental de Repertório, o Balé da Cidade de São Paulo, o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, Lírico e o Paulistano. O calendário de eventos traz nomes brasileiros e internacionais, sempre valorizando o trabalho de seus próprios conjuntos na programação. 

Confira a programação e acesse site do Teatro Municipal aqui

 

Endereço: Praça Ramos de Azevedo, s/nº | São Paulo.