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SP Palco estreia na SP Escola de Teatro com Gilson de Barros, do espetáculo Riobaldo

Crédito: Renato Mangolin

A SP Escola de Teatro estreou nesta quinta-feira (31) o SP Palco, quadro de entrevistas no YouTube da instituição. A nova proposta é ter um espaço para receber artistas que estão em cartaz. Como primeiro entrevistado, o projeto recebeu Gilson de Barros, do espetáculo Riobaldo, com sessões no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.

O SP Palco é um projeto idealizado por Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro, e realizado pela Extensão Cultural e Projetos Especiais, coordenada por Miguel Arcanjo Prado. A ação conta ainda com a colaboração e  participação de Elba Kriss, analista de Projetos Especiais, e Rodrigo Barros, assistente de Projetos Especiais.

O ator, gestor e dramaturgo Gilson de Barros participou de um bate-papo ao vivo sobre seu projeto atual –e no qual trabalha há seis anos, o espetáculo Riobaldo, uma adaptação da obra Grande Sertão Veredas, de João Guimarães Rosa (1908-1967). Pelo olhar do artista, o texto do escritor mineiro virou um monólogo sobre os relacionamentos do personagem central, o ex-jagunço Riobaldo.

Crédito: Renato Mangolin

Em 65 minutos de peça, Barros, sob direção de Amir Haddad, leva ao público os pensamentos, dilemas e conclusões do homem sobre a vida amorosa. No palco, Riobaldo relembra seus três grandes amores: Nhorinhá, Otacília e Diadorim, este último um afeto homossexual. A montagem é um recorte de uma das melhores obras da nossa literatura.

“Sou suspeito ao falar de Guimarães Rosa porque sou apaixonado. Ele é, seguramente, um dos maiores do nosso Brasil e um dos grandes, mundialmente falando. O livro Grande Sertão: Veredas está entre os 100 maiores livros do século. Fiz a adaptação dessa peça e para o recorte, peguei só os amores de Riobaldo, o personagem narrador e principal”, iniciou o ator de 62 anos.

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“Peguei, principalmente, Diadorim, Nhorinhá e Otacília, as três pessoas mais importantes, em termos amorosos, da vida dele. Nhorinhá é uma prostituta com quem ele só esteve uma vez, mas amou essa mulher de verdade. Otacília, a esposa, aquela filha de fazendeiro e mulher para casar. E Diadorim, um outro homem, um outro jagunço. Então, você imagina [nos dias de] hoje um miliciano matador e bicho ruim? Imagina dois matadores se apaixonarem? Essa é a história de Grande Sertão: Veredas. Tem lá suas surpresas, mas essa é a base”, destacou.

Levar ao teatro o romance entre dois homens é para Barros um ponto importante nos dias atuais. As nuances da história emocionam o público, o que satisfaz o profissional como artista. “Embora o nosso País esteja num retrocesso total, na questão estrutural e política, a questão humana evoluiu muito. As pessoas adoram a história dos dois. Amam e se emocionam demais. É muito comum, ao final [do espetáculo], o pessoal me abraçar emocionado e ainda chorando”, contou.

Crédito: Renato Mangolin

“Não percebo nenhum preconceito. Pelo contrário, percebo um maravilhamento do amor. Eu digo: a questão sexual está abaixo da questão amor. Ele [Guimarães Rosa] trata tão bem o amor. E, aí, se é amor de dois homens, duas pedras, dois cachorros, dois ônibus… tanto faz. O amor é o mesmo. Não tem essa. E isso é lindo”, disse.

Ao SP Palco, Barros ainda deu conselhos aos estudantes da SP Escola de Teatro, que dão os primeiros passos no ofício das artes. “Acredito em trabalhar, trabalhar e trabalhar. 90% é suor. A inspiração vem, mas você tem que trabalhar muito. Estudar demais e ler tudo”, indicou.

“Quando mais culto for o ator, melhor compreensão da vida ele vai ter. E cultura não digo falar inglês, francês e alemão. É conhecer o nosso Brasil, as pessoas e como o Brasil é diverso. E conhecer o mundo. Como estamos no Brasil, é conhecer essa diversidade e amar. Para mim, isso é básico para quem faz arte. Não é nem teatro, é arte”, considerou.

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Ao citar o amor –base central de Riobaldo–, o veterano parafraseou Renato Russo (1960-1996) e um trecho de Pais e Filhos. “Esse menino era um gênio: ‘é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã’. Isso não é falácia. Se você não tiver amor, a coisa não anda. Isso é para tudo, mas para a arte é primordial”, finalizou.

Por Elba Kriss

Serviço:

Riobaldo

Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno (Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista)

Temporada: De 11 de março a 10 de abril, sexta a domingo, às 19h.

Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia entrada)

Compras pelo site https://site.bileto.sympla.com.br/teatrosergiocardoso/

Duração: 65 min

Classificação indicativa:  16 anos

Capacidade: 144 lugares




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