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Sede de Aprendizado

Publicado em: 05/11/2010

Há 12 anos, o Encontro Mundial de Artes Cênicas foi criado para ser um fórum de debates sobre os novos rumos das artes cênicas. O projeto tomou corpo e se voltou para a ousada proposta de vislumbrar novos caminhos na concretização de um centro de excelência na área de formação nas artes do palco.
 

Assim, nasceram dois projetos com o intuito de estabelecer uma reflexão profunda e abrangente sobre a constituição do artista cênico e, em 2009, o Centro Internacional de Pesquisa sobre a Formação em Artes Cênicas (Ecum) começou sua trajetória com fóruns e debates com artistas conceituados da escola francesa de teatro.
 

Já em sua segunda edição, o Ecum recebeu mais de 700 inscrições para seu programa especial de oficinas e conferências, em Belo Horizonte e em São Paulo, ministradas por pedagogos e diretores que representam a atualidade da escola russa de teatro em todo seu vigor e diversidade e que transmitem e renovam uma tradição que influencia radicalmente o teatro moderno e contemporâneo.
 

Após acirrado processo seletivo, aproximadamente 200 artistas tiveram a oportunidade de realizar essas oficinas, entre muito suor, pensamento rápido, prática e ensino com os pesquisadores Andrey Shchukin e Béatrice Picon-Vallin; o ator Alexey Levinski e os diretores Tatiana Stepantchenko, Mikhail Chumachenko e Jurij Alschitz. Além de Natacha Isaeva e Anatoli Vassiliev, um dos principais encenadores da Rússia nos últimos 20 anos e responsável pela criação da Escola de Arte Dramática em Moscou.
 

O evento que, nesse ano, homenageia Jacó Guinsburg, semiologista e teórico do teatro e um dos mais importantes especialistas em teatro russo do Brasil, teve sua abertura na cidade de Belo Horizonte, no sábado (23), com uma solenidade na Fundação de Educação Artística. A extensão paulista, realizada em parceria com a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, iniciou na segunda-feira (1º).
 

Em São Paulo, essa iniciativa trouxe até a sede provisória da SP Escola de Teatro, os artistas-pedagogos Anatoli Vassiliev, Alexey Levinskiy e Tatiana Stepantchenko para realizar oficinas, dedicadas aos artistas que passaram por processo seletivo, com temas como Biomecânica, análise-ação, texto literário e improvisação.
 

Para abrir o projeto a comunidade teatral, a extensão paulista do Ecum, também levou esses três renomados artistas para realizar conferências, em São Paulo, nos dias 3 e 4 de novembro.
 

Durante as apresentações, abertas ao público, oficineiros, estudantes e artistas de muitas localidades do Brasil revelaram bastante interesse sobre as metodologias e o pensamento teatral russo e os mais de 200 lugares do Teatro Aliança Francesa quase não foram suficientes para a demanda de pessoas interessadas pelo tema.
 

Ao ser questionada sobre sua experiência no Brasil e, em particular, com os alunos durante as oficinas, Tatiana Stepantchenko revela que as diferentes experiências profissionais e de geração dos participantes tornou-se fator que adicionava poder ao grupo. “O mais importante é que eles querem aprender algo. Eles ouvem, escutam e, sinceramente, tentam se apropriar de alguma coisa. Eles testam, provam, o que aprenderam. Eu realmente consigo ver que tem aqui uma sede aprendizado”, afirma.
 

Nessa mistura entre Brasil e Rússia, as oficinas do Ecum terminaram hoje (5) e a comemoração não poderia ser diferente: juntos, todos os participantes e palestrantes brindaram esse encontro e esses aprendizados mútuos.