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Seja Marginal Seja Herói!

Publicado em: 30/06/2011

A mesa de discussão “Duas Gerações de Teatro e Cinema no Brasil”, realizada na última terça-feira (28/06), encerrou o curso de Difusão Cultural “Mímica Corporal Dramática”, ministrado pela atriz Nadja Turenkko. O encontro colocou em foco a trajetória de trabalho das atrizes Helena Ignez e Djin Sganzerla que, ao lado de Nadja e do ator André Guerreiro Lopes, não se limitaram ao tema e deram uma aula de motivação, usando como exemplos suas próprias vidas.

 

A musa da noite, foi Helena, artista que, desde que ingressou na carreira de atriz, conquistou o público com sua atuação singular, no curta-metragem “O Pátio”, lançado em 1959, com a direção de Glauber Rocha, seu namorado na época.
 

Já em 1968, após conhecer o diretor Júlio Bressane, artista que é seu colega de trabalho até os dias de hoje, encontrou Rogério Sganzerla, com quem se casou e montou o filme “O Bandido da Luz Vermelha”, que se tornaria ícone da cultura marginal brasileira.

 

Será que você se lembra da musa deste filme, lançado em 1968? Helena encarnava a prostituta Janete Jane e inaugurava seu estilo de atuar, depravado, desregrado e devasso e que tornou o modo de interpretar muito mais espontâneo no cinema brasileiro. “Utilizei muitos elementos do teatro brechtiano nessa atuação”, revela a atriz. “Veja o modo como olho para a câmera”, conta, enquanto exibe um trecho do filme.

 

Tudo isso e mais um pouco foi contado por Helena, ao lado de sua filha, Djin, fruto de seu casamento com Sganzerla. “Sempre quis ser artista e não celebridade. E aqui, nada mais venho fazer a não ser indicar, com minha própria vida e experiência, as possibilidades de seguir um sonho. A arte é inerente ao ser humano. Todos somos artistas”, disse.

 

Não é à toa que, no momento em que Djin relatou os caminhos que traçou como atriz e produtora, nota-se que sua história de vida também é repleta de força de vontade e paixão por técnicas e atuação. “Tive que pedir emancipação aos meus pais para montar minha produtora na juventude. Não poderia deixar meus sonhos escaparem pelo tempo”, comentou.

 

E, a partir de seus projetos na produtora e de seu trabalho como atriz, Djin recebeu os prêmios de Melhor Atriz de Cinema de 2008, pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA); Melhor Atriz no 12º Festival de Cinema Luso-Brasileiro, em Portugal; Melhor Atriz no 18º Festival de Cinema de Natal, e Melhor Atriz Coadjuvante no 39º Festival de Cinema de Brasília.

 

No teatro, Djin trabalhou com os diretores Antonio Abujamra em “O Que É Bom em Segredo É Melhor em Público”; José Celso Martinez Corrêa, em “Cacilda”; e Rogério Sganzerla, em “Savannah Bay”. Atualmente, ensaia “O Belo Crepuscular”, seu primeiro solo. Atuou em mais de dez longas-metragens, entre eles: “O Gerente”; “As Doze Estrelas”; “Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha” e “Canção de Baal”.

 

Assim, em uma conversa informal, mãe e filha exibiram parte de suas filmografias e grandes momentos de suas histórias que serviram como exemplo de motivação,  mostrando que de um possível conflito e de algumas provocações podem nascer novas formas de expressão e olhares num mundo, ainda, esteticamente tão voltado à cultura do belo e do politicamente correto.

 

Atualmente, Helena aguarda o lançamento de seu projeto em família “Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha”, protagonizado pelo cantor Ney Matogrosso e com o roteiro deixado por Sganzerla.  No principal papel feminino está Djin, que contracena com seu marido, o ator André Guerreiro Lopes, que também acompanhou a mesa de discussão.

 

E o que a Mímica Corporal tem ver com tudo isso? Vá assistir a “O Estranho Familiar” e descubra. Com direção de Djin e Lopes, que atua também na peça ao lado de Nadja Turenkko, a montagem está em cartaz no Ágora Teatro.

 

Serviço:
“O Estranho Familiar”
Quando: sextas e sábados, às 21h30; e domingos, às 20h
Onde: Teatro Ágora
Rui Barbosa, 672, Bela Vista
Até 12 de dezembro