Segundo Round

Publicado em: 18/11/2010

Novamente, uma fábrica abandonada, situada embaixo do Viaduto do Largo da Concórdia, se transformou em espaço teatral, na última quarta-feira (17). Curiosos paravam para ver, de longe, o que estava acontecendo naquele local degradado, enquanto um coro em marcha, guiado pelo aprendiz de Sonoplastia Gerson de Souza Santana, realizava a cena de um enterro que abria o espetáculo “Hamletmachine”, de Heiner Muller.

 

Na sequência, todos os espectadores foram convidados a subir uma escada que alcançava o primeiro andar da fábrica. “Eu era Hamlet, estava parado à beira-mar, falava blá-blá com a ressaca. Atrás de mim, ruínas, sinos, anunciavam o funeral nacional. Quem é o cadáver do carro fúnebre?” entoava o coro, repetidas vezes, até que todo o público ocupasse o espaço destinado à encenação, que sugeria um ambiente mórbido, sanguinário e doentio.

 

Sonoplastia, cenografia, atuação e direção entraram em cena, não só em suas particularidades técnicas. Todos atuaram no estranho universo de “Hamletmachine”.

 

A montagem foi um encontro violento. Um abalo brusco. Cenas aconteciam em diferentes espaços do local escolhido, as personagens da trama saíam das janelas ou as quebravam, colocavam fogo no chão e no teto, estupravam, arrancavam suas roupas, subiam nas pilastras, gritavam e se eletrocutavam.

 

Inúmeros estrondos abalaram os ouvidos dos espectadores, entraram em cena tambores, guitarras, cantos e até o trem que atravessa uma estrada férrea atrás daquela fábrica participou da cena. Em seguida, mais estrondos foram proferidos em salas vazias do prédio, anunciando um espetáculo desestabilizador e com um desfecho irônico.

 

Ainda impactado com as cenas do espetáculo “Hamletmachine”, após um pequeno intervalo, o público continuou sua maratona teatral assistindo à montagem de as “As Rãs”, de Aristófanes. Esse espetáculo teve início em cima do Viaduto do Largo da Concórdia com uma atuação divertida das aprendizes do curso  de Humor Mahara Polido e Amanda Nicolosi.

 

Após superar o fedor proferido pelo bafo de um guardião, o público foi convidado pelo engraçadíssimo personagem do aprendiz Gabriel Lopes, a visitar Hades que, na mitologia grega, é o  mundo inferior e dos mortos.

 

Foi nesse “inferno” com uma iluminação fantasiosa e colorida, no qual essa comédia (que foi representada pela primeira vez em 405 A.C, na cidade de Atenas) ganhou uma nova versão e foi interpretada com muita música.

 

A fotógrafa Lenise Pinheiro, que estava registrando os melhores momentos das cenas, diz que fez questão de achar uma brecha em sua agenda para ir ao Experimento. “Gostei muito do que vi e quero voltar. Tudo que se relaciona ao teatro e suas manifestações me interessam muito. Acompanho o trabalho do Charly, que é aprendiz de Iluminação na SP Escola de Teatro e foi a convite dele que eu vim.”

 

As apresentações do Experimento continuam até sábado (20). Todas as apresentações são gratuitas e abertas ao público.

 

Confira a programação:

 

Dia 19 de novembro

 

Grupo 1 – As Troianas
Espaço: Associação Promotora de Instrução e Trabalho para Cegos (APIC)
End.: Rua Cajuru, 730
1ª sessão: 9h

 

Grupo 2 – Ubu-Rei
Espaço: SP Escola de Teatro
End: Avenida Rangel Pestana, 2.401 – Brás
1ª sessão: 10h – 2ª sessão: 12h

 

 Dia 20 de novembro

 

Grupo 5 – O Rei da Vela
Espaço: Escola de Samba Mocidade da Mooca
End.: Embaixo do Viaduto Bresser (Radial Leste)
1ª sessão: 11h – 2ª sessão: 14h

 

Grupo 1 – As Troianas
Espaço: Associação Promotora de Instrução e Trabalho para Cegos (APIC)
End.: Rua Cajuru, 730
2ª sessão:  10h – 3ª sessão: 12h