Teatro Épico é Tema do Território Cultural

Publicado em: 05/08/2010

O primeiro Território Cultural do Módulo Amarelo da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco será realizado neste sábado (7), com a transmissão do filme “Dogville”, do diretor dinamarquês Lars Von Trier, que tem Nicole Kidman no papel principal.  Após a exibição, José Fernando de Azevedo, diretor e um dos fundadores do Teatro de Narradores, coordenará um debate sobre o longa-metragem.

José Fernando cursou cinema na Faap e Filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Realizou doutorado em Filosofia na USP e é professor da Escola de Arte Dramática da ECA/USP. Ele discutirá com os aprendizes da Escola a relação da estética construída na narrativa do filme com os elementos do teatro épico.

A comparação de “Dogville” com o teatro é imediata. Gravado em um galpão localizado na Suécia, o que mais chama a atenção é a simplicidade dos cenários. Ao invés de optar por uma estética realista, o diretor utiliza marcações no chão para indicar uma casa ou um arbusto, por exemplo.

Outros artifícios incrementam a atmosfera teatral. Como as filmagens foram realizadas em um galpão, as mudanças de tempo ocorrem somente com o uso de luz artificial. Dessa forma, a estética cinematográfica confunde-se com os elementos teatrais. Além disso, o filme conta com um narrador onisciente.

Para Marici Salomão, coordenadora do curso de Dramaturgia da SP escola de Teatro, o filme apresenta uma linguagem teatralizada, com características do teatro épico. “As interpretações e a cenografia são teatrais. O tipo de narratividade, o estranhamento que o diretor cria com a câmera e a maneira de refletir o mundo por meio da arte, aproximam-se do teatro épico”, afirma. “A forma dramática, no caso do filme, está contaminada pelo anti-ilusionismo. É um filme que convida ao pensamento, muito mais do que à simples fruição pela mimese.”