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:( TEATRO :)

Publicado em: 23/08/2010

Por Fernanda Lopes Corrêa, aprendiz do Curso de Atuação da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco

 

Abre parênteses:

 🙁 TEATRO 🙂
 
Nos primeiros anos de estranheza e traquinagem, naquela experiência única chamada escola, entre recreios e tabuadas, os “ditados-surpresa” nos aterrorizavam, a nós que éramos os recém-chegados ao mundo das palavras.
 
A professora gentil de avental azul, sujo de todas as cores de giz, ordenava que os pequenos estudantes pegassem suas folhas de linguagem. Era hora do ditado: – Dois dedinhos ao lado da linha vermelha para medir o parágrafo inicial, classe!
 
E iniciava-se o momento da prova de fogo! Os primeiros ditados eram somente palavras sem contexto algum. Depois, conforme evoluíamos, tornavam-se textos até com título e diálogos, um grande passo para nós que estávamos, ritualisticamente, sendo alfabetizados. Daí, entra uma coisa que não entendemos ao certo sua utilidade, mas percebemos que traz novidade: os tais dos parênteses, que nos dão uma pausa obrigatória com a função de deixar claro o que estava nebuloso, nos fazendo entender, ou pelo menos refletir melhor a respeito do que a professora primária ditou anteriormente. Palavras que explicam palavras. É por esses óculos coloridos, lúdicos e cheios de possibilidades que vejo essa arte chamada Teatro. A vida, o mundo, o ser humano é um texto complicado, cheio de termos que nem os teóricos mais chatos usariam. Tudo isso faz parte de cada um de nós, todas essas confusões naturais e belas. Belas? Isso!
 
O Teatro faz uma pausa obrigatória para respirarmos o mundo, ele não vem como explicação como nos parênteses da língua portuguesa, mas como reflexão, como contemplação deste belo escondido no caos. A arte não é algo utilitário, mas algo necessário. Ela traz o frescor da novidade, nos faz retomar o fôlego e sermos melhores no texto e contexto complicado e, digo mais uma vez, belo, em que vivemos. Faz-nos enxergar aquilo que está escancarado, como as carinhas que reproduzem as máscaras da comédia e da tragédia nos parênteses do título deste texto que vos escrevo. Ela escancara, cutuca, incomoda, emociona, e, se permitirmos, transforma. A arte é transformadora.
 
Quando crianças, a professora nos alfabetiza no campo das palavras, mas nós sozinhos nos alfabetizamos na brincadeira de ser. Algumas crianças, no entanto, cresceram e não pararam de brincar, e vivem se alfabetizando nessa brincadeira dia a dia. É assim aqui, que não por acaso é chamada Escola, que nos alfabetizamos a cada manhã, rodeados dos vários rostos, cheiros e sabores do Brás, Brasil.
 
Professor e aluno estão de fora, bem-vindos são os artistas que na generosidade querem ensinar e aprender. Querem compartilhar. Os ditados aterrorizantes desse ofício que é certamente incerto estão aí para querer nos convencer de que não dá para viver de teatro, que é em vão, que precisamos pagar contas. As angústias são realidade na via crucis do artista. Mas quando a hora e a aura do recreio se instauram o pátio vira palco, a vida vira arte. É hora de se divertir e mais uma vez brincar de ser.
 
Mas quem é a Fernanda e como o teatro surgiu na vida dela?
 
O teatro é presença e está presente em minha vida desde as brincadeiras no quintal de casa. Mas brinquei sério na Pastoral da Juventude do Santuário Santa Edwiges-Sacomã, na Fundação das Artes – SCS, no CEU Meninos, na Oficina Cultural Amacio Mazzaroppi e na oficina da Cia. GRITE de São Caetano do Sul, onde evoluí como artista e ser humano. Estou na vida de universitária cursando Rádio e TV e sou aprendiz do curso de Atuação na SP Escola de Teatro. Minhas áreas de interesse são a arte, a comunicação e a educação. Não tenho nenhum projeto pessoal atualmente. Alguém me adota?