Confira 12 trabalhos marcantes na trajetória artística de Ivam Cabral

O ator e dramaturgo Ivam Cabral, diretor executivo da SP Escola de Teatro, faz aniversário nesta sexta, 25 de junho. Para celebrar, vamos relembrar 12 trabalhos que marcaram sua carreira.

Nascido em 25 de junho de 1963 em Ribeirão Claro, no Paraná, o artista é um dos grandes nomes do teatro brasileiro contemporâneo e agente crucial na cultura e economia criativa do Estado de São Paulo e do país. Ivam também é dramaturgo, diretor, roteirista, curador, gestor cultural e cofundador da Cia. de Teatro Os Satyros, em 1989, ao lado de Rodolfo García Vázquez, atualmente o grupo teatral brasileiro com maior presença e repercussão internacional. Com mais de três décadas de história, a companhia coleciona dezenas de prêmios individuais e coletivos, dentro e fora do Brasil.

Veja, a seguir, alguns de seus principais trabalhos:

Aventuras de Arlequim (1989)
No ano crucial para a história dos Satyros, Ivam protagonizou o infantil que lhe rendeu o prêmio de melhor ator pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes). O reconhecimento projetou o ator e a recém criada companhia no cenário nacional.

Sades ou Noites com os Professores Imorais (1990)
O espetáculo foi ponto de virada do Satyros e da carreira de Ivam Cabral, ao entrar na temática libertina que tornaria o grupo mundialmente reconhecido. A temporada não teve sucesso imediato, mas as aulas que dois libertinos davam a uma adolescente no espetáculo causaram impacto e logo o boca a boca garantiu o sucesso de público. “As imagens sobre o palco são escolhidas a dedo para causar horror”, definiu à época o crítico Nelson de Sá, da Folha de São Paulo.

A Filosofia na Alcova (1993)
Com a crise no Brasil em 1992, Ivam e Os Satyros embarcaram para Portugal, onde permaneceram em um período de exílio artístico. Em 1993, o espetáculo de Marquês de Sade, A Filosofia na Alcova, foi o escolhido para ser trabalhado no Velho Mundo.  O espetáculo matinha a pegada da peça anterior, mas a montagem foi se tornando mais madura esteticamente, com temporadas lotadas em diversos países europeus. Com seu tom lascivo, humorado e voyeurístico, a peça foi remontada sucessivas vezes, com diversos elencos a partir de 2003, com o grupo já estabelecido na praça Roosevelt, centro de São Paulo. Em 2017, virou o segundo filme do Satyros Cinema, tornando um dos três que mais tempo ficaram em cartaz na cidade de São Paulo, no cinema Belas Artes, na esquina da rua da Consolação com avenida Paulista.

Transex (2004)
Em diálogo com artistas trans e travestis na companhia, o Satyros foi pioneiro ao levar a temática para os palcos nesta obra que marcou época com as atrizes trans Phedra D. Córdoba e Savana Meirelles no elenco. A cena de Phedra D. Córdoba dublando Yo Viviré, versão da cubana Celia Cruz para I Will Survive, marcou a história do teatro brasileiro. Na peça, Ivam viveu a personagem Tereza, a melhor amiga de Phedra.

A Vida na Praça Roosevelt  (2005) e Inocência (2006)
Após desbravar terras europeias, consolidando carreira internacional, Ivam cria novas pontes, agora do Brasil, nos dois espetáculos feitos em parceria com alemã Dea Loher, com direção de Rodolfo García Vázquez. A parceria começou bem em A Vida na Praça Roosevelt, que rendeu a Rodolfo o Prêmio Shell de melhor diretor. Já com Inocência, foi a vez do Prêmio APCA de melhor espetáculo. As peças causaram menos horror e propuseram um olhar sofisticado que abordou temas como culpa, desprezo e figuras até então marginalizadas pela sociedade.

 

Vestido de Noiva (2008)
O grupo escolhe dialogar com o mais emblemático autor brasileiro, Nelson Rodrigues, montando uma de suas mais clássicas obras. Na obra, Ivam contracena com grandes nomes como Norma Bengell, Alberto Guzik e Phedra D. Córdoba. Em 2012, o espetáculo ganhou nova turnê em comemoração ao centenário de nascimento do dramaturgo pernambucano, na qual Norma Bengell foi substituída por Helena Ignez.

Pessoas Perfeitas (2014)
Assinada por Ivam e Rodolfo, a peça marca o retorno do grupo a textos autorais, mantendo a temática que mais caracteriza o Satyros: o diálogo com a cidade e os seres à margem que a habitam. Na obra, ele vive Ruy, um homem dedicado a cuidar de sua mãe idosa. O premiado espetáculo é uma pesquisa sobre seres marginais, com um olhar dedicados às pessoas que frequentam o centro de São Paulo, em especial a praça Roosevelt. Com a abordagem transgressora de sempre, o espetáculo entrou em um mundo mais íntimo e em questões sociais mais dramáticas. Levou o Prêmio APCA de melhor espetáculo e dois prêmio de melhor dramaturgia em 2014, um Shell e um Aplauso Brasil. A peça se tornaria a primeira de uma trilogia que se aprofundaria na mesma pesquisa. Resultando em Pessoas Sublimes (2016) e Pessoas Brutas (2017).

Ivam Cabral no longa metragem Hipóteses para o amor e a verdade.

Hipóteses para o amor e a verdade (2015)
O longa metragem do Satyros teve como ponto de partida o espetáculo homônimo, de 2010. Para sua criação, o grupo entrevistou mais de 200 personagens da região central de São Paulo, incluindo residentes, traficantes, empresários, transexuais, michês, atores e músicos. Esses depoimentos foram o ponto de partida para construir a trajetória de onze personagens presentes no filme. Ivam Cabral assinou o roteiro e atuou no longa metragem.

 

‘Cabaret Fucô’ é a segunda peça da trilogia ‘Cabaret’, que conta também com ‘Cabaret Stravaganza’ e ‘Cabaret dos Artistas’. Foto: Divulgação

Cabaret Fucô (2016)
Provavelmente o espetáculo mais alegre e triste na carreira de Ivam Cabral. Cabaret Fucô equilibrou os dois sentimentos com exatidão. Com denúncias sobre o controle social de mulheres e LGBTQIA+, o espetáculo também tratou de situações como racismo, gordofobia e a busca pelo poder financeiro. Depois de temporadas de sucesso no Estação Satyros, o primeiro espetáculo (quase) musical da companhia atravessou o planeta para participar do Festival de Teatro de Wuzhen, na China. Mais um carimbo em seu passaporte.

Mostra Todos Os Sonhos do Mundo. Foto: Andre Stefano

Todos os Sonhos do Mundo (2019)
O solo de Ivam Cabral teve como inspiração a depressão que o ator enfrentou. É uma visita poética às lembranças desse período, com inspiração no livro O Demônio do Meio-Dia, de Andrew Solomon, considerado essencial em sua recuperação. O solo estreou na última edição presencial do Festival de Curitiba, depois fazendo temporada no Satyros Um. Depois, fez temporada internacional em Portugal e Cabo Verde, tendo a temporada nacional interrompida, após sessão em Cuiabá, por conta da pandemia de Covid-19. A obra precisou cancelar sessões na Suécia, Finlândia e Espanha. Mas isso não parou o ator, que logo entendeu as funções da internet no momento de isolamento e foi o primeiro artista a utilizar a ferramenta de live no Instagram para fazer seu espetáculo, abrindo caminho para o teatro e as artes digitais. O solo teve mais de 5 mil espectadores, dentro e fora do Brasil.

Cena de ‘A Arte de Encarar o Medo’, d’Os Satyros. Foto: André Stefano/Divulgação

A Arte de Encarar o Medo (2020)
Abraçando o teatro digital, Ivam embarcou com seu grupo em A Arte de Encarar o Medo, peça criada no auge da quarentena e que consolidou o grupo como pioneiro na nova linguagem. A montagem discutiu um futuro distópico de medo e incertezas diante de uma epidemia que isolou a humanidade por 5.555 dias. A peça teve montagens brasileira, afro-europeia, norte-americana e global, com o nome The Art of Facing Fear e reunindo atores de 25 países e cinco continentes. Venceu os prêmios Young-Howze Theater Awards, nos Estados Unidos, na categoria Prêmio Mundial de Melhor Espetáculo Colaborativo do Ano; Melhor Produção e Melhor Elenco do The Red Curtain Good Theater Festival 2020, em Calcutá, na Índia; e o Prêmio Arcanjo de Cultura em 2020 na categoria Teatro, além de receber indicação ao Prêmio APCA e figurar entre os melhores de 2020 dos jornais O Globo e Folha de São Paulo.

Por Rodrigo Barros

Editado por Miguel Arcanjo Prado

 




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