Adaap lança livro sobre teatro de grupo em São Paulo no aniversário da cidade

A Associação dos Artistas Amigos da Praça (Adaap), que administra a SP Escola de Teatro, continua as comemorações de 10 anos de existência com o livro Teatro de Grupo na Cidade de São Paulo e na Grande São Paulo: Criações Coletivas, Sentidos e Manifestações em Processos de Lutas e de Travessias.

O lançamento reforça o fenômeno do teatro de grupo na capital e será no dia 25 de janeiro, segunda-feira, às 19h, pelo Youtube da SP Escola de Teatro, em pleno aniversário de 467 anos da cidade.

A publicação é um registro histórico com textos de 194 coletivos da Grande São Paulo, falando sobre seus repertórios, processos criativos, métodos de trabalho, parcerias mais comuns e a função do teatro.

O projeto ainda conta com análises sobre o fenômeno do teatro de grupo escritos por 16 especialistas, dentre os quais historiadores, pesquisadores, críticos de teatro e artistas. A organização é realizada por Marcio Aquiles (Relações Internacionais) e pelo pesquisador Alexandre Mate. Participaram do processo Elen Londero (Projetos Especiais), Ivam Cabral (Diretor Executivo) e Joaquim Gama (Coordenador Pedagógico). Essa é uma ação da Adaap em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura.

“Esse livro certamente vai se tornar uma referência e fonte para pesquisadores, estudantes e artistas do mundo todo. Provavelmente é a obra mais completa sobre o fenômeno teatro de grupo publicada no Brasil até hoje. Além de produzir novos conhecimentos, o objetivo da Adaap é difundi-los, de forma a popularizar essas centenas de coletivos, dar mais visibilidade a seus trabalhos e legitimar uma produção que gera frutos notórios para a economia e a cultura do país”, ressalta Ivam.

Acesse a livro em sua versão em PDF aqui ou no leitor virtual a seguir:

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Projeto

O trabalho começou em agosto de 2019 e terminou em janeiro de 2021. Foram documentadas as trajetórias de coletivos das cinco regiões da cidade e municípios, tais como: Caieiras, Cotia, Embu, Francisco Morato, Guararema, Guarulhos, Jandira, Mauá, Osasco, Ribeirão Pires, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Suzano e Taboão da Serra. Também estão presentes coletivos veteranos, como Oficina, TUOV, Ventoforte, Pasárgada, Engenho, XPTO, A Jaca Est, que se fazem presentes e têm resistido diante de tantas dificuldades.
“Nesse processo de tantos e permanentes enfrentamentos, o sujeito histórico teatro de grupo caracterizava-se, antes da pandemia, em produção de inquestionável beleza e pertinência militante, fincado em diferentes comunidades e desenvolvendo as mais variadas ações, tanto estéticas como de formação. Essa cena tem uma produção absolutamente singular, inventiva, criativa e entre as mais importantes daquilo que, em outras épocas, se definiu ser Ocidente”, explica Alexandre Mate.

Aquiles enfatizou a multiplicidade do material e a importância histórica em poder reunir essas informações. “Tanto os 194 textos escritos pelos coletivos participantes quanto os artigos teóricos iniciais revelam profunda preocupação por esse momento histórico de valorização da barbárie e desprezo – por parte do governo federal e de certa elite medíocre – pela cultura e pelo conhecimento (seja ele artístico ou científico). O livro coloca-se também, portanto, tal qual o manifesto por meio do qual coletivos e pesquisadores foram convidados para participar, como obra de resistência ao embrutecimento e à estupidez”.

Mate reforçou que o objetivo é deixar um legado artístico, ético, estético e de capacidade de resistência e luta. “Os coletivos teatrais, espalhados pela cidade e pelos municípios vizinhos, têm consciência da importância do teatro na vida comunitária e cultural, e estão a construir histórias em um permanente processo de disputa simbólica e militante contra todas as barbáries por que tem passado o país. Assisti espetáculos no centro e nas periferias, e um número surpreendente de novos grupos apareceu com pesquisas afrodescendentes, com relação às temáticas e pautas LGBTQI+, entre outras.”

A publicação marca o lançamento do selo Lucias, iniciativa da Associação dos Artistas Amigos da Praça, uma organização que rege os projetos da SP Escola de Teatro e da MT Escola de Teatro. A ideia é homenagear Lucia Camargo, que foi coordenadora da escola e faleceu em 2020. “Inicialmente, o nome do selo surge como uma singela homenagem à Lucia Camargo, fundamental para o teatro brasileiro dos últimos 50 anos, por seu papel como gestora cultural, fomentadora das artes, professora, jornalista e crítica. Porém a ideia é contemplar as coletividades, por isso Lucias no plural, representando todas e todos que ajudaram a transformar o teatro da Grande São Paulo em símbolo de excelência e diversidade”, finaliza o diretor executivo da instituição.




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